Os trabalhadores dos Correios voltaram às atividades na noite de quinta-feira (24), após 15 dias de greve.
A paralisação chegou ao fim por determinação da Justiça, que atendeu a pleitos dos trabalhadores, mas também dos Correios ao julgar a legalidade da greve.
Reajuste e compensação
O TST (Tribunal Superior do Trabalho) concedeu um reajuste salarial de 4,09% para a categoria e entendeu que a greve não havia sido abusiva, como alegado pelos Correios.
Dessa forma, a estatal não poderá aplicar multas aos sindicatos que organizaram o movimento, nem descontar os dias parados dos salários.
Porém, os trabalhadores terão que compensar os dias de paralisação, por meio de mutirões de trabalho em finais de semana.
De acordo com a desembargadora Maria de Nazaré Rocha, relatora do processo no TST, o objetivo é escoar as entregas atrasadas, para normalizar o atendimento à sociedade.
Na decisão, ela disse que a própria estatal mencionou a carga acumulada na rede durante a paralisação, dizendo que seria preciso um "esforço extraordinário durante período prolongado para regularizar o serviço".
Plano de saúde
Por outro lado, o TST concordou em alterar as regras do plano de saúde dos Correios, um dos principais pontos de reclamação dos trabalhadores.
Com isso, os Correios deixam de ser a empresa mantenedora do plano de saúde e poderão oferecer apenas um subsídio aos empregados que aderiram ao Benefício de Assistência à Saúde.
A mudança, porém, não é automática. Segundo o TST, as regras atuais continuam valendo até a implementação do novo modelo.
Em reestruturação
O movimento ocorre em meio à tentativa de reestruturação dos Correios.
A estatal acumulou prejuízos bilionários nos últimos trimestres e agora tenta colocar as contas em ordem.
O plano prevê medidas de contenção de gastos que já foram questionadas pelos trabalhadores, como o fechamento de agências, a redução de cargos e a retirada de gratificações. Além disso, abre espaço para parcerias com empresas privadas e empréstimos bilionários.
A estatal tomou R$ 12 bilhões emprestados no final de 2025 e agora tenta destravar um novo financiamento de R$ 7 bilhões com um consórcio de bancos.