Diretor-geral da PF é afastado do cargo em meio ao caso Master

O afastamento preventivo foi determinado por André Mendonça e mantido pela Segunda Turma do STF.

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Publicado em 08/09/2026 às 10:46h Publicado em 08/09/2026 às 10:46h por Marina Barbosa
Andrei Rodrigues foi citado em mensagens de Vorcaro a Moraes (Imagem: Andressa Anholete/Agência Senado)
Andrei Rodrigues foi citado em mensagens de Vorcaro a Moraes (Imagem: Andressa Anholete/Agência Senado)
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo do diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues.
⚖️ A decisão representa mais uma escalada da crise institucional deflagrada pelas investigações relacionadas ao Banco Master. Porém, foi mantida pela Segunda Turma do STF.
Uma sessão virtual extraordinária da Segunda Turma do STF foi aberta para julgar o afastamento de Andrei Rodrigues logo após a publicação da decisão de Mendonça.
Em menos de dez minutos, os ministros Luiz Fuz e Nunes Marques referendaram a decisão, formando maioria para manter o afastamento do diretor-geral da PF.
O julgamento, porém, não é definitivo porque o ministro Gilmar Mendes apresentou um pedido de vista, para ter mais tempo para analisar o processo. Já o ministro Dias Toffoli ainda não apresentou o seu voto.

O que levou ao afastamento do diretor da PF?

O afastamento de Andrei Rodrigues foi solicitado pelo partido Novo, depois que o diretor-geral da PF foi citado nas investigações sobre o Banco Master.
📲 De acordo com investigações da própria PF, mensagens encontradas no telefone de Daniel Vorcaro faziam referências ao nome "Andrei".
Algumas dessas mensagens foram enviadas ao ministro do STF, Alexandre de Moraes. Um dia antes de ser preso, por exemplo, Vorcaro teria pedido para Moraes tentar "sensibilizar" Andrei.
Vorcaro também teria dito em um depoimento ao gabinete de Mendonça que a sua proposta de delação premiada não avançou porque envolveria o diretor da PF.
Na avaliação do Novo, as mensagens sugerem proximidade entre o banqueiro e a cúpula da PF. Por isso, justificariam a adoção de medidas cautelares para garantir que as investigações sobre o Master sejam conduzidas sem interferências ou constrangimentos hierárquicos.
André Mendonça, porém, concentrou-se em outro argumento ao acolher o pedido do Novo. Isso porque Alexandre de Moraes usou um relatório interno da PF para pedir uma investigação contra o colega do STF, por abuso de autoridade nos processos sobre o banco Master e as fraudes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Mendonça argumenta que os relatórios citados por Moraes deveriam ter difusão restrita à PF, pois representam um documento de trabalho, sem valor probatório, e apresentam algumas informações sigilosas.
Segundo o ministro do STF, os relatórios ainda revelam que a inteligência da PF empreendeu um "monitoramento sistemático e ilegal" das suas atividades e das ações do advogado-geral da União, Jorge Messias.
A PF ainda teria tentado avaliar os critérios que pautaram as decisões de Messias e Mendonça, citando a "matriz religiosa comum" dos dois, segundo o ministro do STF.
Mendonça ainda diz que os relatórios revelam um "monitoramento sistemático e ilegal" por parte da inteligência da PF das suas atividades, assim como das ações do advogado-geral da União, Jorge Messias.

A decisão de Mendonça

Diante disso, André Mendonça fala na "superlativa gravidade e ilicitude" na produção desses relatórios pela PF e diz que a situação exige a adoção de providências imediatas para garantir o bom funcionamento das prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da atividade policial.
O ministro do STF determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e também do diretor de inteligência policial da corporação, Leandro Almada da Costa.
Mendonça ainda determinou que a PF suspenda a produção ou compartilhamento de relatórios de inteligência sobre a atuação da magistratura, da advocacia pública e da polícia judiciária. Além disso, pediu que a corporação instaure procedimentos investigatórios de natureza penal e administrativo-disciplinar para apurar esses fatos.