Grandes investidores do Brasil: histórias e estratégias para se inspirar
Conheça 6 investidores que construíram patrimônio na bolsa brasileira: estratégias, carteiras e filosofias.
Publicado em 05/08/2026
Pedro Moreira Salles é um dos nomes mais importantes do sistema financeiro brasileiro e integrante de uma das famílias empresariais mais tradicionais do país.
Banqueiro e empresário, ele teve participação direta na história do Unibanco, comandou a instituição antes da associação com o Itaú e atualmente ocupa uma posição central na governança do Itaú Unibanco (ITUB3/ITUB4).
Mas a trajetória de Pedro Moreira Salles não se resume ao setor bancário. A família Moreira Salles construiu ao longo das décadas um patrimônio diversificado, com investimentos em mineração, mercado financeiro e outros setores.
Mas afinal, como começou a trajetória de Pedro Moreira Salles? Qual foi sua participação na criação do Itaú Unibanco? De onde vem sua fortuna?
Pedro Moreira Salles é um banqueiro e empresário brasileiro, nascido em Washington, nos Estados Unidos, em 20 de outubro de 1959.
Sua ligação com o mercado financeiro começou muito antes de assumir cargos executivos.
Pedro é filho de Walther Moreira Salles, banqueiro, empresário e diplomata que teve papel fundamental no desenvolvimento do Unibanco e também ocupou funções públicas importantes, incluindo o posto de embaixador do Brasil nos Estados Unidos.
A história empresarial da família, entretanto, começou antes mesmo de Walther. As origens dos negócios dos Moreira Salles estão em Minas Gerais. A família atuava no comércio em Poços de Caldas e posteriormente ingressou no setor bancário.
A Casa Bancária Moreira Salles, fundada por João Moreira Salles, pai de Walther, tornou-se uma das bases do grupo financeiro que décadas mais tarde daria origem ao Unibanco.
Pedro pertence, portanto, a uma geração que recebeu não apenas patrimônio, mas também uma estrutura empresarial que já possuía décadas de história.
Isso não significa, entretanto, que sua trajetória tenha começado na presidência de um banco. Antes de chegar ao comando do Unibanco, ele passou por diferentes negócios ligados ao grupo familiar e acumulou experiência em gestão.
Atualmente, Pedro Moreira Salles é copresidente não executivo do Conselho de Administração do Itaú Unibanco, função que exerce desde 2017. Antes disso, ele presidiu o conselho da instituição entre 2009 e 2017.
A formação acadêmica de Pedro Moreira Salles iniciou em 1977 no curso de Economia na PUC-Rio, mas cursou apenas um ano na instituição brasileira.
Posteriormente, transferiu-se para a Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), onde se graduou, com distinção magna cum laude, em Economia e História.
A combinação entre economia, história, relações internacionais e gestão ajudaria a formar a base para uma carreira que seria desenvolvida principalmente no setor financeiro.
No entanto, ao retornar ao Brasil, Pedro Moreira Salles não foi imediatamente colocado no comando do Unibanco. Seu caminho até a principal instituição financeira da família passou por outras operações.
O início da trajetória profissional de Pedro Moreira Salles ocorreu no começo dos anos 1980. Em 1983, ele trabalhou na Brasilpar, empresa da qual a família era acionista. Sua passagem pela companhia foi curta.
Ainda naquele ano, Pedro foi para Matão, no interior de São Paulo, para trabalhar na Fazenda Cambuhy. A missão envolvia a reformulação da gestão do negócio agropecuário pertencente à família.
A experiência é relevante para compreender sua trajetória porque representou um período de formação empresarial fora do ambiente bancário.
Em vez de começar diretamente em uma posição de destaque no Unibanco, Pedro teve contato com a administração de uma operação produtiva.
Em 1985, retornou para São Paulo e passou a atuar na Brasil Warrant, holding relacionada aos investimentos da família, juntamente com seu irmão Fernando Moreira Salles.
Naquele período, os interesses empresariais dos Moreira Salles já ultrapassavam o setor bancário, incluindo participações em diferentes companhias e setores.
