Itaú (ITUB4) vira sócio em gestora de R$ 28 bi e reforça aposta em alternativos

O banco fechou acordo para deter 35% da Prisma Capital, gestora de R$ 28 bilhões, por meio de um aumento de capital 100% primário.

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Publicado em 15/10/2026 às 16:34h Publicado em 15/10/2026 às 16:34h por Matheus Silva
Desde 2017, a Prisma investiu mais de R$ 14 bilhões (Imagem: Shutterstock)
Desde 2017, a Prisma investiu mais de R$ 14 bilhões (Imagem: Shutterstock)
🚨 O Itaú Unibanco (ITUB4) assinou um acordo para adquirir 35% da Prisma Capital, gestora brasileira especializada nesse segmento, por meio de ações preferenciais. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (15), em comunicado divulgado pela Prisma.
Apesar da entrada do Itaú, o comando da gestora não muda. Os atuais sócios permanecem com os 65% restantes do capital e mantêm o controle da empresa, preservando a estrutura de decisão que levou a Prisma ao seu tamanho atual.
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O investimento do banco será realizado por meio de um aumento de capital 100% primário. Isso significa que todo o dinheiro aportado pelo banco entra diretamente no caixa da Prisma, e não no bolso dos sócios atuais, como aconteceria em uma operação de venda de participações já existentes.
Os recursos terão destino definido. Segundo o comunicado, o capital será utilizado para ampliar a capacidade de investimento da gestora, incluindo o coinvestimento em fundos ao lado de seus clientes, modelo em que a própria gestora coloca recursos nas mesmas estratégias oferecidas aos investidores. 
Parte do dinheiro também servirá para acelerar iniciativas estratégicas, como a criação e a aquisição de plataformas proprietárias de originação de ativos, estruturas responsáveis por encontrar e estruturar as oportunidades que alimentam os fundos geridos pela Prisma.

Itaú busca capturar crescimento do mercado de alternativos

Para o banco, a operação tem caráter estratégico. "A Prisma construiu uma das plataformas mais admiradas do País em investimentos alternativos", afirmou Carlos Fernando Rossi Constantini, diretor de Wealth Management & Services do Itaú.
Segundo o executivo, o acordo "reforça o posicionamento do Itaú no segmento de alternativos, permitindo melhor capturar o potencial de crescimento desse mercado no Brasil". 
A área de wealth management, comandada por Constantini, reúne os serviços voltados à gestão de patrimônio de clientes de alta renda, público que costuma buscar estratégias diferentes das aplicações tradicionais.

Gestora soma R$ 28 bilhões e mais de 120 transações desde 2017

A Prisma Capital foi fundada em 2017 por Marcelo Hallack, João Mendes e Lucas Canhoto. Em menos de uma década, a gestora alcançou cerca de R$ 28 bilhões sob gestão e investiu mais de R$ 14 bilhões em 120 transações.
O foco da casa está em estratégias de solução de capital para empresas, um campo que exige conhecimento técnico e jurídico especializado. 
Entre as frentes de atuação estão o crédito estruturado, o private equity, que envolve a compra de participações em empresas, os ativos imobiliários, os créditos não performados de companhias, as operações ligadas a falências e recuperações judiciais, o financiamento de litígios e a gestão de passivos e contingências.
Do lado da Prisma, a avaliação é de que o negócio representa um marco. "Esta é a transação mais importante da história da Prisma", afirmou Marcelo Hallack. "Trazer o Itaú como sócio cria uma base de capital robusta e reforça nossa governança, sem mudar o que nos trouxe até aqui", acrescentou.
A fala reflete o desenho escolhido para a operação. Ao entrar com participação minoritária e por meio de ações preferenciais, o Itaú se torna um sócio de peso, mas sem assumir o controle, o que permite à gestora manter sua independência na condução dos investimentos.
📊 A conclusão do negócio ainda está sujeita às condições habituais para transações desse tipo, incluindo a aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e do Banco Central do Brasil. O valor do aporte não foi divulgado.