Chama a atenção que até os títulos de renda fixa com vencimento no longo prazo já encostam no patamar psicológico de
IPCA+ 7% ao ano, caso do
Tesouro IPCA+ 2050, que viu sua remuneração saltar de
IPCA+ 6,78% ao ano no último dia 27 de fevereiro, a menor taxa já registrada em 2026, para os atuais
IPCA+ 6,97% ao ano.
Em compensação, o preço unitário do título indexado à inflação no período desabou de R$ 946,91 para R$ 900,59, implicando no prejuízo de -4,85% na marcação a mercado em pouco mais de um mês.
Na visão do analista Rafael Passos, da gestora Ajax Asset, os choques geopolíticos no Oriente Médio até trazem volatilidade no curto prazo, mas não produzem impactos duradouros nos mercados globais. Por ora, a disparada no preço do barril de petróleo faz investidores correrem para títulos de renda fixa indexados ao
IPCA+.
"Os juros dos países desenvolvidos em 2026 estão próximos do nível neutro. Um novo aumento do petróleo até pressionaria inflação e crescimento, mas os canais de transmissão para a economia são hoje diferentes e menos inflacionários do que em 2022, quando a guerra da Ucrânia estourou", comenta o especialista.