Como fazer o dinheiro trabalhar para você?
Publicado em 31/03/2024
O método Bazin, desenvolvido por Décio Bazin, é uma estratégia de investimento voltada para a geração de renda passiva por meio de dividendos.
Popularizado no livro Faça Fortuna com Ações Antes que Seja Tarde, o modelo parte de um princípio simples: investir em empresas sólidas que distribuem lucros de forma consistente ao longo do tempo.
Na prática, o método Bazin se concentra menos na valorização rápida das ações e mais na previsibilidade dos pagamentos.
Um dos principais pontos de avaliação é o dividend yield, indicador que mede o retorno em dividendos em relação ao preço da ação.
Dentro da lógica de Bazin, busca-se um rendimento atrativo, tradicionalmente acima da média do mercado, como forma de garantir fluxo de caixa ao investidor.
No entanto, esse número isolado não é suficiente, já que rendimentos muito altos podem indicar problemas estruturais na empresa.
Não obstante, o método Bazin busca mesclar duas formas de análise de ações. Inclusive, fazendo uso de ferramentas da análise fundamentalista.
Em relação ao método Bazin, criado por Décio Bazin, é importante, antes de qualquer coisa, explicar um pouco a respeito de um dos maiores nomes do mercado financeiro brasileiro.
Décio nasceu na década de 30 e se formou em contabilidade nos anos 50. Depois, a partir dos anos 60 começou a atuar como corretor de investimentos e também a investir.
Ao longo dos anos, ele acumulou muita experiência dentro do mercado financeiro, o fazendo se tornar um dos grandes nomes do meio, desenvolvendo uma metodologia própria.
De forma geral, o que Décio pregava era sobre como ser capaz de encontrar as melhores ações de empresas para investir a longo prazo, comprando-as pelo preço justo.
A sua formulação a respeito de como se encontrava esse preço justo ele fez no seu primeiro livro, intitulado “Faça fortuna com ações antes que seja tarde demais”.
Neste livro, Décio Bazin compartilhava o Método Bazin de investimentos. Essa obra teve um grande impacto no cenário de investimentos brasileiro, sendo endossada até por Luiz Barsi, o maior investidor da bolsa de valores brasileira.
Mas o que é o tal preço justo, cujo Método Bazin promete ser uma ferramenta eficiente para definir?
Essa é uma pergunta com uma resposta bastante variável. Para começo de conversa, o preço de uma ação que é considerada justa, pode não ser o mesmo de um analista para o outro.
Isso por causa de diferentes critérios de avaliação. Sim, existem muitos critérios que podem ser usados para avaliar se uma ação está cara ou barata.
Agora vamos falar especificamente sobre como descobrir o valor justo de uma ação. Para fazer isso, vamos falar um pouco sobre 3 métodos muito conhecidos e usados.
1. Cálculo do valor justo pelo método do fluxo de caixa descontado
O cálculo do valor pelo fluxo de caixa descontado é um método conhecido que tenta prever as probabilidades de um possível fluxo de caixa futuro.
O foco são os lucros e a estimativa de fortuna que uma empresa qualquer terá. Em suma, trata-se fundamental do investimento em empresas com maiores chances de crescer.
Alguma similaridade que pode ser traçada com o Método Bazin, é o fato de que o FDC também considera fatores menos técnicos, como a análise de riscos.
2. Preço justo com valuation por múltiplos de mercado
Descobrir o preço justo de uma ação pelo valuation por múltiplos de mercado só é possível por meio de comparação entre indicadores de empresas parecidas de um segmento.
O cálculo também pode ser feito com indicadores diferentes, contanto que sejam dentro da mesma empresa.
A questão é que esse método não é exatamente o mais confiável. A razão disso é que ele pode apresentar ganhos ou perdas não recorrentes, o que, por sua vez, pode levar a uma interpretação equivocada da real situação do negócio.
A sua adoção pelos investidores ocorre em razão de ele ser uma técnica que é facilmente aplicada, possuindo fórmulas de uso facilitado.
Sendo bastante diferente do Método Bazin. Os múltiplos utilizados são:
3. Fórmula de Benjamin Graham para cálculo do valor justo
Quando falamos em investimentos em ações ou simplesmente no mercado financeiro, um nome que sempre vem à tona é o de Benjamin Graham.
