Quase R$ 1 trilhão em criptomoedas passou pelo crime organizado em 2025

Organizações criminosas agora usam estrutura própria e conexões globais, tornando seus esquemas mais sofisticados e difíceis de rastrear.

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Publicado em 21/06/2026 às 12:12h Publicado em 21/06/2026 às 12:12h por Matheus Silva
O Brasil aparece com destaque no cenário global (Imagem: Shutterstock)
O Brasil aparece com destaque no cenário global (Imagem: Shutterstock)
🚨 Um levantamento da Chainalysis, empresa especializada em análise de blockchain, mostrou que endereços associados a atividades ilícitas receberam US$ 154 bilhões em criptomoedas no ano passado, equivalente a cerca de R$ 800 bilhões. 
O valor representa salto de 161% em relação a 2024 e coloca o mercado ilegal próximo da marca de R$ 1 trilhão movimentado globalmente. O estudo foi publicado pela CNN Brasil.
O relatório aponta que grupos ilícitos passaram a operar com infraestrutura própria, serviços especializados e conexões internacionais que tornam as operações mais sofisticadas e difíceis de rastrear.

Brasil recebeu US$ 318 bi em criptomoedas

O Brasil aparece com destaque no cenário global. Entre julho de 2024 e junho de 2025, o país recebeu aproximadamente US$ 318 bilhões em movimentações registradas em blockchain, cerca de um terço de todo o fluxo de criptomoedas da América Latina. 
O tamanho do mercado local, segundo a Chainalysis, tornou o país uma das principais portas de entrada para operações financeiras globais, incluindo transações ligadas ao crime organizado.

Três frentes de lavagem de dinheiro com cripto

O estudo identifica a presença simultânea, no Brasil, das três categorias que hoje concentram a maior parte da lavagem de dinheiro com criptoativos no mundo.
A primeira são as chamadas CMLNs (Redes de Lavagem de Dinheiro Operadas em Língua Chinesa), organizações que oferecem serviços financeiros clandestinos para traficantes, fraudadores e até agentes ligados a governos estrangeiros. Segundo a Chainalysis, essas estruturas já respondem por cerca de 20% do ecossistema global de lavagem de dinheiro em blockchain.
A segunda frente é a crescente utilização de criptomoedas para contornar sanções internacionais. O relatório estima que operações desse tipo movimentaram cerca de US$ 104 bilhões em 2025, alta de 694% em comparação ao ano anterior.
O terceiro eixo envolve o tráfico de drogas, atividade que permanece entre as principais fontes de recursos movimentados por meio de ativos digitais. 
📈 A empresa destaca que esse fenômeno tem relevância particular na América Latina e já foi identificado em investigações envolvendo facções como o PCC e o Tren de Aragua.