84,5 milhões dos brasileiros não planejam entrar no mercado financeiro em 2026, diz Anbima

A fatia da população que consegue economizar subiu de 27% para 33%.

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Publicado em 23/04/2026 às 11:29h Publicado em 23/04/2026 às 11:29h por Elanny Vlaxio
Nos últimos cinco anos, porém, o hábito de poupar ganhou força (Imagem: Shutterstock)
Nos últimos cinco anos, porém, o hábito de poupar ganhou força (Imagem: Shutterstock)
O retrato mais recente do investidor brasileiro revela um movimento em duas direções. Enquanto cresce o número de pessoas que conseguem guardar dinheiro, o acesso aos investimentos ainda permanece restrito. 
Hoje, 36% da população, cerca de 60,6 milhões de brasileiros, já aplicam em algum produto financeiro. Do outro lado, 64% seguem fora desse universo, o equivalente a 107,7 milhões de pessoas, segundo dados da 9ª edição do Raio-X do Investidor, pesquisa da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
Nos últimos cinco anos, o hábito de poupar ganhou força. A fatia da população que consegue economizar subiu de 27% para 33%, e o percentual de brasileiros que investiram ao longo de 2025 chegou a 24%, o maior nível já registrado. 
Mas esse avanço ainda não se traduz, na mesma intensidade, em diversificação financeira. Entre os que investiram, apenas 10% optaram por produtos financeiros, enquanto 9% direcionaram recursos para imóveis ou bens e 4% para negócios. A desigualdade também se impõe já que 42% da classe A e B investem, contra apenas 12% nas classes D e E. 

O freio nas decisões

A dificuldade financeira continua sendo o principal freio. Entre os 55% da população que não conseguem poupar, 82% apontam limitações econômicas como motivo, sendo que 67% afirmam não ter recursos suficientes. 
Esse cenário ajuda a explicar a resistência à entrada no mercado, visto que, cerca de 84,5 milhões de brasileiros dizem não ter intenção de investir em produtos financeiros em 2026, mantendo elevada a distância entre a população e o mundo dos investimentos.
Ainda assim, cerca de 23,2 milhões de não investidores afirmam que pretendem começar a investir em 2026, enquanto 14,5 milhões cogitam sair do mercado. Com isso, o saldo potencial é positivo, com a possibilidade de entrada líquida de 8,7 milhões de novos investidores.