Ações de defesa disparam com aumento de guerras e gastos militares; veja como investir

Guerra no Irã impulsiona ações, mas analistas veem setor como opção estratégica de longo prazo.

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Publicado em 09/03/2026 às 08:43h - Atualizado 5 minutos atrás Publicado em 09/03/2026 às 08:43h Atualizado 5 minutos atrás por Marina Barbosa
Investidores brasileiros podem investir em defesa via BDRs, ETFs e Stocks (Imagem: Ilustração criada com inteligência artificial)
Investidores brasileiros podem investir em defesa via BDRs, ETFs e Stocks (Imagem: Ilustração criada com inteligência artificial)
As ações do setor de óleo e gás não foram as únicas a disparar diante da escalada das tensões no Oriente Médio.
Os papeis de defesa também avançaram, impulsionados não apenas pela guerra no Irã, mas sobretudo pela perspectiva de que os países vão seguir elevando os investimentos militares para lidar com o aumento das tensões geopolíticas.
As ações da Karman Holdings (KRMN), companhia americana que fornece sistemas para mísseis, drones e satélites, por exemplo, fecharam a semana passada com uma alta de 14%, em meio à perspectiva de maior demanda por seus produtos.
Já a fabricante de armas de choque Axon Enterprise (AXON), dona da marca Taser, saltou 5,8% em Nova York, impulsionada também pelos planos de avançar com inovações em IA (Inteligência Artificial).
Destaque ainda para a Northrop Grumman (NOC), a produtora da aeronave "invisível" usada pelos Estados Unidos para bombardear o Irã, que subiu mais de 4% na Bolsa na primeira semana da guerra.
Veja o desempenho das principais ações de defesa americanas na 1ª semana de guerra no Irã:

Orçamentos de defesa em alta 

Para analistas, as ações de defesa oferecem uma boa oportunidade de diversificação para os investidores brasileiros e ainda podem garantir certa previsibilidade em tempos incertos como o atual.
Porém, essa avaliação não se deve apenas à guerra no Irã, mas sobretudo ao entendimento de que a preocupação com a defesa veio para ficar.
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã não foi a única a abalar o mundo e os mercados recentemente. Por isso, muitos países têm elevado os investimentos militares.
O orçamento de defesa dos Estados Unidos, por exemplo, chegou a US$ 901 bilhões em 2026, mas deve subir para US$ 1,5 trilhão em 2027, se depender do presidente Donald Trump.
Trump se reuniu com os CEOs das principais empresas de defesa dos Estados Unidos na última sexta-feira (6) para discutir o aumento da produção do setor.
Participaram do encontro os CEOs da BAE Systems, Boeing, Honeywell Aerospace, L3Harris Missile Solutions, Lockheed Martin, Northrop Grumman e Raytheon.
Segundo o republicano, as companhias concordaram em quadruplicar a produção de armamentos de uma classe que ele chamou de "Exquisite", o que sugere uma referência a sistemas mais sofisticados de defesa, segundo a imprensa americana.
"Temos um fornecimento praticamente ilimitado de munições de grau médio e médio-superior, que estamos utilizando, por exemplo, no Irã e, recentemente, na Venezuela. Independentemente disso, também aumentamos os pedidos a estes níveis", disse Trump, que prometeu voltar a se reunir com o setor daqui a dois meses.
Já os países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) concordaram em elevar os gastos militares para 5% do PIB (Produto Interno Bruto) até 2035. E a China elevou o orçamento do setor em 7% já em 2026.
O Brasil também está de olho nessa tendência e decidiu destinar R$ 5 bilhões por ano para as Forças Armadas entre 2026 e 2030, sem colocar esse gasto dentro dos limites do arcabouço fiscal.
"Independentemente de tréguas momentâneas ou negociações diplomáticas, os orçamentos militares globais, especialmente o dos EUA, estão sendo elevados de forma permanente", observou o especialista em investimentos e sócio da Wiser Investimentos, Cristiano Luersen.
Só os Estados Unidos devem destinar US$ 1,5 trilhão ao setor de defesa em 2027 (Imagem: Shutterstock)

