O Itamaraty, órgão governamental responsável pelas relações diplomáticas do Brasil, expressou nesta segunda-feira (6) as suas reais preocupações sobre a possibilidade de os Estados Unidos empreenderem uma operação militar em solo brasileiro como forma de combate às facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
Afinal de contas, tais organizações criminosas brasileiras foram classificadas como grupos terroristas internacionais pela administração Donald Trump, o que na prática coloca nosso país como palco de ameaça aos interesses americanos.
Em ofício enviado pelo Ministério das Relações Exteriores à Câmara dos Deputados, o governo Lula dimensiona que eventuais operações militares dos EUA no Brasil podem ter “impactos relevantes tanto no plano econômico como no da soberania nacional” e não “trará benefícios concretos para a cooperação internacional” entre os dois países no enfrentamento ao crime organizado.
No documento, o Itamaraty também expressa que a decisão de classificar as facções PCC e CV como grupos terroristas internacionais foi um ato unilateral da administração Trump e não exige manifestação formal do governo brasileiro.
Ainda assim, houve posicionamento contrário à medida. Outro temor do governo brasileiro são os possíveis riscos jurídicos e financeiros para pessoas e empresas no Brasil, caso os EUA utilizem elos com o PCC e/ou o CV como justificativa, mesmo que não sejam comprovados vínculos diretos com negócios nos EUA ou cuja ligação com os grupos designados seja indireta ou meramente involuntária.
Vale citar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem sido contra a determinação de Trump, que abre brecha para operação militar americana em solo brasileiro, enquanto o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL/Rio de Janeiro) já demonstrou apoio à medida da Casa Branca.