EUA sancionam empresas brasileiras por possível elo com o PCC; veja alvos

Sancionados teriam usado o sistema financeiro para lavar dinheiro obtido com o tráfico de drogas.

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Publicado em 01/07/2026 às 14:49h Publicado em 01/07/2026 às 14:49h por Marina Barbosa
EUA falam no desvio de US$ 30 milhões em lucros ilícitos do PCC (Imagem: Shutterstock)
EUA falam no desvio de US$ 30 milhões em lucros ilícitos do PCC (Imagem: Shutterstock)
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (1º) as primeiras sanções decorrentes da decisão de classificar o Comando Vermelho e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas.
🚨 Dois brasileiros e três empresas sediadas no Brasil foram sancionadas por suspeitas de ligação com o PCC, além de uma empresa de Portugal. 
De acordo com o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, os sancionados usaram o sistema financeiro para lavar dinheiro obtido de forma ilícita no território americano.
Porém, tiveram seus recursos bloqueados e ficaram impedidos de realizar transações com empresas ou cidadãos americanos a partir dessa sanção.
"O PCC representa uma ameaça significativa à segurança nacional dos EUA, já que seus agentes em todo o país, particularmente na Flórida, lavam dinheiro proveniente do narcotráfico e contribuem para um ciclo de criminalidade", afirmou o órgão.

Veja os alvos das sanções americanas:

  • Victor Henrique de Oliveira Shimada;
  • Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira;
  • Victory Trading -empresa financeira de Victor Shimada que já havia sido denunciada no Brasil por um suposto esquema de lavagem de dinheiro do contrato de patrocínio firmado entre a Vai de Bet e o Corinthians;
  • Pixwave -empresa financeira sediada em São Paulo;
  • Wave -construtora sediada em São Paulo;
  • Avenidas Flutuantes Unipessoal -empresa de transporte e armazenagem com sede em Portugal.

Como funcionava o esquema?

💸 De acordo com o governo dos Estados Unidos, a rede de lavagem de dinheiro do PCC operava a partir de dois locais principais: Flórida e São Paulo.
A partir de São Paulo, Victor Shimada teria atuado como um elo entre os agentes do PCC sediados na Flórida e traficantes de drogas estrangeiros. 
Além disso, teria lavado mais de US$ 30 milhões em lucros ilícitos gerados nos Estados Unidos e arredores, usando criptomoedas para transferir os recursos para o Brasil.
As empresas sancionadas pelo governo americano também teriam sido usadas para evitar a detecção desses fundos pelas autoridades.
Já Stella Oliveira teria atuado como secretária de Shimada e intermediária para a coleta de grandes quantias em dinheiro.

Organizações terroristas

O governo americano classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas há cerca de um mês, abrindo o caminho para a aplicação de sanções financeiras como as anunciadas nesta quarta-feira (1º).
A medida foi anunciada dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL) defender a classificação durante uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 
O governo Lula (PT) posicionou-se contra, devido ao receio de que a medida abra espaço para ofensivas mais duras dos Estados Unidos contra o Brasil, como operações militares.