Muito conhecido por sua fórmula. Esta fórmula, que se tornou muito popular e é usada até hoje por diversos investidores para calcular o preço justo de uma ação, se dá da seguinte forma: VI = √ (22,5 x LPA x VPA) Sendo:
VI: Valor Justo de uma Ação, a ser encontrado;
22,5: Constante encontrada por Graham;
LPA: Lucro por ação;
VPA: Valor patrimonial da ação.
Vale ressaltar que uma das razões para essa fórmula ser tão popular, é o fato de que, assim como o valuation por múltiplos de mercado, ela é facilmente aplicável.
Entretanto, é importante mencionar o principal defeito e razão de crítica dessa fórmula, que é o fato de que ela se limita apenas a empresas com lucros constantes.
Para conferir um ranking com as ações mais descontadas da bolsa, segundo a fórmula de Graham, clique aqui.
O cálculo de Bazin é utilizado para estimar o preço justo de uma ação com base nos dividendos, seguindo a lógica do investidor Décio Bazin.
A ideia central é simples: determinar quanto uma ação deveria valer para entregar um retorno mínimo desejado em forma de dividendos.
Diferente de métodos mais complexos de valuation, o modelo de Bazin parte de uma relação direta entre dividendos pagos e rentabilidade esperada, o que o torna bastante objetivo e popular entre investidores focados em renda passiva.
A fórmula mais utilizada é:
P= D/Y
Onde:
P = preço justo da ação
D = dividendos por ação (geralmente anual)
Y = dividend yield desejado (em formato decimal)
Empresas que seguem o método Bazin precisam demonstrar consistência ao longo dos anos, mantendo ou aumentando seus repasses mesmo em cenários econômicos adversos.
Esse comportamento reforça a previsibilidade do investimento e reduz riscos associados a cortes inesperados.
Além disso, a solidez financeira da empresa é um fator determinante. Negócios com baixo nível de endividamento e geração de caixa estável tendem a sustentar melhor suas políticas de dividendos.
Setores mais previsíveis, como energia, bancos e saneamento, costumam aparecer com frequência nesse tipo de análise justamente por apresentarem menor volatilidade operacional.
O preço da ação também entra como elemento estratégico. O método Bazin não ignora valuation, ainda que de forma mais simplificada.
A lógica é buscar ativos que estejam sendo negociados a preços atrativos, o que aumenta o dividend yield e melhora o retorno sobre o investimento no longo prazo.
A estratégia pode deixar de fora empresas em crescimento e exige atenção para evitar armadilhas de dividendos, quando altos rendimentos mascaram problemas mais profundos.
Dessa forma, o investidor consegue equilibrar geração de renda com potencial de valorização, construindo uma carteira mais robusta e sustentável ao longo do tempo, respeitando o preço justo a se pagar.
Vamos então começar a falar sobre como usar na prática o Método Bazin para descobrir o preço justo de uma ação.
No geral, o método analisa métricas quantitativas. Isso significa que ele dá prioridade para múltiplos de investimentos e outros dados no momento da filtragem.
Em contrapartida, há um dado qualitativo importante: as notícias. Vamos falar um pouco mais a fundo sobre isso.
Em todo caso, veja agora os 5 principais fundamentos pregados pelo método Bazin para descobrir o preço justo de uma ação:
1. Liquidez
Em primeiro lugar, o MétodoBazin recomenda que o investidor opte apenas pelas empresas que sejam bem negociadas na bolsa, o que automaticamente exclui empresas menores.
A razão disso se deve ao fato de que Bazin gostava de ter uma carteira de investimentos com um alto nível de giro, o que significa trocar os papéis sempre que necessário.
2. Cash Yield
O segundo fundamento é considerado por muitos como o mais importante do Método Bazin, sendo imprescindível para escolher boas pagadoras de dividendos.
No caso, ao investir em uma empresa, o investidor deve apenas considerar as empresas que com um dividend yield dolarizado na casa de 6% ao ano nos últimos 3 pagamentos.
Para fazer esse cálculo, por sua vez, basta pegar o último dividendo pago, convertido para dólar na data do pagamento, e dividir pelo preço atual da ação, também convertido em dólar.
