EUA podem deixar acordo comercial com México e Canadá; entenda o que muda

USCMA movimenta US$ 1,6 trilhão por ano e pode entrar em processo de expiração de até 10 anos.

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Publicado em 30/06/2026 às 12:19h Publicado em 30/06/2026 às 12:19h por Wesley Santana

O governo de Donald Trump deve oficializar a saída dos Estados Unidos do acordo de livre comércio que o país mantém com seus vizinhos Canadá e México. O USCMA (U.S.-México-Canadá Agreement, em inglês) foi firmado há cerca de 30, mas deve chegar ao fim nas próximas horas. 

O acordo foi criado há mais de 30 anos e, conforme as regras, deveria ser ratificado neste próximo 1º de julho. No entanto, os EUA já sinalizaram que não devem seguir com o documento no formato atual, abrindo caminho para que entre em caducidade. 

Está marcada uma reunião nesta quarta entre representantes comerciais dos três países, que devem dizer exatamente como querem seguir. Canadá e México já confirmaram o desejo de seguir dentro do tratado, enquanto Washington prefere se manter mais discreto, dando indícios de que o acordo chegará ao fim ou ao menos deve ser revisto com condições mais favoráveis. 

Os países mantêm uma espécie de bloco econômico desde 1990, mas os termos foram revisados no primeiro mandato de Trump, quando mudou de nome de Nafta para USMCA. Ele serve como base para um tráfego comercial de US$ 1,6 trilhão por ano, permitindo diversas vantagens em setores da economia, especialmente na indústria automobilística, e foi definido como “o acordo mais justo, equilibrado e benéfico”. 

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Caso o acordo não seja renovado, entrará em vigor a cláusula de caducidade, que prevê um período de 10 anos para expiração. Para que siga vigente, o documento tem de ser aprovado pelos três países, o que parece que não vai ocorrer desta vez. 

Historicamente, as nações que compõe a América do Norte são bastante atuantes no comércio mutuo, mas tudo começou a mudar no ano passado. Foi quando Trump impôs uma série de tarifas a esses e outros países, como forma de levar mais empresas para dentro dos EUA.

No caso do Canadá, ainda houve uma disputa mais geopolítica, com o líder da Casa Branca ameaçando anexar o país mais ao norte. Já em direção ao México, ele faz repetidos ataques sugerindo que a nação protege facções terroristas. 

“À medida que as fronteiras entre política econômica e de segurança continuam a se confundir, as negociações comerciais são cada vez mais moldadas por objetivos geopolíticos mais amplos. Tarifas, acesso ao mercado e acordos de livre comércio têm sido usados recentemente, especialmente pelos Estados Unidos, para avançar objetivos estratégicos relacionados à resiliência da cadeia de suprimentos, competitividade tecnológica e segurança nacional”, diz um relatório do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês). 

Acordo é estratégico

Estima-se que ao menos 80% das exportações do México tenham como destino os EUA. Diante disso, acordos comerciais como esse são instrumentos importantes para que o país mantenha sua economia girando. 

Por isso, especialistas destacam o quão importante é que o governo mexicano tente fazer negociações com o outro lado da fronteira. Diferente da relação com o Canadá, o México tem tido rodadas de conversas com representantes da Casa Branca para tentar negociar acordos diretos. 

“Esforços recentes para fortalecer a cooperação em segurança ajudaram a aliviar as tensões relacionadas ao comércio e a reduzir a probabilidade de medidas unilaterais de intervenção dos EUA. No entanto, permanece incerteza quanto ao grau em que as considerações de segurança influenciarão tanto a agenda e os resultados da revisão do USMCA, quanto a futura resiliência das cadeias de suprimentos norte-americanas e das relações bilaterais México–EUA”, completa o relatório do IISS.