Irã diz que negociação com EUA entrou em "fase difícil" após fala de Trump

Trump fez novas provocações ao Irã neste domingo (21), ameaçando atacar o país com extrema força outra vez caso seja necessário.

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Publicado em 21/06/2026 às 18:40h Publicado em 21/06/2026 às 18:40h por Matheus Silva
O Irã havia dito no sábado (20) que fechou o Estreito de Ormuz novamente (Imagem: Shutterstock)
O Irã havia dito no sábado (20) que fechou o Estreito de Ormuz novamente (Imagem: Shutterstock)
🚨 As negociações entre Washington e Teerã entraram em uma fase difícil após declaração considerada insultante do presidente dos EUA, Donald Trump, segundo a agência de notícias estatal iraniana IRNA. 
Trump fez múltiplos avisos provocativos ao Irã neste domingo (21), incluindo a ameaça de atingir o país muito fortemente novamente.
Um funcionário com conhecimento das negociações disse à Associated Press, sob condição de anonimato devido à sensibilidade do tema, que a delegação iraniana continua envolvida nas negociações e não indicou aos mediadores qualquer intenção de sair.

Irã condiciona reabertura de Ormuz a cessar-fogo no Líbano

A agência iraniana Tasnim informou que o Estreito de Ormuz não seria reaberto enquanto o cessar-fogo no Líbano não fosse respeitado. Segundo uma fonte próxima à equipe de negociação, a via navegável também permaneceria fechada até que fossem emitidas isenções permitindo a venda de petróleo iraniano.
Em entrevista à Fox News, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que o Estreito de Ormuz está aberto para o tráfego de navios, com 67 embarcações passando pela região nas últimas 24 horas, número semelhante ao observado antes do início da guerra em termos de petróleo e derivados. 
O comando militar do Irã havia dito no sábado (20) que fechou o estreito por causa da campanha de Israel no Líbano contra o Hezbollah, anúncio contestado pelos EUA.
Wright também disse que o Irã não removeu as minas do canal central do estreito, mas que os EUA abriram um canal separado, ao sul, e estão escoltando navios por essa via. O secretário reconheceu, porém, que ainda há preocupações com a segurança no local.

Netanyahu diz que Israel manterá zona de segurança no Líbano

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou neste domingo que as forças armadas continuarão a ocupar a zona de segurança no sul do Líbano, ao longo da fronteira com Israel, pelo tempo que for necessário. 
"Estabelecemos uma zona de segurança no Líbano", disse em conferência em Jerusalém, acrescentando que a manutenção da área busca proteger a população israelense.

Irã não abrirá mão do direito de enriquecer urânio

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, reafirmou neste domingo que o país não pretende desenvolver uma bomba atômica e que não há problema em deixar essa condição expressa no acordo de paz com os EUA. Segundo o presidente, o líder supremo Mojtaba Khamenei já havia anunciado que o Irã não pretende construir uma bomba, posição reiterada diversas vezes por autoridades iranianas.
Pezeshkian foi taxativo, porém, sobre o enriquecimento de urânio para fins pacíficos. "Não abriremos mão do nosso direito ao enriquecimento", afirmou, acrescentando que a outra parte das negociações será obrigada a aceitar essa condição.
As declarações de Pezeshkian ocorreram em meio a nova rodada de negociações entre EUA e Irã neste domingo, na Suíça. Do lado americano, o vice-presidente JD Vance liderou as conversas, enquanto o chanceler iraniano Abbas Araghchi chefiou a delegação do país persa.
❌  Desde quinta-feira (18), a intensificação dos combates entre Israel, que não faz parte do acordo de paz, e o Hezbollah no sul do Líbano trouxe dúvidas quanto à sustentabilidade do cessar-fogo no Oriente Médio, já que Teerã defende o fim dos ataques ao território libanês como condição para encerrar o conflito.