Nesta Super Quarta (29), dia de decisão de juros no Brasil e nos Estados Unidos, o Fed (Federal Reserve) divulga sua decisão de política monetária em um ambiente já carregado de expectativas. O cenário-base segue pela manutenção dos juros. Ainda assim, em meio a pressões vindas do petróleo, tensões geopolíticas e uma iminente mudança de comando, o mercado deve focar no tom do comunicado.
Para Camilo Cavalcanti, gestor de portfólio da Oby Capital, a ausência de alívio nos preços de energia deve manter o Fed em posição cautelosa. Ele também destaca o momento de transição na liderança da instituição, com a saída de Jerome Powell e a possível chegada de Kevin Warsh, que pode adotar uma postura mais inclinada ao afrouxamento monetário.
Segundo ele, “o espaço para cortes de juros em um prazo curto estará bastante conectado à evolução do preço do petróleo e seu impacto na inflação e, especialmente no crescimento americano”.
Na mesma linha, Cristiano Luersen, especialista em investimentos e sócio da Wiser Investimentos, avalia que o desafio do Fed será sinalizar por quanto tempo os juros seguirão elevados diante do encarecimento de energia e logística, agravado por conflitos como o do Estreito de Ormuz.
“Não faltam motivos para a manutenção das taxas no patamar atual, a famosa postura data dependent (dependente de dados)”, afirma. Ele também chama atenção para o papel de Warsh no médio prazo, destacando que sua defesa por uma política “estritamente independente” e mudanças na forma de avaliar a inflação adicionam incertezas ao futuro da autoridade monetária.
Para Robson Casagrande, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, a decisão em si já está praticamente definida pelo mercado. O ponto central, segundo ele, será a comunicação. “Qualquer sinalização mais dura sobre inflação, especialmente diante do petróleo acima de US$ 100 com o conflito no Oriente Médio, pode mexer com os mercados globais”, explica.
Além disso, o especialista ressalta a importância do gráfico de projeções de juros divulgado pelos membros do Fed, que indica a dispersão das expectativas e pode oferecer pistas sobre os próximos passos da política monetária americana.