📉 Isso porque muitas das empresas que ofereciam jogos de apostas online no país são estrangeiras e algumas delas caíram forte na bolsa na esteira da suspensão das atividades brasileiras.
A Flutter, por exemplo, é uma multinacional irlandesa-americana que operava no Brasil por meio de marcas como Betnacional e Betfair Brasil.
A empresa está listada na Nyse (Bolsa de Valores de Nova York), sob o ticker FLUT, e chegou a cair mais de 7% na bolsa nesta segunda-feira (28).
Já a Entain, dona da SportingBet, mantém a maior parte das suas operações e a listagem das suas ações em Londres. O papel é negociado sob o ticker ENT e recuou mais de 5% no pregão.
A empresa dinamarquesa Better Collective, que mantém portais de notícias esportivas para indicar bets parceiras, apresentava um desempenho ainda pior.
Listadas na Bolsa de Estocolmo sob o ticker BETCO, as ações da companhia chegaram a cair mais de 32% nesta segunda-feira (28).
Empresas projetam perdas
As companhias se destacavam entre as perdas do setor porque divulgaram comunicados alertando para o impacto do fim das operações brasileiras nos seus resultados.
💸 Só a dona da BetNacional projeta uma perda de US$ 70 milhões na receita e de US$ 20 milhões no Ebitda ajustado de 2026, caso continue sem funcionar no país até o final do ano.
"A Flutter está extremamente decepcionada com essa decisão e está analisando todas as opções disponíveis, incluindo a possibilidade de recurso", acrescentou.
Já a dona da SportingBet disse que o Brasil deveria representar aproximadamente 5% da sua receita líquida de jogos online neste ano. Por isso, agora projeta um crescimento de receita de 4% a 6% em 2026, abaixo do guidance de 5% a 7%
Em relação ao Ebitda, a empresa diz que será possível manter o guidance para 2026, mas avisa que deve ficar no piso das estimativas sem a operação brasileira.
"A Entain lamenta este desenvolvimento repentino, sem consulta às partes interessadas do setor, relativamente às suas significativas consequências adversas", afirmou.
Já a Better Collective esperava gerar uma receita de 45 milhões de euros no Brasil em 2026, o que corresponde a cerca de 12% da projeção atual dos analistas para a receita consolidada do grupo neste ano.
Porém, avisou que um terço dessa cifra ainda iria entrar no caixa. Por isso, também reviu as suas projeções financeiras diante da proibição das bets no Brasil.
A expectativa de crescimento orgânico de receita passou de 7% a 12% para 3% a 8%. Já o guidance para a alta do Ebitda antes de itens especiais afundou de 8% a 18% para -7% a 3%.
A Better Collective ainda suspendeu as projeções financeiras previamente divulgadas para 2027 e 2028 e interrompeu a execução do seu programa de recompra de ações, citando a "incerteza regulatória" no Brasil.
MP em discussão
📅 Em comunicados aos investidores, as empresas lembraram ainda que o governo brasileiro proibiu as bets por meio de uma MP (Medida Provisória), que tem validade de 120 dias e precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional para continuar em vigor depois desse prazo.
"O Congresso pode rejeitar, aprovar ou alterar a medida provisória. Portanto, o desfecho a longo prazo provavelmente permanecerá incerto durante este período", afirmou a Entain.
"Caso o Congresso rejeite esta medida, esperamos que nossas atividades de apostas esportivas online e jogos online sejam retomadas", acrescentou a Flutter, que disse estar dialogando com as autoridades brasileiras para tentar construir "uma regulamentação sensata e eficaz" para o setor.
Bets vão ao STF e varejo defende proibição
Entidades que representam as bets recorreram da proibição das apostas de quota fixa no STF (Supremo Tribunal Federal) nesta segunda-feira (28).
O setor alega que a medida não deveria ter sido tratada por meio de uma MP, careceu de estudos técnicos e provocou prejuízos, logo depois que diversas empresas pagaram outorgas milionárias para se enquadrar na regulamentação brasileira.
Por outro lado, associações ligadas ao varejo defenderam a proibição das bets, apontando para o impacto das apostas online no setor, no endividamento e na saúde mental dos brasileiros.
De acordo com a CNC (Confederação Nacional do Comércio), os brasileiros gastaram cerca de R$ 68,2 bilhões em apostas entre junho de 2023 e junho de 2024. É o equivalente a 0,62% do PIB (Produto Interno Bruto), 0,95% do consumo total e 22% da massa salarial do país.
A CNC estima, então, que o comprometimento da renda das famílias com as apostas online poderia reduzir o faturamento do comércio brasileiro em R$ 117 bilhões por ano.