📈 O resultado do primeiro turno das eleições, considerado a maior vitória da direita desde a redemocratização, em 1989, provocou uma reação explosiva no mercado nesta segunda-feira (5).
O
Ibovespa (IBOV) chegou a saltar 7% e alcançou a marca inédita de 209 mil pontos. Como era de se esperar, os bancos, que estão entre os papéis mais líquidos da bolsa e mais expostos à economia doméstica, lideraram parte desse movimento.
Por volta das 13h20, os principais bancos listados registravam as seguintes altas.
- BTG Pactual (BPAC11): R$ 83,80, alta de 26,98%
- Bradesco (BBDC4): R$ 21,68, alta de 13,68%
- Banco do Brasil (BBAS3): R$ 26,65, alta de 12,44%
- Itaú (ITUB4): R$ 49,95, alta de 11,44%
O que mais chamou a atenção foi a distância entre o BTG e os demais. A alta do banco de investimentos foi mais que o dobro da registrada pelo Banco do Brasil, estatal que, em tese, poderia sentir de forma mais direta os efeitos de uma eventual mudança de governo.
Bancos de varejo ainda enfrentam consumidor endividado
No caso dos bancos mais expostos à economia real, uma eventual vitória de
Flávio Bolsonaro (PL) poderia melhorar o ambiente econômico e reduzir os receios em torno do ciclo de crédito.
Isso, porém, não apaga o fato de que o brasileiro segue endividado. As projeções indicam um 2027 mais difícil, com juros ainda elevados e crescimento mais fraco.
Ainda assim, segundo o gestor, a definição do resultado eleitoral torna um pouco menos provável o cenário de um ciclo vicioso prolongado, que pressionaria a carteira de crédito dos bancos e a economia por vários anos.
Banco do Brasil volta ao radar da privatização
Mesmo com fundamentos de resultado ainda frágeis, o Banco do Brasil ganhou um novo componente na tese. Para o gestor, a perspectiva de um governo mais liberal na economia recoloca a privatização da instituição em discussão.
O lucro do Banco do Brasil recuou 60% nos últimos balanços, mas esse desempenho está ligado principalmente a fatores setoriais, com o
agronegócio vivendo um dos piores momentos de sua história no mercado de crédito, e não a decisões do governo federal.
O tema também apareceu na campanha de Flávio Bolsonaro. Daniella Marques, ex-assessora especial do Ministério da Economia e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, hoje integrante da campanha, foi questionada sobre privatizações durante um evento do Grupo Esfera.
💰 Segundo ela, até os Correios, que acumulam rombos bilionários, perderam a janela para serem privatizados, mas "mais de 20 estatais" poderiam entrar na mira de um eventual governo. Sobre o Banco do Brasil, afirmou que a instituição "poderia" ser privatizada, já que negocia abaixo de uma vez o seu patrimônio.