A ata do Copom (Comitê de Política Monetária) deixou em aberto o rumo da taxa básica de juros da economia brasileira.
Segundo o Copom, a magnitude e a duração do atual ciclo de cortes de juros serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises.
Na ata, o Comitê explicou que o cenário traz sinais divergentes e incertezas adicionais sobre o rumo da
inflação. Por isso, demanda cautela e serenidade na condução da política monetária.
"Essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual a duração e extensão dos conflitos geopolíticos, assim como sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços, dificultam a identificação de tendências claras", explicou.
Os riscos de alta e baixa da inflação
📊 De um lado, o Copom avalia que os juros altos têm pesado sobre a atividade econômica, o que permitiria a continuidade dos cortes da Selic.
Do outro, lembra que a resiliência do mercado de trabalho e a política fiscal podem sustentar a inflação e, assim, exigir a manutenção de uma política monetária contracionista.
Não bastasse isso, o cenário ficou ainda mais incerto diante dos conflitos no Oriente Médio.
O Copom lembrou que as expectativas de inflação voltaram a subir após o início da guerra, permanecendo acima da meta de inflação em todos os horizontes. E observou que os últimos dados de inflação já "mostraram sinais claros de efeitos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, situando-se em valores significativamente acima dos inicialmente esperados".
Balanço de riscos ainda simétrico
💲 Diante disso, o Copom chegou a debater uma revisão do seu balanço de riscos, mas optou por manter um balanço simétrico, com riscos de alta e de baixa da inflação.
A avaliação é de que, por um lado, "a demora na resolução do conflito no Oriente Médio, com informações incompletas e contraditórias, aumenta a probabilidade de impactos mais duradouros para as cadeias de produção e distribuição".
Por outro lado, há a possibilidade de que "a duração do conflito até esse momento pode ter sido suficiente para materializar alguns riscos, sendo o mais evidente a desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028".
Os recados e a decisão do Copom
Na dúvida do que vem pela frente, o Copom reafirmou o compromisso em combater os efeitos inflacionários trazidos pelo choque do petróleo, mas pregou "serenidade para reunir mais informações ao longo do tempo, em cenário de incerteza elevada".
O Copom também lembrou que, "em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado". Ou seja, juros maiores e por mais tempo.
Ainda assim, decidiu cortar a Selic na última quarta-feira (29) por entender que esses eventos recentes não impediriam o prosseguimento do ciclo de cortes de juros e deixou a porta aberta para novos cortes.
Segundo a ata, a manutenção de juros altos por um período prolongado "propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo e extensão dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta".
O que espera o mercado?
Diante disso, a avaliação do mercado é de que o Copom vai continuar reduzindo a taxa Selic nos próximos meses, mas de forma cautelosa.
De acordo com o Boletim Focus, o consenso é de um novo corte de 0,25 ponto percentual em junho, além de outros ajustes no segundo semestre, de forma que a taxa básica de juros termine o ano em 13,00%.
Porém, casas como a XP e a Ativa Investimentos veem espaço para um corte mais agressivo em junho.
A Ativa argumenta que, se reduziu os juros em 0,25 ponto percentual nesse cenário, o Copom poderia fazer um corte de 0,50 ponto percentual caso haja uma melhora da situação no Oriente Médio.
Já a XP observou que a ata do Copom mantém aberta uma pequena possibilidade de pausa ou aceleração na próxima reunião.
Por isso, a casa mantém a projeção de um corte de 0,50 ponto percentual, mas admite que a probabilidade de ajuste mais gradual aumentou, dada a piora do cenário de inflação.
A XP, por sinal, antecipa juros de 13,50% ao final do ano -uma projeção mais cautelosa que o consenso de mercado exibido pelo Focus.