A especialista em mercados de capitais, Seneca Evercore, publicou um raio-X sobre o desempenho das 94 empresas que estrearam na bolsa de valores brasileira, a
B3 (B3SA3), desde 2014. E sabe qual foi o resultado? Apenas 17 companhias estão no positivo até agora, sendo que a melhor performance supera a valorização de +300%.
Ou seja, a maioria dos negócios que lançaram seus respectivos
IPOs (ofertas públicas iniciais de ações) entregaram prejuízos aos seus investidores, sendo que nos piores casos, a destruição de patrimônio já beira os 100%.
Vale destacar também que nem todas as 94 empresas brasileiras que abriram o seu capital na bolsa de valores continuam dando sopa na B3 em 2026. Apenas 75 nomes continuam no mercado, logo, 19 companhias resolveram fechar o seu capital, realizaram IPO reverso, migraram para a bolsa de valores americana ou foram alvos de fusões e aquisições.
Quando comparadas ao retorno de
Ibovespa, o principal índice de ações da B3, só 75 dos IPOs se saíram melhor que encomenda. Todavia, ao passar pelo crivo do
CDI, índice de
renda fixa que acompanha a
taxa Selic de perto, somente 8 IPOs apresentam desempenho superior.
IPOs que mais deram lucro
Entre as companhias que mais encheram os bolsos dos seus acionistas no período, quem lidera o pódio é a
Cury Construtora (CURY3), com
valorização de +336,8% desde a sua estreia na bolsa de valores em março de 2021.
Fundada há quase 60 anos, a companhia consolidou sua posição no mercado como uma das principais construtoras voltadas ao segmento de baixa renda, beneficiando-se bastante do programa habitacional federal Minha Casa Minha Vida.
A
CURY3 é uma empresa subsidiária da gigante
Cyrela Brazil Realty (CYRE3), cuja estreia na B3 é bem mais antiga, ocorrida em 2005. Aliás, o desempenho dos IPOs de construtoras chama a atenção por figurar entre as 10 maiores valorizações desde 2014.
IPOs que mais deram prejuízo
Só que nem tudo foram flores para as empresas brasileiras que listaram suas ações na B3 desde 2014, especialmente para as companhias que abriram o seu capital durante o período da pandemia de Covid-19, impulsionadas pela
taxa Selic em mínima histórica de 2% ao ano, mas que, em pouco tempo, disparou para os atuais 15% ao ano.
Entre as companhias estreantes na B3, a que mais destruiu o patrimônio dos acionistas que embarcaram desde o IPO foi a
Infracommerce (IFCM3), cujos papéis se desvalorizaram -99,99% desde a sua listagem em maio de 2021.
A companhia é especializada em soluções integradas para comércio eletrônico, oferecendo uma ampla gama de serviços que incluem plataformas de e-commerce, gestão de pagamentos, logística integrada e marketing digital.
Uma sina muito comum para os IPOs que ostentam os piores resultados no levantamento apurado pela Seneca Evercore é o acometimento de episódios de crises financeiras, recuperações judiciais e gestão falha.