IPCA: Inflação acelera 0,82% e fica acima da meta em setembro

O resultado foi pressionado pela conta de luz e ficou acima do esperado pelo mercado.

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Publicado em 09/10/2026 às 09:42h - Atualizado em 09/10/2026 às 11:28h Publicado em 09/10/2026 às 09:42h Atualizado em 09/10/2026 às 11:28h por Marina Barbosa
O custo da energia elétrica residencial disparou 7,98% em setembro (Imagem: Shutterstock)
O custo da energia elétrica residencial disparou 7,98% em setembro (Imagem: Shutterstock)
A inflação oficial brasileira acelerou em setembro, voltando a superar a meta perseguida pelo BC (Banco Central).
📈 O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) avançou 0,82% no mês, deixando para trás a deflação de 0,32% registrada em agosto.
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O resultado ficou acima do esperado pelo mercado, que projetava um aumento de 0,73% dos preços, segundo a "Reuters".
Com isso, o IPCA passou a acumular uma alta de 3,95% no ano e de 4,58% no acumulado dos últimos meses, acima dos 4,22% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.
Ou seja, o índice voltou a superar a meta de inflação perseguida pelo Banco Central, que é de 3% ao ano, com um intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%.

Impacto para a Selic

A disparada do IPCA pode mexer com as projeções do mercado para a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic.
Por enquanto, a expectativa é de que o Copom (Comitê de Política Monetária) faça mais um corte de juros em 2026, levando a Selic dos atuais 13,75% para 13,50% ao ano. Porém, o Copom já avisou que o rumo da Selic depende da evolução do cenário econômico.
Segundo o economista sênior da Nomad, Vitor Kayo, o Banco Central deve olhar sobretudo para o que vem depois dessa alta de preços, para entender se o choque dos combustíveis e dos alimentos contamina outros preços e as expectativas do mercado.
O especialista, porém, vê riscos inflacionários à frente. Por isso, acredita que o BC vai manter a cautela na condução dos juros. "Isso mantém o BC cauteloso, mesmo com atividade e crédito perdendo força de forma gradual, e reduz o espaço para novos cortes da Selic nas próximas reuniões do Copom", avaliou Kayo.
A XP também vê a inflação pressionada nos próximos meses, já que o mercado de trabalho aquecido afeta a inflação de serviços, o El Niño pode levar a uma nova alta dos alimentos e a elevada cotação do petróleo impacta o preço dos combustíveis. Ainda assim, espera a manutenção do ciclo de cortes de juros.
"Esperamos que o Copom continue reduzindo a taxa Selic em 25 bps nas próximas reuniões, levando-a a 13,25% no fim do ano e a 11,50% em 2027; caso a dinâmica cambial permaneça favorável e as expectativas de inflação recuem, o Copom poderá acelerar o ritmo para 50 bps já na reunião de dezembro", afirmou a economista da XP, Basiliki Litvac.

O que pesou na inflação?

Os preços da energia elétrica explicam boa parte da alta da inflação de setembro, mas os combustíveis e os alimentos também pesaram mais no bolso do consumidor.
💡 Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o custo da energia elétrica residencial disparou 7,98% em setembro.
Isso porque a incorporação do Bônus de Itaipu trouxe um desconto para a conta de luz em agosto, mas o fim do benefício pressionou a inflação da energia no mês seguinte.
As despesas com transportes também subiram consideravelmente (0,89%), devido à alta de 9,66% das passagens aéreas e de 1,41% dos combustíveis.
⛽ Nos combustíveis, o destaque foi a alta de 3,16% do etanol. Porém, o óleo diesel (1,69%), a gasolina (1,21%) e o gás veicular (0,10%) também ficaram mais caros.
Os brasileiros ainda gastaram mais com alimentos (0,83%), sobretudo por causa da alta de itens para consumo no domicílio (0,96%), como tomate (37,76%), batata-inglesa (24,07%), cebola (10,14%), arroz (4,56%) e carnes (0,63%).
Apesar desses destaques, os outros grupos da inflação também tiveram variação positiva em setembro. O menor peso foi da educação, que subiu apenas 0,04%.

Veja como os grupos do IPCA se comportaram em setembro de 2026:

  • Habitação: 2,31%;
  • Transportes: 0,89%;
  • Alimentação e bebidas: 0,83%;
  • Vestuário: 0,71%;
  • Comunicação: 0,64%;
  • Artigos de residência: 0,27%;
  • Despesas pessoais: 0,26%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,08%;
  • Educação: 0,04%.