EUA voltam a criticar Pix e dizem que sistema favorece concorrência desleal

Governo americano afirma que modelo brasileiro prejudica empresas de pagamentos dos Estados Unidos e amplia tensão comercial.

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Publicado em 02/06/2026 às 12:54h Publicado em 02/06/2026 às 12:54h por Wesley Santana
Pix foi criado pelo Banco Central para realizar transferências instantâneas (Imagem: Shutterstock)
Pix foi criado pelo Banco Central para realizar transferências instantâneas (Imagem: Shutterstock)

Nesta terça-feira (2), os Estados Unidos voltaram a atacar o Pix, em documento divulgado pelo escritório de representação comercial. O país acusa o sistema de prejudicar as empresas norte-americanas e classifica o modelo de pagamento como “injusto”.

“Os atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao tratamento preferencial concedido ao Pix são injustos e discriminatórios. É injusto exigir que os concorrentes ofereçam vantagens ao Pix, como disponibilidade, visibilidade e limites de tarifas, e o Brasil discrimina os fornecedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA ao conceder essas vantagens apenas à empresa líder nacional [o Pix]”, diz o documento.

Essa não é a primeira vez que os EUA miram o Pix, dizendo que o sistema prejudica as companhias que emitem cartões de crédito, como Visa e Mastercard. Anteriormente, já havia sinalizado que o problema poderia gerar tarifas adicionais para o Brasil.

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Os EUA dizem que o governo federal favorece o Pix por meio de políticas públicas, o que teria tornado o sistema um “campeão nacional”. Há mais de um ano, o governo de Donald Trump vem investigando as questões de pagamento do Brasil.

“O papel duplo do Banco Central do Brasil como regulador e proprietário/operador do Pix cria um conflito de interesses, na ausência de salvaguardas processuais adequadas. O banco agiu para prejudicar os provedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA e dar preferência ao Pix”, acrescenta o documento.

Em entrevista à Agência Brasil, o professor do Instituto de Economia da Unicamp, Pedro Paulo Zahluth Bastos, diz que a ação dos EUA é uma forma de mostrar a outros países um exemplo de que não devem criar mecanismos que prejudiquem empresas norte-americanas.

“O problema é que o Pix já é um sistema soberano, público e gratuito, que oferece uma alternativa a essas redes privadas, que geram muitos lucros, que são controladas pelos EUA”, explicou o especialista. “O Pix mostrou que uma infraestrutura pública pode deslocar o modelo privado, que extrai tarifas. E esse modelo está se espalhando, como na Índia. O interesse dos EUA é essa renda de intermediação que os comerciantes pagam, entre 2% e 5% na transação dos cartões de crédito”, completou.

Briga eleitoral

A decisão dos EUA vem logo depois da visita de Flávio Bolsonaro (PL) à Casa Branca, quando conseguiu discutir com Donald Trump o enquadramento das facções criminosas como grupos terroristas estrangeiros. Vem, também, com uma ameaça dos EUA de impor novas tarifas comerciais às exportações brasileiras, o que tem servido de arma para a base governista contra o pré-candidato.

Deputados como Gleisi Hoffmann e Lindbergh Farias, ambos do PT, afirmaram que os dois filhos de Bolsonaro tiveram agendas nos EUA para atuar contra o Brasil junto a Trump. Eles dizem que a família tem colocado as questões próprias acima dos interesses nacionais.

Flávio logo saiu em sua defesa, dizendo que o Pix não está ameaçado e tentando se proteger dos ataques que vieram dos governistas. Ele lembrou que o Pix foi lançado durante o governo de seu pai, que foi presidente entre os anos de 2018 e 2022.

"É mentira que o Pix está ameaçado. Não tem absolutamente nada a ver o meio de pagamento com isso tudo. O Pix é brasileiro, foi feito pelo [ex] presidente [Jair] Bolsonaro. O Pix não é taxado porque o presidente Bolsonaro assim determinou que não fosse, é algo que revolucionou a segurança, então isso não está em discussão", afirmou para a rádio Itatiaia.