Lula ignora debate presidencial e aparece em entrevista à Record

Presidente comentou juros, relação com os EUA e investigações sobre seu filho Fábio Luís.

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Publicado em 24/08/2026 às 07:31h Publicado em 24/08/2026 às 07:31h por Wesley Santana
Entrevista foi exibida no mesmo horário do debate presidencial (Imagem: Reprodução/RecordTV)
Entrevista foi exibida no mesmo horário do debate presidencial (Imagem: Reprodução/RecordTV)

Enquanto a TV Bandeirantes realizava o primeiro debate presidencial das eleições de 2026, o presidente Lula (PT) estava em outro lugar. O chefe do Executivo concedeu uma entrevista à RecordTV, gravada durante a tarde, mas exibida no mesmo horário do confronto.

Ao longo de 30 minutos, o petista comentou sobre diversos assuntos e também respondeu aos questionamentos da jornalista. Um dos principais temas foi a segurança pública, que deve passar por uma votação importante no Congresso Nacional.

“Nós temos que convencer os meus meninos da Fazenda, do Planejamento, de que vamos precisar de muito dinheiro para garantir um suporte de trabalhar aliado com governo do estado, com prefeituras, utilizando a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Penal, para que a gente possa, definitivamente, resolver o problema da segurança pública”, afirmou, prometendo um Ministério da Segurança Pública em uma eventual vitória.

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Na área econômica, o presidente voltou a defender um maior corte nos juros. Ele também criticou o atual modelo de autonomia do Banco Central, dizendo que o presidente da República deveria ter maior ingerência na instituição.

Além disso, também reconheceu que, mesmo que os indicadores oficiais apontem um aumento no poder de compra e uma queda na inflação, o sentimento da população não é o mesmo.

"Nós temos a menor inflação acumulada em 4 anos, nós temos aumento do salário mínimo real em todos os anos, eles passaram sete anos sem fazer. Agora, por que a sensação de estar caro? Está caro porque mudou o nosso hábito de comer, porque os juros estão caros e porque a gente está comprando mais coisas, utilizando mais coisas”, alegou.

Ele ainda respondeu a questionamentos sobre a relação diplomática e econômica com os Estados Unidos. Na última sexta, o presidente fez uma ligação para Donald Trump, na intenção de pedir a retirada das taxas de importação.

“A minha conversa com o Trump é muito civilizada, é muito respeitosa, tanto da minha parte quanto da parte dele. Mas, depois, o segundo escalão toma atitudes que são impensáveis. Aí nós não podemos aceitar intromissão de um país, quem quer que seja, na coisa do Brasil”, disse Lula.

Investigações contra o filho

Lula também foi questionado sobre as investigações do Ministério Público, que apontam uma ligação de seu filho Fábio Luís com o “Careca do INSS”. Ele destacou que não tenta impedir investigações e defendeu que eventuais crimes devem ser punidos.

“Todos nós somos obrigados a agirmos corretamente. Se alguém está agindo de forma equivocada, de forma errada, esse alguém tem que ser investigado”, disse. “Isso vale para o meu filho, vale para qualquer pessoa. Ninguém está [acima da lei] se cometer erro”, acrescentou.