IPCA-15: Prévia da inflação desacelera mais do que o esperado em julho

O índice subiu apenas 0,06% no mês, voltando a se aproximar do teto da meta de inflação no acumulado em 12 meses.

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Publicado em 28/07/2026 às 10:05h Publicado em 28/07/2026 às 10:05h por Marina Barbosa
Os preços dos alimentos e dos combustíveis cederam em julho, tirando pressão da inflação (Imagem: Shutterstock)
Os preços dos alimentos e dos combustíveis cederam em julho, tirando pressão da inflação (Imagem: Shutterstock)
A prévia da inflação oficial brasileira desacelerou mais do que o esperado em julho, voltando a se aproximar do teto da meta perseguida pelo BC (Banco Central).
💲 O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) subiu apenas 0,06% no mês, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Foi o menor resultado desde agosto de 2025, quando o índice teve um desempenho negativo de 0,14%. Em junho de 2026, por exemplo, a alta havia sido de 0,41%.
O resultado também ficou abaixo do esperado pelo mercado, que projetava uma alta de aproximadamente 0,2% do IPCA-15 de julho.

Impacto na Selic

📊 Com isso, a prévia da inflação passou a acumular uma alta de 3,51% no ano e de 4,52% no acumulado em 12 meses, abaixo dos 4,80% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.
Isto é, o índice voltou a se aproximar do teto da meta de inflação perseguida pelo BC, que é de 3% ao ano, com um intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%.
Dessa forma, o desempenho do IPCA-15 pode influenciar a próxima decisão de juros do Copom (Comitê de Política Monetária), que volta a se reunir já na próxima semana para definir o rumo da Selic.
Atualmente, a expectativa do mercado é de que a Selic seja reduzida dos atuais 14,25% para 14,00% ao ano nesta reunião do Copom, mas depois só volte a cair em 2027. Veja as projeções do mercado, segundo o Boletim Focus.
Na avaliação da Ativa Investimentos, o IPCA-15 trouxe sinais consistentes de arrefecimento da dinâmica inflacionária. Por isso, pode reforçar uma perspectiva de afrouxamento monetário nos próximos meses. Ou seja, abrir espaço para novos cortes da Selic.
"O resultado sugere que a desaceleração dos preços não foi algo pontual, e sim, fruto de queda disseminada entre os diversos itens que compõem o indicador", explicou o economista Guilherme Sousa.

O que pesou no IPCA-15 de julho?

A queda dos preços dos alimentos e dos combustíveis permitiu a desaceleração do IPCA-15 em julho. Porém, a alta da energia elétrica impediu uma queda do índice, segundo o IBGE.
🍅 Os preços de alimentação e bebidas recuaram 0,66% no mês, influenciados sobretudo pela alimentação no domicílio, que caiu 1,14%.
O destaque é das quedas do tomate (-19,95%), da batata-inglesa (-10,03%) e do café moído (-3,13%), mas também das altas da cebola (7,10%) e do pão francês (0,65%).
Já entre os combustíveis, a queda foi generalizada, com o etanol caindo 2,5%; o óleo diesel recuando 1,32%; o gás veicular cedendo 0,97% e a gasolina diminuindo 0,68%. Por isso, o item teve um recuo médio de 0,90%.
A inflação dos transportes, no entanto, subiu 0,11%, devido à alta de 11,70% das passagens aéreas.
💡 Ainda assim, o maior peso do mês veio da conta de luz. Isso porque o custo da energia elétrica residencial saltou 3,03%, em meio à vigência da bandeira tarifária amarela e ao reajuste das tarifas praticadas em locais como São Paulo e Curitiba.
Os gastos com saúde e cuidados pessoais também subiram (0,28%), devido à alta de produtos de higiene pessoal (0,51%) e ao reajuste dos planos de saúde (0,42%).

Veja como os grupos do IPCA-15 se comportaram em julho de 2026:

  • Habitação: 0,97%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,28%;
  • Artigos de residência: 0,19%;
  • Transportes: 0,11%;
  • Despesas pessoais: 0,08%;
  • Comunicação: -0,02%;
  • Educação: -0,04%;
  • Vestuário: -0,33%;
  • Alimentação e bebidas: -0,66%.