Lembre-se que a proporção de 6% não foi escolhida de forma arbitrária. Na realidade, ela é fruto de sua época, do tempo que Bazin vivia, no qual o mundo vivia com juros mais altos.
Tratava-se, então, de uma convenção de que esse valor era o mínimo que um investimento variável deveria pagar para que se considerasse um bom investimento.
3. Notícias
Em relação ao fator qualitativo mencionado das notícias, o MétodoBazin defende explicitamente que qualquer notícia ruim sobre a empresa deve ser vista como alerta.
Na realidade, ele diz que se a empresa for alvo de notícias ruins, sejam verdadeiras ou não, ou mesmo se os seus sócios foram vítimas, a recomendação é a venda imediata.
A razão disso é porque se torna muito difícil prever como isso pode afetar o desempenho da empresa a curto, médio e longo prazo.
4. Endividamento
O Método Bazin também possui uma grande preocupação com o endividamento das empresas.
Esse é um dos seus fundamentos, prezar por um “endividamento moderado”.
Em contrapartida, vale esclarecer que Bazin não especificamente com exatidão, seja por meio de múltiplo ou indicador, qual seria o nível de endividamento adequado.
5. Rebalanceamentos
Por fim, o quinto fundamento do MétodoBazin para calcular o preço justo de uma ação, é o rebalanceamento semestral da carteira de ações, feito por meio dos filtros anteriores.
Bazin estipula que se uma determinada empresa passar dois semestres seguidos com o dividendyield abaixo de 6%aoano, ela deve ser vendida sumariamente.
Inclusive, Décio ainda diz que os melhores meses para fazer essa reciclagem da carteira são os meses de Abril e Outubro, pois a maioria das empresas já encerrou o pagamento de dividendos.
No método Bazin, o preço-teto representa o valor máximo que o investidor deveria pagar por uma ação para obter um retorno mínimo desejado em dividendos.
A lógica é simples: quanto maior o preço pago pelo ativo, menor tende a ser o dividend yield. Por isso, o cálculo serve como um filtro para identificar se a ação está barata, cara ou em uma faixa aceitável para quem busca renda passiva.
A fórmula mais conhecida do método Bazin consiste em dividir o dividendo por ação pela taxa mínima de retorno esperada. Em geral, utiliza-se como referência um yield de 6% ao ano, que se tornou um parâmetro clássico dentro dessa estratégia.
Assim, o cálculo fica:
Preço-teto = Dividendos por ação / 0,06
Na prática, isso significa que, se uma empresa pagou R$ 3,00 por ação em dividendos no período analisado, o preço-teto seria de R$ 50,00.
Nesse cenário, o preço-teto funciona como um guia prático para avaliar se uma ação está alinhada com a rentabilidade esperada dentro do método Bazin, especialmente para investidores que priorizam geração de renda passiva.
Indica o valor máximo a pagar para buscar cerca de 6% ao ano em dividendos
Abaixo do preço-teto: ação pode estar mais atrativa
Acima do preço-teto: retorno tende a ser menor
Pode usar dividendos dos últimos 12 meses
Ou média dos últimos 5 anos para maior consistência
Por isso, embora seja uma métrica simples, o preço-teto ganha mais força quando combinado com uma análise mais ampla da empresa e da qualidade dos seus dividendos.
Apesar da simplicidade, o preço-teto não deve ser interpretado de forma isolada.
Uma ação pode parecer barata pelo método Bazin e, ainda assim, apresentar lucros instáveis, endividamento elevado ou risco de redução de dividendos no futuro.
Por isso, o ideal é usar o cálculo como ponto de partida, e não como critério único de decisão.
O melhor método vai depender principalmente do objetivo do investidor, do seu perfil de risco e do tipo de retorno que ele busca no mercado. Não existe uma resposta única, porque Décio Bazin e Benjamin Graham partem de lógicas diferentes para selecionar ações.
Enquanto o método Bazin é voltado para a geração de renda passiva por meio de dividendos, o método de Graham foca na compra de ações abaixo do valor intrínseco, buscando valorização no longo prazo com margem de segurança.
O método Bazin prioriza empresas que pagam dividendos altos e consistentes
O método Graham busca ações subavaliadas com base em fundamentos e valor justo
Bazin olha mais para fluxo de renda recorrente
Graham foca na diferença entre preço e valor (valuation)
No geral, não se trata de escolher um método “melhor”, mas sim o mais adequado para a estratégia individual.
