EUA ajudam Japão a salvar o iene em 2026; saiba o risco oculto aos investidores

O governo japonês é o maior detentor estrangeiro de títulos públicos dos EUA, além de ter US$ 1 trilhão em ativos globais

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Publicado em 04/08/2026 às 15:02h Publicado em 04/08/2026 às 15:02h por Lucas Simões
Há poucos dias, o iene japonês bateu mínima de 40 anos contra o dólar (Imagem: Shutterstock)
Há poucos dias, o iene japonês bateu mínima de 40 anos contra o dólar (Imagem: Shutterstock)
A famosa frase "Existem quatro tipos de países no mundo: desenvolvidos, subdesenvolvidos, Japão e Argentina", do economista Simon Kuznets, se provou mais uma vez em pleno 2026. Tivemos uma rara operação conjunta, onde os Estados Unidos ajudaram o Japão a salvar o iene japonês.
Nesta virada de mês, o governo americano auxiliou monetariamente o Banco do Japão (BoJ) a valorizar o iene japonês, que havia mergulhado nos últimos dias em ¥ 163,99 contra o dólar americano, a menor cotação da moeda japonesa em 40 anos. Após a intervenção conjunta, o iene japonês já acumula ganhos de valorização de quase +5% e negociava ao redor de ¥ 157,50 nesta terça-feira (4).
Embora o investidor brasileiro pareça distante do imbróglio, na verdade, está mais exposto do que imagina a um risco oculto. Afinal de contas, o iene japonês serviu por décadas como uma fonte de dinheiro barato para o mundo inteiro aproveitar, dado que o BoJ manteve os juros negativos por longo período.
Ou seja, tanto para o governo japonês quanto para fundos de investimentos, era mais vantajoso se endividar na moeda local e depois lucrar com investimentos no exterior. Tanto que o Japão é o país estrangeiro que mais detém títulos públicos dos EUA em 2026, saldo de US$ 1,14 trilhão.
Daí, já começamos a entender o porquê do interesse da Casa Branca em ajudar o seu parceiro asiático, já que para salvar o iene japonês sozinho, o BoJ resgataria boa parte do dinheiro aplicado na renda fixa americana, cenário que pressionaria ainda mais as taxas que já se encontram em patamares pré-crise financeira de 2008, caso dos vencimentos em 30 anos (ETF UTHY) pagando 5,20% ao ano. 
Outra fonte de preocupação dos mercados globais é a nova política da premiê Sanae Takaichi, que quer a todo custo repatriar recursos japoneses aplicados no exterior. Só o Government Pension Investment Fund (GPIF), o maior fundo de pensão do mundo e que é japonês, possui quase US$ 1 trilhão aplicados em ativos globais, incluindo investimentos na bolsa de valores brasileira.
O desmonte do "carry trade" japonês tende a intensificar a fuga do capital estrangeiro da B3 (B3SA3), dado que os grandes investidores institucionais não terão mais o iene japonês barato para financiar o seu apetite a risco, quer seja no Tesouro Direto ou diretamente nas Ações Brasileiras, por exemplo.