🌲Se o mercado brasileiro fosse uma árvore de Natal, 2025 teria galhos robustos, bem iluminados, e outros ainda frágeis, pedindo reforço antes de sustentar enfeites mais pesados.
Essa é a leitura de Lucas Uhlig, contribuidor do TC (Traders Club), ao analisar o ranking das empresas listadas com foco em Buy and Hold do Investidor10, exercício que separa qualidade estrutural de preço justo, e também expõe negócios que ainda atravessam fases delicadas.
Galhos mais fortes: Qualidade elevada, preço em debate
Entre as empresas mais bem posicionadas, aparecem companhias com excelente desempenho operacional, mas que já negociam a múltiplos elevados.
Um dos exemplos é a
WEG (WEGE3), que apresenta ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) de pouco menos de 28%, crescimento composto acima de 20% ao ano nos últimos cinco anos, mas negocia a 9 vezes o valor patrimonial (P/B) e mais de 30 vezes o lucro (P/L) estimado para 2026.
“Mesmo entregando um crescimento composto de mais de 20% ao ano nos últimos 5 anos, a ação já reflete este ‘momentum’, portanto, apesar de boa classificação no ranking, acredito que esteja muito cara”, afirma Uhlig.
💰 Outro destaque positivo é a
LOG (LOGG3), avaliada como uma combinação mais atrativa entre retorno e valuation. A companhia negocia a um P/L em torno de 7 vezes para 2026, mantém ROE consistente e oferece aos acionistas dividendos em dois dígitos elevados.
Seu modelo de negócios apresenta TIR (Taxa Interna de Retorno) acima de 20% na ampla maioria dos empreendimentos.Fechando o topo do ranking, o
BTG Pactual (BPAC11) aparece negociando a mais de 12 vezes o lucro projetado para 2026.
Embora esse múltiplo seja considerado elevado para o setor financeiro, Uhlig avalia que o prêmio se sustenta pelo histórico de crescimento, pela diversificação dos negócios e pela velocidade de execução da companhia.
Galhos mais fracos: Desafios e processos de reestruturação
🍂 Na parte inferior da árvore, a
Hidrovias do Brasil (HBSA3) ainda apresenta métricas instáveis em função do da reestrutura vivida nos últimos dois anos, marcado por restrições de navegação nos corredores Sul e Norte e por um alto nível de alavancagem.
Esse cenário levou à entrada do
Grupo Ultra (UGPA3) na estrutura societária por meio de um aumento de capital de R$ 1,2 bilhão.
“Apesar dos problemas anteriores, eu vejo que a HBSA3 irá subir no ranking, dado que os últimos dois resultados mostraram crescimento importante de Ebitda (lucro antes dos juros) e volumes”, destaca Uhlig.
Também figuram entre os últimos colocados
Oncoclínicas (ONCO3) e
Cm Hospitalar (VVEO3), reflexo dos desafios enfrentados pelo setor de saúde. No caso da ONCO3, pesaram o alto prazo de pagamento das fontes pagadoras, a concentração relevante de serviços na Unimed FERJ, absorvida pela Unimed Nacional, e um calote superior a R$ 800 milhões.
A empresa ainda perdeu cerca de R$ 250 milhões aplicados em
CDBs (Certificados de Depósito Bancário) do
Banco Master, após a liquidação da instituição pelo Banco Central. Já a Viveo realizou mais de 30 aquisições desde a abertura de capital, mas enfrentou margens operacionais baixas e contratos de retorno limitado.
O resultado foi uma relação dívida líquida/Ebitda de 4 vezes no 3T25, com despesas financeiras consumindo praticamente todo o resultado operacional. Segundo a empresa, a retomada passa por ajustes operacionais, com expectativa de voltar a lucrar apenas em 2027.
Veja o ranking da Árvore de Natal do Buy and Hold 2025:
Galhos mais fortes
WEG
- Pontuação Buy and Hold: 100
- P/L: 30,86;
- P/VP: 8,93;
- Dividend Yield: 5,14%.
LOG Properties
- Pontuação Buy and Hold: 100
- P/L: 5,22;
- P/VP: 0,52;
- Dividend Yield: 17,40%.
BTG Pactual
- Pontuação Buy and Hold: 100
- P/L: 13,47;
- P/VP: 3,01;
- Dividend Yield: 2,42%.
Galhos mais fracos
HBSA3
- Pontuação Buy and Hold: 10
- P/L: -21,59;
- P/VP: 2,14;
- Dividend Yield: 0.
ONCO3
- Pontuação Buy and Hold: 10
- P/L: -1,16;
- P/VP: 3,37;
- Dividend Yield: 0.
VVEO3
- Pontuação Buy and Hold: 20
- P/L: -0,46;
- P/VP: 0,23;
- Dividend Yield: 0.