Copom alerta para inflação e não garante novos cortes da Selic nas próximas reuniões

Ata publicada nesta terça-feira reforça cautela após redução dos juros para 13,75% ao ano.

Author
Publicado em 22/09/2026 às 09:16h Publicado em 22/09/2026 às 09:16h por Wesley Santana
Copom é um dos diversos comitês de politicas do Banco Central (Imagem: Shutterstock)
Copom é um dos diversos comitês de politicas do Banco Central (Imagem: Shutterstock)

O Banco Central divulgou, nesta terça-feira (22), a Ata da última reunião realizada pelo Copom (Comitê de Política Monetária). Na ocasião, o colegiado decidiu por cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, reduzindo a Selic para 13,75% ao ano.

A Ata do Copom reforçou a visão já apresentada pelos diretores na semana passada, que apresenta um ambiente inflacionário ainda preocupante. Segundo eles, o cenário atual ainda demanda "serenidade e cautela”. Diante disso, frisam que os diretores devem seguir acompanhando os dados macroeconômicos para decidir os próximos passos da Selic no país.

Acompanhe todas as notícias pelo celular! Baixe o app

"O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá incorporando novas informações e acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, escrevem.

O Copom ainda chama a atenção para a trajetória da inflação, que pode terminar o ano fora da meta do Banco Central. Diante disso, o órgão não garante que novos cortes na Selic serão feitos nas próximas reuniões.

Leia mais: Focus reduz Selic, mas sobe inflação para 4,92% em 2026

"O Comitê avalia que perseverança, firmeza e serenidade na condução da política monetária contribuirão para a reancoragem das expectativas, importante para a convergência da inflação à meta com menor custo. A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, continuam.

Mesmo que não atinja o objetivo de levar a inflação para o intervalo da meta neste ano, a decisão de ser mais cauteloso pode apresentar efeitos nos próximos anos. A perspectiva do colegiado é que os preços fiquem em 3,9% no próximo ano, o que estaria dentro do esperado.

"O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 13,75% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, terminam.

As próximas reuniões do Copom estão marcadas para os dias 3 e 4 de novembro. Depois disso, o órgão se reúne pela última vez no ano, em 8 e 9 de dezembro, conforme calendário divulgado.