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Camil (CAML3) divulgou nesta quinta-feira (8) os resultados do segundo trimestre de 2026, marcados por uma forte retração no lucro.
A companhia registrou lucro líquido de R$ 41,3 milhões no período, queda de 47,5% em relação aos R$ 78 milhões apurados no mesmo trimestre do ano anterior. Com isso, a margem líquida recuou de 2,6% para 1,5%.
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Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, porém, o quadro foi de recuperação. O lucro avançou 47,7% frente ao primeiro trimestre, quando a empresa havia lucrado R$ 28 milhões.
Vale lembrar que a Camil adota um calendário fiscal diferente do ano civil. Por isso, o 2T26 da companhia corresponde aos meses de junho a agosto de 2026, e não ao período de abril a junho seguido pela maior parte das empresas listadas.
Preços menores pressionam a receita
A receita bruta somou R$ 3,22 bilhões no trimestre, queda de 6,1% em relação ao mesmo período de 2025. A receita líquida recuou 7,2%, para R$ 2,76 bilhões, embora tenha avançado 3,6% frente ao trimestre anterior.
O desempenho foi impactado principalmente pela queda nos preços médios de venda, com destaque para o segmento internacional. O efeito foi parcialmente compensado por um mix de produtos mais favorável no Brasil, com crescimento da categoria de alto valor agregado.
O principal vilão continua sendo o arroz, matéria-prima central do negócio da companhia. Segundo a Camil, os preços do grão seguem em patamares baixos, apesar de sinais recentes de retomada nas cotações. Esse cenário segue limitando o faturamento mesmo com a expansão de outras linhas.
Cafés, biscoitos, massas e pescados ganham espaço
Do lado positivo, a companhia registrou crescimento nas vendas de produtos de maior valor agregado, como cafés, biscoitos, massas e pescados. Esse avanço ajudou a melhorar a composição da receita, mas não foi suficiente para compensar a combinação de preços pressionados de matérias-primas, menores volumes e aumento das despesas no mercado brasileiro.
Mesmo com a receita em queda, o lucro bruto avançou 1,2%, para R$ 681,9 milhões. O resultado foi favorecido pela redução de 9,7% no custo dos produtos vendidos, que permitiu à companhia elevar a margem bruta para 24,7%.
O problema apareceu nas linhas abaixo do lucro bruto. As despesas com vendas, gerais e administrativas somaram R$ 542,1 milhões no trimestre, alta de 8,9% na comparação anual. Com isso, passaram a representar 19,6% da receita líquida, consumindo parte relevante do ganho obtido com a redução de custos.
Ebitda recua 10,1% no ano, mas sobe frente ao 1T26
O Ebitda, indicador que mede a geração de caixa operacional, alcançou R$ 225,3 milhões, queda de 10,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. A margem Ebitda ficou em 8,2%. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o indicador avançou 7,3%, reforçando a leitura de melhora sequencial dos resultados.
A Camil encerrou agosto com dívida líquida de R$ 4,083 bilhões, redução de 3,1% em relação a maio. Na comparação com agosto de 2025, porém, o endividamento líquido cresceu 17,8%.
📊 O tema vem sendo acompanhado de perto pelo mercado. No primeiro trimestre fiscal, encerrado em maio, a dívida líquida havia alcançado R$ 4,2 bilhões, e a alavancagem subiu de 4,1 para 4,7 vezes o Ebitda. A leve redução registrada agora indica algum alívio, ainda que o patamar siga elevado frente ao ano anterior.