A Polícia Civil de São Paulo deflagrou uma operação nesta segunda-feira (1º) para apurar uma suspeita de fraude na contratação e instalação de pontos de wi-fi na capital paulista.
🚔 O principal alvo da operação é o ICB (Instituto Conhecer Brasil), ONG (Organização Não-Governamental) que pertence à empresária Karina Ferreira da Gama.
A empresária também é sócia da produtora Go UP Entertainment, a produtora do filme
Dark Horse, que contará a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e recebeu financiamento de Daniel Vorcaro, o fundador do
Banco Master.
O que está sendo investigado?
De acordo com a Polícia Civil, a investigação mira o contrato firmado entre o ICB e a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia de São Paulo para implantação, operação e manutenção de pontos de internet gratuita em comunidades da capital paulista.
💲 O contrato era avaliado em R$ 108 milhões e foi assinado em 2024, durante a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Porém, acabou tendo seu valor ampliado para R$ 157,1 milhões e o prazo de entrega estendido. Por isso, apenas 3,2 mil dos 5 mil pontos de wi-fi previstos na licitação foram entregues até o momento.
A Polícia Civil investiga, então, se houve fraude na licitação do serviço e desvio de recursos públicos, inclusive para o financiamento do filme Dark Horse.
Para isso, cumpre mandados de busca em endereços ligados ao ICB, à Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia de São Paulo e a empresas que teriam sido subcontratadas para a implantação dos serviços.
O objetivo dos policiais é recolher documentos físicos e digitais, equipamentos eletrônicos, registros financeiros e outros materiais que possam contribuir para o avanço das investigações.
Prefeitura reage
Em nota, a Prefeitura de São Paulo disse que colabora com as investigações e que o processo de contratação do serviço cumpriu todas as exigências legais, tendo sido acompanhado pelo Tribunal de Contas do Município.
🗣️ Além disso, observou que a licitação foi realizada em 2024, quando o filme de Bolsonaro ainda não estava sendo produzido.
"A Prefeitura repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos, uma vez que o contrato do Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade", afirmou.
Em conversa com jornalistas, o senador e pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também descartou conexões entre a operação e o filme do pai.
Além disso, a administração municipal disse que o contrato foi modificado para garantir a manutenção dos pontos de wi-fi já instalados pelo ICB e garantiu o funcionamento regular desse serviço.
"Por volta das 9h desta segunda-feira, dos 3,2 mil pontos contratados pela prefeitura, apenas 52 estavam off-line e passavam por manutenção", afirmou, em nota.