Pressionada pela disparada do petróleo, a
Azul (AZUL3) vai tomar até R$ 2 bilhões em crédito para pagar combustível.
O financiamento terá garantia da União e será utilizado exclusivamente no pagamento do combustível utilizado nos voos regulares da Azul dentro do país. Ou seja, não garante o abastecimento de voos internacionais.
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A operação foi anunciada neste sábado (24), logo depois da cotação internacional do petróleo tocar na máxima dos últimos seis meses em meio ao conflito no Oriente Médio.
O
petróleo do tipo Brent subiu mais de 6% na última semana e chegou a tocar em US$ 117 o barril, o maior valor desde abril. Com isso, já acumula uma alta de 19% em outubro.
A disparada deve se refletir nos preços do querosene de aviação, que são reajustados mensalmente pela
Petrobras (PETR4) no Brasil e já subiram cerca de 70% desde o início da guerra no Oriente Médio.
O que diz a Azul?
Em comunicado, a Azul disse que a operação de crédito fortalece a sua posição de liquidez e proporciona "flexibilidade financeira adicional para atuar no atual cenário de volatilidade nos preços dos combustíveis".
"Este financiamento está alinhado à estratégia de longo prazo da Companhia e foi contemplado como parte de seu plano de reestruturação", afirmou.
Em entrevista à "Reuters", o diretor financeiro da Azul, Antônio Carlos Garcia, explicou nesta semana que a alta do querosene de aviação continua pressionando as margens da companhia, mesmo após a saída da recuperação judicial.
Para tentar lidar com esses preços, a companhia já havia elevado as tarifas cobradas aos consumidores e reduzido a sua capacidade em mais de 10% no segundo trimestre de 2026.
A
Gol também cortou voos domésticos e internacionais recentemente, alegando que o querosene de aviação representa 40% dos custos operacionais da Gol e quase dobrou de preço nos últimos meses.
Medidas do governo
No início da guerra no Oriente Médio, o governo federal anunciou medidas voltadas às companhias aéreas, como a oferta de crédito e a redução dos impostos que incidem sobre o querosene de aviação. Já a Petrobras concordou em parcelar o reajuste do combustível.
No caso do financiamento anunciado neste sábado (24) pela Azul, o risco de crédito foi garantido pela União por meio da ABGF (Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias), com recursos do FGE (Fundo de Garantia à Exportação).