O Partido Comunista da China lançou três astronautas à sua própria estação espacial na órbita da Terra neste domingo (24), sendo que um dos tripulantes ficará no espaço sideral por cerca de um ano, como forma de os cientistas chineses estudarem os efeitos da gravidade zero no corpo humano em longos períodos de exposição.
A bordo da nave Shenzhou-23, os três astronautas chineses partiram do solo por volta das 23h08 no horário de Pequim (correspondente às 12h08 do horário de Brasília), com o uso do foguete transportador Long March-2F Y23, a partir do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, distante 1.350 quilômetros da capital chinesa.
Ainda que o período de um ano no espaço sideral seja bastante considerável, os chineses ainda ficaram 14 meses abaixo do recorde absoluto estabelecido por um cosmonauta russo em 1995.
Como pano de fundo para a atual missão dos astronautas está o interesse do governo chinês por um pouso tripulado na superfície da Lua já em 2030, em vias de estabelecer o início da exploração comercial do Hélio-3, um isótopo raro aqui na Terra, mas abundante em nosso satélite natural.
O Hélio-3 deve ganhar bastante
importância geopolítica ao longo das próximas décadas, já que é considerado o combustível ideal para viabilizar a fusão nuclear comercial, garantindo ao país que dominar essa tecnologia uma fonte de
energia limpa, segura e praticamente infinita, pois segue o mesmo princípio energético presente no interior das estrelas, assim como o nosso Sol.
Diferente das usinas nucleares atuais aqui na Terra, que utilizam o processo da fissão nuclear, que consiste na quebra de átomos de urânio ou plutônio, a fusão nuclear pretendida na Lua com o uso do Hélio-3 une núcleos atômicos para liberar muito mais
energia, sem produzir lixo radioativo.
Cientistas chineses estimam que o Hélio-3 presente na Lua pode ser até 20 vezes mais eficiente na produção de energia do que as vigentes tecnologias de fissão nuclear aqui na Terra. Para se ter ideia, só algumas toneladas do isótopo seriam suficientes para abastecer países populosos como o Brasil por um ano inteiro.