O STF (Supremo Tribunal Federal) retirou o sigilo das investigações sobre o Banco Master, revelando mais detalhes do esquema fraudulento coordenado por Daniel Vorcaro.
🧾 De acordo com relatórios da PF (Polícia Federal), Vorcaro tocou os negócios do Master com o suporte de servidores do BC (Banco Central) e "consultoria estratégica" do escritório de advocacia da esposa de Alexandre Moraes, Viviane Barci de Moraes.
Os documentos também indicam que o banqueiro sabia da operação da PF que revelou as fraudes financeiras do Master em novembro de 2025. Por isso, tentou fugir para evitar a prisão.
Além disso, mostram que o ministro André Mendonça determinou a abertura de um inquérito para investigar a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL) no financiamento do filme Dark Horse, que vai contar a história de Jair Bolsonaro (PL) e recebeu dinheiro de Vorcaro.
O senador, que hoje concorre à presidência da República, é investigado desde julho pelos supostos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
⚖️ A retirada do sigilo do caso Master foi determinada pelo presidente do STF, Edson Fachin, na noite de quinta-feira (10), em meio a questionamentos sobre a atuação dos ministros da Suprema Corte nesse caso.
A ordem foi cumprida horas depois por André Mendonça, relator do processo. Porém, não abrange todo o inquérito.
Parte da investigação sobre o Dark Horse permanece em sigilo, por exemplo, assim como a apuração sobre o envolvimento do senador Jaques Wagner (PT) com o ex-sócio do Master, Augusto Ferreira Lima.
Em ofício a Fachin, Alexandre de Moraes reclamou de uma "escolha seletiva" por parte de André Mendonça e pediu a derrubada imediata dos outros documentos relacionados ao caso Master.
Veja mais detalhes das informações que vieram à tona com a queda do sigilo das investigações sobre o Master:
Vorcaro sabia de operação e tentou fugir
De acordo com a PF, Daniel Vorcaro sabia da operação que revelou as fraudes financeiras do Master e acabou com a prisão do banqueiro em novembro de 2025.
Nos dias que antecederam a operação, o banqueiro mencionou nomes de representantes da PF, servidores do BC e do juiz envolvido no caso no aplicativo de Notas do seu celular, o que sugere vazamento antecipado de informações.
Na véspera, trocou mensagens com servidores do BC e agendou um voo para sair do Brasil, logo após ser contactado pelo seu advogado.
Na avaliação da PF, o movimento sugere uma tentativa de fuga, "sendo improvável que sua viagem ao exterior, na noite imediatamente anterior à data do cumprimento dos mandados, seja mera coincidência".
Assessoria de servidores do BC e da esposa de Moraes
A investigação da PF mostra que Daniel Vorcaro contou com a consultoria informal de dois servidores do BC para tocar os negócios do Master, incluindo a compra de bancos sem viabilidade financeira.
Os servidores em questão são o ex-diretor de fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e o servidor Belline Santana, que foram afastados dos cargos pelo atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, em dezembro de 2025, após indícios de recebimento de vantagens indevidas de Vorcaro.
Segundo documentos tornados públicos nessa quinta-feira (10), Vorcaro fez pagamentos a Bellini Santana e ajudou a bancar uma viagem da família de Paulo Sérgio Neves de Souza para a Disney. Em paralelo, discutiu com os servidores alguns dos contratos e negócios do Master.
O banco também contava com a "consultoria estratégica e jurídica" do escritório de advocacia Barci de Moraes em inquéritos policiais e procedimentos administrativos junto a órgãos como o Banco Central, a Receita Federal e o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
O escritório pertence a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e recebia um pagamento de aproximadamente R$ 3 milhões por mês do Master. O contrato firmado entre as partes foi editado por Moraes, conforme mensagens reveladas anteriormente no caso Master.
Flávio é investigado pelo Dark Horse
A queda do sigilo do processo sobre o Banco Master ainda mostra que o senador Flávio Bolsonaro é investigado desde julho de 2026 por causa do financiamento do filme Dark Horse.
Mensagens reveladas em maio mostraram que o senador pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para custear o filme que vai contar a história de Jair Bolsonaro.
A PF ainda apontou a existência de um contrato que previa o repasse de R$ 134 milhões para o filme e diz que os recursos eram geridos pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), a partir dos Estados Unidos.
Diante disso, o ministro André Mendonça pediu que Flávio fosse investigado pela possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
O senador nega irregularidades e diz que não há dinheiro público no filme. Ainda assim, a PF segue investigando o assunto. Na quinta-feira (10), por exemplo, uma
operação foi deflagrada para investigar o suposto desvio de emendas parlamentares para a produtora do longa-metragem.