Muitos investidores, inclusive, combinam elementos dos dois modelos para construir uma carteira mais equilibrada, unindo geração de renda com potencial de valorização.
Para entender o método Bazin e como calcular o preço justo de uma ação, é fundamental compreender primeiro o que é uma ação e quais fatores impactam seu valor no mercado.
Uma ação representa uma pequena fração de uma empresa. Ao adquirir ações, o investidor passa a ter participação no negócio, o que garante alguns direitos, como receber parte dos lucros distribuídos e, em alguns casos, participar de decisões em assembleias.
Nesse contexto, existem dois perfis principais de investidores:
De um lado, estão aqueles que buscam renda passiva por meio de dividendos, estratégia alinhada ao pensamento de Décio Bazin.
Do outro lado, estão os investidores focados na valorização das ações, que compram com o objetivo de vender no futuro por um preço mais alto.
Essa distinção é essencial, porque influencia diretamente a forma como o preço justo de uma ação é analisado.
Ações representam participação em uma empresa
Podem gerar renda por meio de dividendos
Também podem se valorizar ao longo do tempo
O perfil do investidor influencia a análise do ativo
O valor de uma ação, por sua vez, é definido pelo mercado e pode variar constantemente. Essas oscilações acontecem porque o preço reflete não apenas os resultados atuais da empresa, mas também as expectativas em relação ao futuro.
Diversos fatores influenciam esse valor.
A qualidade da gestão é um dos principais, já que empresas bem administradas tendem a apresentar resultados mais consistentes.
O cenário econômico também exerce forte impacto, com variáveis como juros, inflação e crescimento afetando diretamente o comportamento do mercado.
É justamente nesse ponto que entra o método Bazin: ao focar nos dividendos e na previsibilidade dos pagamentos, ele busca filtrar essas variáveis para identificar oportunidades mais seguras dentro de uma estratégia de renda passiva.
O Método Bazin funciona dentro do processo de calcular o preço justo de uma ação, pode ser interessante saber se o método possui eficácia de fato.
No entanto, qualquer metodologia de investimentos pode auferir resultados, já que existem muitos fatores incontroláveis e imprevisíveis.
Em todo caso, de acordo com algumas estimativas feitas por investidores, caso alguém tivesse aplicado 10 mil reais usando o método em 1996, essa pessoa teria no ano de 2020 algo em torno de 1,4 milhões de reais corrigidos pela inflação.
Em 24 anos ela teria se tornado milionária por ter comprado ações no preço justo. Trata-se de um resultado maior do que o Ibovespa.
No caso, estima-se que o método traria um retorno 10% maior em retorno composto do que o índice da bolsa brasileira.
Curiosamente, apesar de o resultado do método entregar uma carteira mais concentrada, as suas métricas de risco acabaram sendo semelhantes ao mais importante índice da B3.
Em especial se forem feitas as análises de dados como “Desvio Padrão”, “Worst Drawdown” e “Pior Queda”.
Isso sem contar o ótimo pagamento de dividendos obtidos com a carteira. Em média, teriam sido gerados anualmente por volta de 7,5% em dividendos.
Um retorno bastante atraente para quem quer razões para usar o método Bazin para investir. Para ver um ranking com as ações mais rentáveis da bolsa, segundo o método de Bazin, clique aqui.
Em resumo, o método Bazin, popularizado por Décio Bazin, oferece uma abordagem simples e prática para avaliar ações com foco em renda passiva, utilizando os dividendos como principal referência para definir o preço justo.
Ao calcular o preço-teto com base no retorno desejado, o investidor consegue identificar se uma ação está cara ou barata dentro da estratégia, priorizando empresas sólidas e consistentes no pagamento de proventos.
Ainda assim, o método se torna mais eficiente quando combinado com uma análise mais ampla dos fundamentos da empresa e do cenário econômico, permitindo decisões mais seguras e alinhadas aos objetivos de longo prazo.
Se você quer investir com mais segurança e tomar decisões mais inteligentes, vale a pena contar com ferramentas que facilitam a análise e o acompanhamento do mercado.
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