Governo troca comando do INSS, para tentar reduzir fila de espera

A servidora de carreira Ana Cristina Silveira assume o comando do INSS nesta 2ª feira (13).

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Publicado em 13/04/2026 às 13:52h - Atualizado em 25/08/2026 às 19:05h Publicado em 13/04/2026 às 13:52h Atualizado em 25/08/2026 às 19:05h por Marina Barbosa
Ana Cristina reuniu-se com Lula antes de ser anunciada presidente do INSS (Imagem: Previdência Social)
Ana Cristina reuniu-se com Lula antes de ser anunciada presidente do INSS (Imagem: Previdência Social)
O governo federal decidiu trocar o comando do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), para tentar reduzir a fila de espera por benefícios previdenciários.
Com isso, a servidora de carreira Ana Cristina Viana Silveira assume a presidência do órgão, no lugar de Gilberto Waller, que estava no cargo há apenas 11 meses.
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Ana Cristina Silveira ingressou no INSS há 23 anos, como Analista do Seguro Social. E, nos últimos meses, ocupava a secretaria-executiva adjunta do Ministério da Previdência Social. 
Antes, foi presidente do Conselho de Recursos da Previdência Social por quase três anos, período em que ajudou a acelerar a capacidade de análise de recursos do órgão.

Fila do INSS na mira

Em nota, o Ministério da Previdência Social sugeriu que a troca de comando visa acelerar a análise dos benefícios previdenciários, para reduzir a fila do INSS em meio à corrida eleitoral.
"A escolha de uma servidora com visão sistêmica — que compreende o fluxo previdenciário desde o atendimento nas agências até a fase recursal — marca um novo momento para o Instituto, focado na redução do tempo de espera e qualidade do atendimento aos segurados", afirmou a pasta.
O ministro Wolney Queiroz disse ainda que Ana Cristina Silveira "tem o perfil ideal para iniciar esse novo momento e cumprir a determinação do presidente Lula, que é solucionar a fila e não deixar nenhum brasileiro para trás". 
"Sua nomeação também entrega o comando do Instituto nas mãos de seus próprios servidores. Tenho a alegria ainda de anunciar mais uma mulher para a alta cúpula do órgão, que já tem quatro diretoras", acrescentou Queiroz, que também agradeceu a Waller pela "importante contribuição nesse período".

Waller rebate

Membro da Advocacia-Geral da União, Gilberto Waller deixa o comando do INSS depois de apenas 11 meses. 
Ele assumiu o posto em abril de 2025, depois que a PF (Polícia Federal) revelou um esquema bilionário de desvio de recursos, por meio de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.
O esquema levou à prisão do antecessor de Waller, Alessandro Stefanutto, além do afastamento de servidores da cúpula do órgão.
O agora ex-presidente do INSS, no entanto, indicou que não concorda com o argumento do governo de que a troca visa reduzir a fila de espera do órgão.
Em um post realizado nas redes sociais pouco depois da sua demissão, Waller disse que a análise de pedidos previdenciários bateu recorde em março.

Os números do INSS

Segundo dados divulgados pelo próprio INSS nesta segunda-feira (13), 1,625 milhão de processos foram concluídos no mês passado, levando a uma redução de quase 11% no estoque de pedidos em espera. 
"O recorde de desempenho impacta diretamente quem aguarda uma resposta para os principais pedidos de benefícios, como aposentadorias, pensões e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) — destinado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda", afirmou o INSS.
O órgão disse ainda que a análise acelerou devido a iniciativas como a nacionalização da fila de análise, a criação de grupos de trabalho especializados e a promoção de mutirões de análise administrativa e perícia médica.

De olho na eleição

Com a conclusão desses processos, a fila de espera do INSS diminuiu de 3,1 milhões para 2,7 milhões em março. O número, no entanto, ainda está bem acima da média história. 
Para se ter ideia, essa fila era de 1,2 milhão em janeiro de 2023, quando teve início este governo Lula (PT), e estava em 1,3 milhão dois anos atrás, em abril de 2024. 
A fila já rondava os 2,7 milhões quando Waller assumiu, há pouco menos de um ano. Porém, disparou nos últimos meses, passando dos 3 milhões no final de 2025.
De acordo com o INSS, a fila vem crescendo de forma acelerada devido ao aumento de pedidos. Só em março, o órgão recebeu cerca de 61 mil novos pedidos por dia.
O estoque, no entanto, é visto como um problema pelo governo neste período de corrida eleitoral. Afinal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia prometido zerar a fila do INSS na campanha de 2022 e vem perdendo espaço para Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto deste ano.
A última pesquisa Datafolha, por exemplo, mostra Flávio com 46% das intenções de voto, contra 45% de Lula, no segundo turno das eleições. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.