Embraer (EMBJ3): Lucro tomba 51,5% no 1T26, apesar de operacional forte

O resultado foi afetado por ajustes na forma com que os impostos são registrados no balanço.

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Publicado em 08/05/2026 às 10:16h Publicado em 08/05/2026 às 10:16h por Marina Barbosa
Embraer manteve guidance para 2026, apesar de queda no lucro (Imagem: Divulgação)
Embraer manteve guidance para 2026, apesar de queda no lucro (Imagem: Divulgação)
A Embraer (EMBJ3) apresentou dados operacionais fortes, mas um lucro 51,5% menor no primeiro trimestre de 2026.
A companhia registrou um lucro líquido ajustado de R$ 145,4 milhões no trimestre, um baque significativo em relação ao resultado de R$ 299,9 milhões registrado no mesmo período do ano passado.
Com isso, o lucro líquido por ação também caiu pela metade, passando de R$ 0,5909 para R$ 0,2429 por ação entre os primeiros trimestres de 2025 e 2026.
Na comparação com o quarto trimestre de 2025 o tombo foi ainda maior: -72% e -60%, respectivamente.
No balanço, a Embraer alegou que a diferença se deve a uma mudança no cálculo dos itens extraordinários que afetam os seus resultados, sobretudo os impostos.
"A companhia decidiu, a partir de 2026, deixar de classificar os impostos diferidos como item extraordinário pois seu impacto a longo prazo é próximo de zero e, consequentemente, ajustou os resultados comparáveis de 2025 apresentados para uma comparação justa", afirmou.

Operacional avança

A Embraer ressaltou ainda que o seu desempenho operacional seguiu em alta no primeiro trimestre de 2026.
A companhia entregou 44 aeronaves e encerrou o trimestre com uma carteira de pedidos recorde de US$ 32,1 bilhões.
A receita consolidada também registrou uma nova máxima histórica para o primeiro trimestre, ao crescer 18% em relação ao mesmo período do ano passado e alcançar R$ 7,6 bilhões.
De acordo com a Embraer, todas as suas unidades de negócio tiveram um bom desempenho, dada a maior procura por suas aeronaves, mas também por ajustes de preços e mix de produtos.
A receita do segmento de defesa e segurança, por exemplo, saltou 47%. Já o da aviação comercial cresceu 32% e o da aviação executiva subiu 17%. A companhia ainda cresceu 4% em serviços e suporte.
Com isso, o Ebitda também cresceu 18% em relação ao primeiro trimestre de 2026, chegando a R$ 749,4 milhões.
Porém, as margens da aviação comercial e da aviação executiva diminuíram, afetadas pelo mix de clientes, por maiores custos logísticos e também pelas tarifas dos Estados Unidos.
Já na comparação com o quarto trimestre de 2025, a receita consolidada, o Ebitda e as margens da Embraer recuaram.

Guidance mantido

Diante desse cenário, a Embraer reafirmou as suas projeções para 2026 ao apresentar os resultados do primeiro trimestre.
A companhia pretende entregar de 80 a 85 aeronaves no segmento comercial e de 160 a 170 jatos executivos ao longo deste ano.
Com isso, projeta uma receita de US$ 8,2 a US$ 8,5 bilhões e uma margem EBIT ajustada 8,7% e 9,3% para 2026, considerando os efeitos das tarifas de 10% dos Estados Unidos e um fluxo de caixa livre ajustado de ao menos US$ 200 milhões no ano.
As estimativas não consideram o desempenho da sua subsidiária de empresa de mobilidade aérea urbana, a Eve Air Mobility (EVEB31), que também ficou no vermelho no primeiro trimestre devido aos investimentos exigidos pelo desenvolvimento do seu carro voador.