Euro despenca no mundo e bate mínima em 17 meses com crise fiscal na França

O euro caiu 0,65% nesta quarta-feira (7), para US$ 1,1185, pressionado pelo maior salto em duas semanas dos juros franceses.

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Publicado em 07/10/2026 às 16:27h Publicado em 07/10/2026 às 16:27h por Matheus Silva
Frente ao real, o euro operou estável, a R$ 5,60, no meio da tarde (Imagem; Shutterstock)
Frente ao real, o euro operou estável, a R$ 5,60, no meio da tarde (Imagem; Shutterstock)
💶 A moeda única europeia voltou a perder força no mercado internacional nesta quarta-feira (7). O euro recuou 0,65% frente ao dólar, para US$ 1,1185, aproximando-se novamente das mínimas em 17 meses registradas na segunda-feira (5). 
O movimento foi provocado pela nova onda de pressão sobre os títulos públicos da França, em meio às preocupações persistentes com a situação fiscal do país.
No Brasil, o efeito foi mais contido. Por volta das 15h37, no horário de Brasília, o euro operava próximo da estabilidade frente ao real, cotado a R$ 5,60, depois de passar boa parte da manhã em queda.

Juros franceses têm o maior salto diário em duas semanas

O epicentro do movimento esteve no mercado de dívida soberana europeia. Os rendimentos dos títulos públicos da zona do euro avançaram de forma generalizada, mas com uma diferença importante entre os países. Os papéis de governos mais endividados registraram alta bem mais acentuada do que os de economias consideradas refúgios seguros, como a Alemanha.
A França concentrou a maior parte da pressão. A taxa de rendimento do título francês de 10 anos subiu 14,9 pontos-base, para 4,8959%, caminhando para o maior salto diário em duas semanas. No mesmo período, o rendimento do título alemão de mesmo prazo avançou apenas 0,8 ponto-base, para 3,489%.
A distância entre os dois movimentos ajuda a entender o humor do mercado. Quando os investidores passam a exigir um retorno cada vez maior para financiar um país em relação ao seu vizinho mais sólido, o recado é de aumento da percepção de risco sobre as contas públicas daquele governo. Com a França sob desconfiança e a dívida de países mais endividados sendo vendida, a moeda compartilhada pelo bloco acaba sentindo o impacto.
Para Juan Perez, diretor sênior de operações da Monex USA, o problema europeu é estrutural e vem se acumulando ao longo do tempo. Na avaliação dele, os governos do continente mantiveram um padrão de despesas elevadas sem uma geração de receitas compatível, e a conta começou a chegar.
"O que vem acontecendo na Europa é que, por um tempo, eles operaram um pouco no estilo do estado de bem-estar social, gastando muito dinheiro sem realmente gerar muita receita, e isso finalmente está se voltando contra eles. Considerando também o fato de que todos tiveram que gastar mais dinheiro com energia, as perspectivas não são boas", afirmou.
O executivo resumiu o sentimento predominante entre os investidores em relação ao bloco. "O foco está na Europa, e é um foco muito, muito negativo."
O fator energético ganhou ainda mais relevância com o retorno dos preços do petróleo ao centro das atenções do mercado, o que amplia a preocupação com o impacto da conta de energia sobre economias que já operam com orçamentos pressionados.

Proximidade da eleição francesa amplia incerteza, aponta Rabobank

Além do desequilíbrio nas contas públicas, o calendário político adiciona uma camada extra de cautela. Para Jane Foley, estrategista do Rabobank, o cenário eleitoral na França potencializa as dúvidas sobre a capacidade do país de colocar o orçamento em ordem.
"As preocupações com a incapacidade da França de reduzir seu déficit orçamentário foram ampliadas pelas incertezas relacionadas à proximidade das eleições presidenciais francesas", disse a estrategista.
📊 Segundo Foley, a combinação entre a alta dos rendimentos dos títulos franceses e uma venda generalizada da dívida dos países europeus mais endividados vem aumentando a pressão sobre a moeda comum. Na prática, a desconfiança com um dos principais membros do bloco transborda para o euro como um todo, aproximando a moeda dos níveis mais baixos registrados no último ano e meio.