Banco Central corta Selic em 0,25 ponto e juros vão a 14,5%

Decisão ocorre na ‘Super Quarta’ com Fed mantendo taxas nos EUA

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Publicado em 29/04/2026 às 18:42h Publicado em 29/04/2026 às 18:42h por Wesley Santana
Selic perdeu meio ponto desde o pico de 15% no começo do ano (Imagem: Shutterstuck)
Selic perdeu meio ponto desde o pico de 15% no começo do ano (Imagem: Shutterstuck)

Em decisão publicada na noite desta quarta-feira (29), o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu cortar a Selic em 0,25 ponto percentual. Com isso, a taxa básica de juros fica em 14,50% pelo menos até a próxima reunião, marcada para junho.

O novo patamar já era esperado pelo mercado, que aposta em reduções menos bruscas desde o início da guerra no Irã. A maioria dos diretores presentes na reunião -que aconteceu entre terça e quarta- votou pelo corte nessa proporção.

Os diretores do BC destacaram a incerteza em relação ao ambiente externo, puxado pela crise da guerra no Irã. Diante disso, entendem que o cenário exige cautela, por isso optaram por unanimidade conduzir um corte mais tímido. 

“O Comitê considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil. Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados”, diz o comunicado.

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A reunião deste mês teve um ingrediente diferente, que foi o número de componentes do Copom. Apenas seis diretores da autarquia estavam presentes, já que um deles pediu licença por falecimento de familiar, e outras duas cadeiras ainda estão vagas desde que os antigos diretores deixaram o corpo diretivo.

As reuniões do Copom são realizadas a cada 45 dias, quando os diretores decidem o movimento da taxa de juros. No começo do ano, o indicador chegou ao patamar de 15% ao ano, um dos maiores dos últimos anos.

Super Quarta

O Brasil não foi o único país que decidiu pelo novo patamar de juros nesta quarta. Durante a tarde, o Fed (Federal Reserve) manteve a taxa de juros dos EUA no intervalo entre 3,50% e 3,75%.

A decisão foi quase unânime entre os governadores do Banco Central, exceto pelo voto de Stephen Miran, indicado por Trump, que divergiu dos colegas. O comunicado do órgão chamou a atenção para uma inflação persistente, que pode ficar acima da meta de 2% em 2026.

"Os desdobramentos no Oriente Médio estão contribuindo para um alto nível de incerteza sobre as perspectivas econômicas. O Comitê está atento aos riscos", diz o texto divulgado pelo comitê norte-americano.