Sem Lula e Bolsonaro, o debate no Flow dá chance à Terceira Via; veja destaques

Os presidenciáveis Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) repetiram discursos de campanha.

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Publicado em 22/09/2026 às 00:39h Publicado em 22/09/2026 às 00:39h por Lucas Simões
Flow Podcast usou vídeos de Lula e Flávio Bolsonaro para questionar os presentes no debate (Imagem: Reprodução)
Flow Podcast usou vídeos de Lula e Flávio Bolsonaro para questionar os presentes no debate (Imagem: Reprodução)
Marcado pelas ausências dos presidenciáveis Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o Flow Podcast promoveu um debate com transmissão ao vivo no YouTube na noite desta segunda-feira (21), contando com as presenças dos candidatos Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). O candidato Renan Santos (Missão) também foi convidado, mas não compareceu.
Os candidatos da chamada "Terceira Via" até tiveram a oportunidade de apresentarem suas propostas à audiência, mas focaram esforços em desidratar as candidaturas de Lula e Bolsonaro, criticando desde a fuga nos debates até os supostos envolvimentos de ambos com os escândalos do Banco Master.
Um pouco mais à frente nas intenções de voto, o escritor Augusto Cury tentou reproduzir o feito positivo que teve no debate televisionado pela Band, repetindo o discurso pacificatório entre direita e esquerda. Cury abriu o debate mirando o estratégico eleitorado feminino, perguntando ao candidato Zema quais demandas lhe são prioritárias para as mulheres, citando a atual onda de feminicídios no Brasil.
"As mulheres recebem 21% a menos do que os homens exercendo os mesmos trabalhos e pagam, em média, 4% a mais de impostos do que os homens. E as mulheres negras pagam ainda mais, mesmo sendo boas pagadoras. É espantoso isso! Infelizmente, nesse país, elas não são valorizadas na estatura que merecem. Por isso, eu nomearei os dois próximos ministros do STF [Supremo Tribunal Federal], que serão mulheres", declarou Cury na réplica.

Lula e Flávio Bolsonaro são evocados

Falando sobre segurança pública, o ex-governador de Goiás teceu críticas à atual gestão petista e destacou seus próprios feitos durante os oito anos em que comandou o Poder Executivo estadual.
"Não adianta nenhuma proposta para a segurança pública se o presidente da República não se vestir como aquele que dirá à população: Vou montar a estrutura de ministério, vou fazer com que faccionado seja reconhecido como terrorista e buscarei a ampliação de penas contra covardes que agridem mulheres", declarou Caiado, citando também medidas que confisquem os bens de criminosos, com auxílio do Coaf (órgão vinculado ao Banco Central que produz e gerencia informações de inteligência financeira para fins de combate à lavagem de dinheiro).
Em seu turno, o ex-governador de Minas Gerais evocou a atual crise institucional do STF, destacando a frase escrita em sua camisa: "Os intocáveis têm medo". 
"Caiado, você está vendo aqui na minha camisa a frase: Pela primeira vez, os intocáveis têm medo. Abro mão da minha liberdade como presidente da República e acato uma lista tríplice para indicação de ministro ao STF, sendo todos altamente qualificados, para não acontecer de o presidente não colocar lá na Corte o advogado dele, ou o ministro dele.", argumentou Zema, atribuindo culpa ao governo Lula sobre a crise no STF.
Vale destacar que a produção do Flow Podcast inovou na dinâmica do debate ao utilizar material em vídeo dos candidatos faltantes, especialmente Lula e Flávio Bolsonaro, para formular mais perguntas aos candidatos presentes.
Apropriando-se de entrevista concedida pelo senador Flávio Bolsonaro em 2019, em que ele se dizia contrário à abertura de CPMI contra o STF, logo após o ministro Dias Toffoli ter anulado provas contra o parlamentar no caso da 'rachadinha', o Flow Podcast emendou com fala mais recente do parlamentar na Tribuna do Senado, defendendo abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por suposto envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Como mediador do debate, o podcaster Igor Rodrigues Coelho (Igor 3K) indagou aos candidatos qual deveria ser o critério do Senado para abrir um processo de investigação contra um ministro do STF, citando a gravidade do caso ou quem foi beneficiado pela decisão, diante dos cenários distintos em 2019 e 2026.