Assaí (ASAI3) já sente melhora nas vendas após o fim das bets

Segundo o atacadista, o consumo deu sinais de reação no início do quarto trimestre de 2026.

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Publicado em 16/10/2026 às 19:02h Publicado em 16/10/2026 às 19:02h por Marina Barbosa
Expectativa do varejo é de que parte do dinheiro que ia para bets vá para o comércio (Imagem: Shutterstock)
Expectativa do varejo é de que parte do dinheiro que ia para bets vá para o comércio (Imagem: Shutterstock)
A proibição das bets parece já estar surtindo um efeito positivo no varejo brasileiro. Ao menos, esta é a percepção do Assaí (ASAI3).
🛒 Em reunião com analistas do BTG Pactual, a diretoria do Assaí disse estar vendo sinais de melhora nas vendas neste início do quarto trimestre, especialmente em cidades do interior e bairros de menor renda.
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Os executivos ainda apontaram a proibição das bets como uma das possíveis explicações para esse movimento, já que as apostas online vinham comprometendo o orçamento de muitas famílias brasileiras, mas saíram do ar no Brasil justamente no início deste trimestre.
De acordo com um estudo da CNC (Confederação Nacional de Comércio), os brasileiros gastaram R$ 700 milhões com apostas online entre janeiro de 2023 e março de 2026. Com isso, cerca de 270 mil famílias acabaram entrando na inadimplência e o comércio varejista registrou uma perda de R$ 143 bilhões em vendas.
💲 Agora que as bets foram proibidas no Brasil, a expectativa do varejo é de que parte do dinheiro que vinha sendo destinado às apostas volte a circular no comércio. E supermercados como o Assaí devem ser os primeiros a sentir esse movimento, segundo o BTG.
"Caso essa tendência se mantenha, a redução dos gastos das famílias com apostas poderia oferecer um suporte adicional ao consumo de alimentos, beneficiando, possivelmente, o varejo alimentar", afirmaram os analistas do BTG, após o encontro com a diretoria do Assaí.
A melhora das vendas ocorre em um momento-chave para o varejo alimentar, já que os consumidores vinham reduzindo as compras ou optando por produtos mais baratos diante das restrições orçamentárias e da inflação persistente. O Assaí avisou, inclusive, que o terceiro trimestre, cujo balanço será liberado no dia 5 de novembro, ainda foi "desafiador".
O BTG lembrou, no entanto, que uma recuperação consistente do consumo também depende de outros fatores, como a melhora no poder de compra da população brasileira e o aumento do volume de vendas.

As projeções do BTG para o Assaí

Apesar do alerta de que o terceiro trimestre ainda pode trazer dados fracos, o BTG Pactual vê espaço para uma recuperação do Assaí no longo prazo. Por isso, reiterou a recomendação de compra para as ações do atacadista.
📈 O BTG ainda revisou o preço-alvo do papel de R$ 11 ao final de 2026 para R$ 16 ao final de 2027, o que representa um potencial de valorização de 24,6% em relação ao fechamento desta sexta-feira (16).
Em relatório divulgado em 13 de outubro, após a reunião com a diretoria do Assaí, o BTG disse que a projeção se baseia em três pilares principais:
  • uma recuperação gradual nas vendas nas mesmas lojas, sustentada por uma maior acessibilidade financeira, pela possível redução de gastos com apostas e por ganhos contínuos de participação de mercado; 
  • margens EBITDA resilientes, com suporte adicional proveniente da maturação das lojas, iniciativas de produtividade e novas fontes de receita, como as recentes investidas do Assaí no ramo de farmácias e postos de combustíveis;
  • um processo contínuo de desalavancagem, no qual a possível queda das taxas de juros deve se traduzir em um fluxo de caixa livre mais robusto e no crescimento do lucro líquido. 
Dessa forma, o BTG acredita que o Assaí representa "uma das formas mais interessantes de obter exposição a uma eventual melhora no cenário macroeconômico doméstico brasileiro" na B3.
Vale ressaltar, porém, que o atacadista também é apontado por analistas como uma das empresas mais afetadas pelo fim da escala 6x1 na Bolsa.