Digimais é alvo de operação da PF, por suspeita de fraudes financeiras

A Justiça também mandou bloquear até R$ 670 milhões em bens e valores dos investigados.

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Publicado em 23/06/2026 às 13:52h Publicado em 23/06/2026 às 13:52h por Marina Barbosa
Digimais é o banco digital do bispo Edir Macedo (Imagem: Divulgação)
Digimais é o banco digital do bispo Edir Macedo (Imagem: Divulgação)
A PF (Polícia Federal) deflagrou nesta terça-feira (23) mais uma operação para apurar a suposta prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
🏦 O alvo é o Banco Digimais -banco digital controlado pelo bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, que negociava a venda do Digimais para o BTG Pactual (BPAC11).
A operação se baseia em relatórios do BC (Banco Central) que apontaram suspeitas de irregularidades na condução dos negócios do Digimais. 
De acordo com a PF, o esquema envolve a manipulação de demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira da instituição, aparentar solvência perante os órgãos de controle e viabilizar operações supostamente irregulares.
Além disso, o Digimais buscava captar recursos por meio da emissão de CDBs (Certificados de Depósito Bancário) que prometiam taxas superiores à média do mercado, chegando a 140% do CDI. Na avaliação da PF, é um esquema similar ao do Banco Master
"O modelo operativo adotado pelo Banco Master funcionou como paradigma para outras instituições financeiras de médio porte que enfrentavam crises de liquidez, consubstanciando o modus operandi atualmente sob investigação no Banco Digimais", diz o relatório da PF.
🚨 Se a suspeita for confirmada, os investigados podem responder pelos crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas.
Para avançar com as investigações, mais de 50 policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão em São Paulo nesta terça-feira (23), em locais como a sede do Digimais.
Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal em São Paulo, que também autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal e mandou bloquear até R$ 670 milhões em bens e valores dos investigados.

As contas do Digimais

O último balanço divulgado pelo Digimais indica que o banco teve um lucro líquido de R$ 31 milhões em 2025. Além disso, aponta um patrimônio de referência de R$ 1 bilhão e ativos de R$ 10 bilhões.
"Ao término do ano de 2025, o Banco consolida o reposicionamento estratégico da sua atuação, direcionado principalmente à concessão de crédito consignado e com a suspensão na originação de financiamento de veículos", diz.
Com atuação sobretudo nos mercados do Sul e Sudeste, o Digimais ainda diz ter mais de 145 mil clientes e R$ 3 bilhões em carteira de crédito.
Os dados foram postos em xeque pelas investigações da Polícia Federal, mas já estavam há algum tempo na mira do mercado.

Fitch vê risco de quebra

Na véspera da operação da PF, a agência de classificação de risco Fitch retirou todos os ratings do Digimais, por entender que o banco tinha uma margem de segurança muito baixa e apresentava uma "possibilidade real" de quebra.
"O rebaixamento reflete a visão da Fitch de que a margem de segurança do banco é muito baixa, sendo a falha da instituição financeira e/ou o default uma possibilidade real, impulsionados por incertezas consideráveis em relação ao perfil financeiro do Digimais, bem como por restrições relevantes na avaliação da agência, decorrentes da ausência de informações atuais e da limitada visibilidade sobre a estratégia do banco", disse a Fitch.
Reportagens jornalísticas também já haviam apontado supostas irregularidades contábeis na instituição em maio. À época, o Digimais publicou uma nota refutando as acusações e garantindo a legalidade das suas operações.
"As publicações baseiam-se em alegações completamente inverídicas, distorcidas e desprovidas de qualquer comprovação material ou documental. Trata-se de narrativas plantadas com o claro intuito de prejudicar a imagem pública e a solidez da instituição", disse o Digimais, em comunicado que ainda consta no site da instituição.
O Digimais está sob controle de Edir Macedo desde 2020. Antes, era o Banco Renner.

Negociações com o BTG

O Digimais já enfrentava alguns desafios financeiros antes mesmo dessas revelações. Por isso, Edir Macedo negociava a venda do controle do banco para o BTG Pactual.
O BTG confirmou em abril deste ano a negociação para a aquisição do controle acionário do Digimais. Porém, destacou à época que ainda faltava definir alguns detalhes do negócio, como o valor de referência. 
Além disso, observou que o fechamento da operação dependia do cumprimento de algumas condições, como a aprovação do Banco Central e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
A transferência ainda não foi concluída e agora não se sabe se as negociações vão continuar diante das investigações da PF.