Estrangeiros colocaram R$ 10 bi na Bolsa no "Flávio Day"

O aporte ajuda a explicar os recordes do Ibovespa após o 1º turno das eleições de 2026.

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Publicado em 07/10/2026 às 11:18h - Atualizado em 07/10/2026 às 11:22h Publicado em 07/10/2026 às 11:18h Atualizado em 07/10/2026 às 11:22h por Marina Barbosa
A Bolsa disparou depois que Flávio ficou à frente de Lula no 1º turno das eleições (Imagem: Facebook/Reprodução)
A Bolsa disparou depois que Flávio ficou à frente de Lula no 1º turno das eleições (Imagem: Facebook/Reprodução)
Os investidores estrangeiros aportaram R$ 10 bilhões na Bolsa brasileira em uma única sessão, diante da expectativa de que as eleições alterem o rumo da política econômica nacional.
O aporte foi registrado na segunda-feira (5) e ajuda a explicar o salto do Ibovespa no pregão que sucedeu o primeiro turno das eleições: o IBOV disparou 7,70% e cruzou a barreira dos 200 mil pontos pela primeira vez na história diante do resultado das urnas.
A entrada de R$ 10 bilhões foi a maior já registrada em um único dia pelo "Valor Data", que observa o fluxo de capital estrangeiro na B3 desde 2012. Para se ter ideia, o aporte é maior que o saldo acumulado em todo o mês de setembro: R$ 9,1 bilhões.
A força do movimento evidencia o otimismo do mercado com o resultado do primeiro turno das eleições, que acabou com Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial e a formação de um Congresso bem mais alinhado à direita.
A avaliação do mercado é que essa guinada à direita pode abrir espaço para reformas fiscais e econômicas, o que poderia melhorar a situação das contas públicas e pavimentar a queda dos juros no Brasil. Por isso, as apostas na Bolsa brasileira dispararam.

Bancões elevam recomendação para o Brasil

O JP Morgan voltou a recomendar a compra de ações brasileiras depois do resultado do primeiro turno das eleições, dizendo que o novo cenário amplia significativamente o potencial de valorização da Bolsa brasileira.
O Morgan Stanley também elevou a recomendação para o mercado brasileiro, de neutra para compra, diante do resultado das urnas. A leitura é de que o salto observado na última segunda-feira (5) pode ser apenas o início deste rali eleitoral.
Para o bancão americano, a Bolsa brasileira ainda pode subir de 15% a 20% em 2026, mesmo depois dos recordes da última segunda-feira (5). Caso todo o otimismo do mercado se confirme, o Ibovespa poderia até alcançar os 250 mil pontos em 2027, com o dólar caindo a R$ 4,50, pelos cálculos do Morgan Stanley. 
Em relatório enviado a clientes, o banco afirmou que o resultado das urnas elevou as chances de mudança na política econômica, abrindo espaço para um rebalanceamento dos mercados brasileiros. 
A expectativa é de que os juros e a percepção de risco caiam caso, de fato, o país passe por um processo de consolidação fiscal, levando à migração de parte do dinheiro que hoje está na renda fixa para as ações e ao aumento dos investimentos privados.
Diante dessa avaliação, o setor financeiro e as empresas com exposição à economia doméstica despontam como a principal aposta do Morgan Stanley na B3. Já as exportadoras perderam espaço na carteira do bancão americano, devido ao impacto da queda do dólar nas receitas obtidas no exterior.
O Citi também passou a ver um ambiente econômico mais favorável ao mercado após o resultado das urnas. Por isso, elevou a exposição às ações brasileiras (veja as principais apostas). Porém, também lembrou que a disputa presidencial ainda não está definida e só será decidida no segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
Diante disso, a expectativa do mercado é de que as próximas semanas também tragam muita volatilidade à Bolsa. Na terça-feira (6), por exemplo, o Ibovespa recuou 0,52%, em um movimento de correção após o salto da véspera. O índice também oscila nesta quarta-feira (7), mas segue rondando os 205 mil pontos.