Mas um relatório divulgado nesta quinta-feira (15) pelo Bradesco BBI chama a atenção para uma instituição de porte médio que costuma ficar fora dos holofotes, o
Banco Mercantil (BMEB4).
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O BBI iniciou a cobertura das ações do banco com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 105. O valor pode parecer elevado à primeira vista, mas, segundo a casa, representa um potencial de valorização de aproximadamente 36% em relação às cotações atuais.
Consignado do INSS está no centro da tese
O principal argumento do BBI está no desempenho do Mercantil no crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS.
Na avaliação dos analistas, o banco vem ganhando participação nesse mercado e deve manter essa trajetória, com a retomada das originações de novos contratos a partir do quarto trimestre de 2026.
O consignado é uma modalidade em que as parcelas do empréstimo são descontadas diretamente do benefício ou do salário do cliente.
Por oferecer menor risco de inadimplência, costuma ter juros mais baixos que outras linhas de crédito pessoal e se tornou um dos produtos mais disputados pelos bancos.
O foco do Mercantil nesse segmento tem relação direta com o perfil de sua base. O banco reúne mais de 10 milhões de clientes e concentra sua estratégia no público com mais de 50 anos e nos beneficiários do INSS.
Banco diversifica receitas além do crédito consignado
Além do consignado do INSS, o Mercantil tem ampliado as receitas provenientes de outras frentes de negócio.
O BBI destaca o crescimento em crédito pessoal, consignado privado, seguros e serviços de assistência, movimento que diversifica as fontes de receita da instituição e reduz a dependência de um único produto.
Para o BBI, a carteira de crédito do banco voltará a crescer no quarto trimestre de 2026, à medida que os principais obstáculos regulatórios percam força.
O ponto central dessa mudança é o fim da Medida Provisória 1.355/2026, que havia reduzido temporariamente a margem consignável total de 45% para 40%.
A margem consignável é o percentual máximo da renda que pode ser comprometido com descontos desse tipo de crédito. A MP perdeu a validade em 31 de agosto de 2026, e o limite voltou a 45%.
Com o retorno da regra anterior, a margem ficou distribuída em 35% para empréstimos consignados, 5% para cartão de crédito consignado e 5% para cartão consignado de benefício.
Na prática, os clientes voltaram a ter mais espaço para contratar crédito, o que tende a favorecer instituições especializadas nesse público.
Nesse cenário, o BBI projeta crescimento médio anual próximo de 17% para a carteira de crédito do Mercantil entre 2025 e 2027, com expansão de 15% em 2026 e de 19% em 2027. "O principal vetor deverá ser o consignado do INSS, cujo crescimento estimado acelera de 14% em 2026 para 24% em 2027", aponta a análise.
Lucro pode chegar a R$ 1,4 bilhão em 2027
As projeções para os resultados reforçam o otimismo da casa. Segundo as estimativas dos analistas, o Mercantil deve registrar lucro líquido de R$ 1,1 bilhão em 2026, avanço de 10% em relação ao ano anterior.
Para 2027, a expectativa é ainda mais positiva. O BBI projeta lucro de R$ 1,4 bilhão, crescimento de 30% na comparação anual e resultado 4,4% acima do consenso de mercado.
💰 Para o banco de investimentos, a combinação entre a retomada do consignado do INSS, a expansão da carteira de crédito e a diversificação das receitas sustenta a visão positiva para as ações do Mercantil.