Aposta de longo prazo

Diante desse cenário, Cristiano Luersen diz que "o investidor pessoa física deve abordar o setor de defesa com uma mentalidade de tese estrutural, e não apenas como uma aposta especulativa de curto prazo". 
"Olhar para esse setor agora é um reconhecimento de que a 'segurança' se tornou uma prioridade econômica global para a próxima década", afirmou.
Especialistas ainda destacam outras potencialidades do setor, como os investimentos crescentes em inovação e IA (Inteligência Artificial), além da previsibilidade de receita.
Planejador financeiro e sócio da GuiaInvest, Tobias Camargo explicou que o setor desfruta não apenas de fortes orçamentos militares, como também de contratos de longo prazo.
"Isso dá mais estabilidade de receita às empresas, mesmo em cenários de volatilidade global", observou.
Ele admitiu, contudo, que as ações de defesa podem sofrer oscilações bruscas de preço no curto prazo, já que o setor é sensível a eventos políticos e negociações diplomáticas.
Quando os Estados Unidos e Israel lançaram os primeiros ataques às instalações nucleares iranianas. no ano passado, por exemplo, as ações também dispararam. Porém, o saldo da chamada Guerra dos 12 Dias foi negativo para o segmento na Bolsa.
"Para o investidor pessoa física, faz sentido olhar o setor como parte de uma estratégia de diversificação internacional e não como aposta tática de curto prazo", enfatizou Camargo.

É hora de investir em defesa?

Os analistas lembram que é preciso calcular o melhor momento de colocar as ações de defesa na carteira. Afinal, os papeis dispararam nos últimos dias diante da guerra no Irã.
"Entrar no auge de um ataque ou de uma notícia bombástica pode significar pagar um prêmio muito alto", alertou Luersen.
Ele recomenda, então, "montar posição de forma gradual, utilizando o setor como uma proteção contra riscos geopolíticos que, infelizmente, parecem ter vindo para ficar na dinâmica dos mercados de 2026 em diante".
"O principal erro nesses momentos é tomar decisões emocionais e alterar demais a estratégia por eventos de curto prazo. Portfólios bem diversificados já são construídos para atravessar períodos de estresse", reforça Camargo.

As opções disponíveis para o investidor brasileiro

Embora esteja na mira do governo, a indústria brasileira de defesa ainda tem baixa participação na Bolsa.
Por isso, os investidores que querem apostar nesse setor devem olhar para as líderes globais, que estão listadas sobretudo nas bolsas dos Estados Unidos.
Esse investimento pode ser feito por três vias principais: BDRs (certificados de ações estrangeiras negociados na B3), ETFs (fundos de índice) e stocks, as ações americanas.
Para os analistas, os BDRs são uma forma prática de investir no setor e ainda dolarizar parte do patrimônio, já que permitem investimento direto pela B3 em reais e têm liquidez imediata.
O destaque desse mercado é para os tickers de grandes corporações, como LMTB34 (Lockheed Martin), RYTT34 (RTX/Raytheon) e NOCG34 (Northrop Grumman).
Já os ETFs permitem uma exposição diversificada às principais empresas do segmento, reduzindo o risco de concentração em uma única companhia.
Porém, quem prefere investir via fundos deve olhar para os ETFs Internacionais, pois a B3 ainda não tem um ETF dedicado inteiramente ao setor de defesa.
ITA e XAR despontam como as principais opções de ETFs internacionais, pois reúnem várias empresas americanas de defesa.
De acordo com Luersen, também é possível obter uma exposição indireta, mas robusta ao setor por meio de ETFs que replicam o S&P 500, já que as empresas de defesa e aeroespacial têm um peso relevante no índice. E alguns dos ETFs disponíveis na B3 fazem isso, como o IVVB11.
Fundos internacionais e multimercados com mandato global também costumam ter posição nesse segmento, como parte da diversificação geográfica, segundo Camargo.
Quem tem conta no exterior, ainda pode investir diretamente nas ações de defesa, as stocks. 
"Para o investidor brasileiro, o acesso ao setor de defesa é viável, mas exige entender as limitações de cada veículo. A escolha entre um ou outro deve ser pautada pelo tamanho do aporte e pelo desejo do investidor de simplificar (BDR) ou otimizar custos e diversificação (Stocks/ETFs globais)", avalia Luersen.