Ameaça para a B3? Bolsa de Londres tenta atrair empresas brasileiras

A LSEG enviou o seu CEO a São Paulo para se apresentar como uma alternativa às companhias brasileiras.

Author
Publicado em 22/09/2026 às 15:12h Publicado em 22/09/2026 às 15:12h por Marina Barbosa
Cerca de 37% das empresas listadas na Bolsa de Londres não são do Reino Unido (Imagem: Shutterstock)
Cerca de 37% das empresas listadas na Bolsa de Londres não são do Reino Unido (Imagem: Shutterstock)
A Bolsa de Londres está atenta ao número crescente de empresas brasileiras que decidem listar as suas ações no exterior. Por isso, decidiu se colocar como uma alternativa para essas companhias.
✈️ O CEO da LSEG (London Stock Exchange Group), David Schwimmer, esteve em São Paulo nos últimos dias para apresentar as oportunidades existentes na Bolsa de Londres para empresários, investidores e bancos brasileiros.
Após uma reunião com o setor de tecnologia, ele disse nas redes sociais que foi um prazer compartilhar a sua perspectiva sobre como a LSEG pode apoiar as ambições de crescimento dessas companhias.
"À medida que as empresas brasileiras ganham escala, amplia-se a gama de opções de financiamento e liquidez disponíveis para elas. Seja no mercado privado ou público, local ou internacional, o acesso ao capital continua sendo essencial para a inovação e o crescimento", afirmou.
"David veio apresentar os argumentos que posicionam Londres nesse mapa", reforçou Amy Barklam, cônsul-geral britânica em São Paulo e comissária de comércio da majestade britânica para a América Latina e o Caribe, que intermediou a reunião.

A bolsa mais internacional do mundo

🗺️ A Bolsa de Londres é reconhecida pela sua internacionalização. Cerca de 37% das empresas listadas na London Stock Exchange não são do Reino Unido. Por isso, a bolsa já conta com empresas de 82 países diferentes.
A cônsul-geral britânica disse, então, que "a base de investidores local está acostumada a apoiar empresas em fase de crescimento de todas as partes do mundo e a avaliá-las com base em seus fundamentos". 
Em entrevista ao "Valor Econômico", o CEO da LSEG acrescentou que isso permite que mesmo empresas de médio porte, que poderiam passar despercebidas no mercado americano, entrem no radar dos investidores europeus.
"O Brasil tem ótimas empresas, mas se a companhia não for gigante, e vier de fora dos Estados Unidos, é muito difícil atrair a atenção do mercado americano", alegou.
Eles observaram ainda que abrir capital em Londres é mais barato que em locais como os Estados Unidos e contaram que a LSEG também pode ajudar empresas de capital fechado a captar recursos. 
Ao "Valor Econômico", David Schwimmer garantiu que já há algumas empresas brasileiras de olho nas oportunidades existentes em Londres.
A Meridian Mining, que explora ouro e cobre no Mato Grosso, por exemplo, listou suas ações na Bolsa de Londres em maio deste ano.

Do Brasil para o exterior

📈 O movimento da LSEG ocorre depois que uma série de empresas brasileiras decidiu listar ou transferir suas ações para as bolsas americanas.
Nubank (ROXO34), XP (XPBR31) e Inter (INBR32), por exemplo, optaram por abrir capital nos Estados Unidos e não no Brasil. Neste ano, PicPay (PICS) e Agibank (AGBK) seguiram o mesmo caminho. Já a JBS (JBSS32) trocou a B3 pela Nyse, passando a ter BDRs em negociação no Brasil. 
Diante disso e da escassez de novos IPOs, a B3 decidiu atualizar a metodologia do Ibovespa para permitir a inclusão de BDRs de empresas brasileiras na carteira do índice.
De acordo com a B3, a mudança busca preservar a relevância e representatividade do Ibovespa diante das transformações do mercado de capitais e entrará em vigor em 2027.

Parceira da A5X

Não é só atraindo empresas brasileiras que a LSEG pretende ampliar a sua relação com o Brasil.
O grupo também oferece serviços de dados, análises e inteligência de risco para o mercado. Além disso, é parceira da A5X, que está avançando com o plano de abrir uma bolsa de derivativos no Brasil e, assim, concorrer com a B3.
A LSEG vai fornecer tecnologias de infraestrutura de mercado para a A5X, que recentemente também recebeu investimentos da XP e de três bancos americanos: Morgan Stanley, Goldman Sachs e Kaszek.