Se, no final de junho de 2026, o governo brasileiro teve de cancelar um leilão de
Tesouro IPCA+ para não concordar com os juros compostos elevados exigidos pelo mercado, agora o Tesouro Nacional conseguiu vender 100% da sua oferta de títulos públicos indexados à inflação.
Um dos efeitos técnicos mais imediatos quando grandes bancos e gestoras de fortunas arrematam toda a oferta de títulos públicos colocada pelo governo é a redução das taxas praticadas no
Tesouro Direto, ambiente acessível aos investidores pessoas físicas.
Para se ter uma ideia, foram emprestados ao governo brasileiro cerca de R$ 218,1 milhões através do Tesouro IPCA+ 2031, com remuneração de IPCA+ 8,41% ao ano.
Entre os títulos de maior prazo de vencimento, o
Tesouro IPCA+ 2037 angariou R$ 206,8 milhões, com taxa de IPCA+ 8% ao ano, enquanto o
Tesouro IPCA+ 2050 colheu R$ 203,8 milhões, ao custo de IPCA+ 7,55% ao ano.
Todavia, a preferência dos investidores institucionais no leilão realizado nesta terça-feira (7) seguiu concentrada na renda fixa atrelada à taxa Selic. Por isso, só o
Tesouro Selic 2032 recebeu empréstimo de R$ 28,8 bilhões, com acréscimo de 0,11% ao ano.
À medida que o governo brasileiro alonga o prazo de sua dívida pública, as taxas longas presentes no Tesouro Direto caem e destravam ganhos pontuais aos investidores já posicionados quando os juros compostos eram maiores.
Prova disso é o desempenho do
Tesouro IPCA+ 2050, cuja remuneração bateu o pico de IPCA+ 7,41% ao ano no último dia 2 de julho para pagar os atuais IPCA+ 7,26% ao ano. Ao mesmo tempo, o seu preço unitário saltou de R$ 854,67 para R$ 885,01.