💼 O governo federal pode criar uma linha de crédito para apoiar empresas eventualmente afetadas pelo
fim da escala de trabalho 6x1. A sinalização foi feita nesta sexta-feira (16) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista à TV Band.
Segundo ele, o objetivo seria estimular capacitação, inovação e produtividade nas companhias que precisarem se adaptar à nova regra.
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A declaração ocorreu no mesmo dia em que o Congresso Nacional promulgou a emenda constitucional que acaba com a jornada de seis dias de trabalho para um de descanso, em sessão solene que contou com a presença do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Pela regra aprovada, a mudança passa a valer dois meses após a promulgação.
Ministro reconhece custo para empresas
Durigan admitiu que a nova regra trabalhista gera ônus para parte dos empresários, mas classificou esse efeito como "minoritário".
Para sustentar a avaliação, o ministro lembrou que cerca de 70% dos trabalhadores brasileiros já atuam hoje na escala 5x2, com dois dias de folga por semana, o que reduziria o alcance da mudança.
"Os empresários têm que ter apoio do governo para participar desse novo tempo, que é uma mudança civilizacional", afirmou Durigan, que falou na condição de coordenador do plano econômico da campanha de Lula à reeleição.
Posição representa mudança em relação a declarações anteriores
A sinalização marca uma inflexão no discurso do ministro. Em declarações anteriores neste ano, Durigan vinha se posicionando contra medidas compensatórias para empresas afetadas pela nova regra.
O ministro chegou a afirmar que não caberia ao governo indenizar empresários e que a solução seria prever um prazo de transição para a adaptação.
O tema ganhou força nos últimos dias. O fim da escala 6x1 é uma medida popular defendida por Lula, mas alvo de críticas de setores empresariais, que alertam para o aumento de custos com a contratação de mais trabalhadores ou o pagamento de horas extras.
Na mesma linha de buscar contrapesos, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que as preocupações dos empresários não foram negligenciadas, citando a aprovação do projeto que amplia o limite de faturamento dos microempreendedores individuais.
Juros seguem como problema, diz Durigan
Na entrevista, o ministro também tratou da política econômica. Durigan afirmou que a taxa de juros continua sendo um problema para o país e defendeu que o governo mantenha o trabalho de ajuste das contas públicas, buscando superávits primários cada vez maiores, mas sem "cavalo de pau", expressão usada para descrever mudanças bruscas de rumo.
O ministro direcionou críticas à proposta econômica do adversário de Lula no segundo turno.
A campanha do senador
Flávio Bolsonaro (PL) prevê um ajuste fiscal de 1,5% do
PIB (Produto Interno Bruto) em um prazo curto. Para Durigan, a meta não é crível, porque um esforço dessa magnitude não poderia ser feito sem cortes em políticas públicas, como os ganhos reais do salário mínimo e outras ações sociais.
"Ele precisa dizer para quem está mentindo, ou é para o mercado ou é para as pessoas que são beneficiárias desses programas… É totalmente inviável, totalmente mentiroso", afirmou o ministro.
📊 A troca de acusações sobre o tema fiscal deve seguir no centro da campanha na reta final. Lula e Flávio se enfrentam no
debate da TV Band no domingo (18), e o segundo turno está marcado para 25 de outubro.