Poucos anos depois, Pedro passaria a desempenhar um papel cada vez mais relevante justamente no negócio pelo qual a família havia se tornado conhecida: o Unibanco.
A história de Pedro Moreira Salles no Unibanco ganhou força no final dos anos 1980. Em 1989, ele passou a integrar formalmente o Conselho de Administração da instituição.
Ao longo dos anos seguintes, os bancos enfrentariam mudanças econômicas, estabilização monetária, avanço tecnológico e um forte movimento de consolidação.
Em 1995, Pedro esteve envolvido na aquisição de ativos do Banco Nacional, depois da intervenção do Banco Central. A operação se tornou um dos movimentos importantes da consolidação bancária daquele período. A carreira dentro do banco continuou avançando.
Em 1997, Pedro Moreira Salles tornou-se presidente do Conselho de Administração do Unibanco, posição que ocupou até 2004.
Naquele momento, portanto, já estava no centro das decisões estratégicas de uma das maiores instituições financeiras privadas do Brasil. Mas a mudança mais importante ainda estava por acontecer.
Em 2004, Pedro Moreira Salles deixou de atuar apenas no conselho e assumiu uma função executiva ainda mais direta. Ele se tornou diretor-presidente do Unibanco. Pedro ficou no comando executivo da instituição até 2008.
A decisão colocou um integrante da família controladora diretamente à frente das operações do banco em um momento de intensa competição no sistema financeiro. O mercado bancário brasileiro estava se consolidando em torno de instituições cada vez maiores.
Escala, tecnologia, rede de distribuição, crédito, seguros, cartões e outros serviços financeiros se tornavam fundamentais para manter a competitividade.
Para o Unibanco, esse contexto levaria a uma decisão que mudaria definitivamente sua história, e também a trajetória de Pedro Moreira Salles.
Em 2008, Itaú e Unibanco anunciaram uma associação que resultaria na formação do Itaú Unibanco.
O negócio reuniu duas das mais tradicionais famílias do sistema financeiro brasileiro: os Setubal/Villela, ligados ao Itaú, e os Moreira Salles, ligados ao Unibanco.
A operação ocorreu em um momento especialmente marcante para os mercados internacionais.
O mundo enfrentava a crise financeira global de 2008, provocando enormes turbulências no setor bancário internacional. Foi nesse contexto que a associação entre as duas instituições brasileiras foi anunciada.
O próprio Itaú Unibanco (ITUB3/ITUB4) descreve a operação como a maior fusão da história do setor bancário brasileiro.
Para Pedro Moreira Salles, o negócio representou uma transformação importante. O executivo que comandava o Unibanco passaria a dividir a governança de uma instituição financeira ainda maior.
Em 2009, ele assumiu a presidência do Conselho de Administração do Itaú Unibanco, função que exerceu até 2017.
A partir daquele ano, a governança passou a contar com Pedro Moreira Salles e Roberto Egydio Setubal como co-presidentes não executivos do conselho.
Atualmente, Pedro Moreira Salles é copresidente não executivo do Conselho de Administração do Itaú Unibanco (ITUB3/ITUB4).
Isso significa que Pedro não exerce a função de CEO responsável pela administração executiva cotidiana do banco. Seu papel está relacionado à governança e às decisões estratégicas do Conselho de Administração.
Sua trajetória dentro do sistema Itaú Unibanco pode ser resumida da seguinte maneira:
Além disso, Pedro Moreira Salles ocupa posições em outras organizações ligadas aos investimentos da família.
Outro nome importante para entender os negócios de Pedro Moreira Salles é a Cambuhy Investimentos.
Pedro é sócio e co-CEO da gestora, segundo as informações corporativas divulgadas pelo Itaú Unibanco (ITUB3/ITUB4).
A ligação com o nome Cambuhy remonta ao início de sua própria trajetória profissional, quando administrou a operação agropecuária da família em Matão. Décadas depois, a atuação de Pedro passaria a incluir a Cambuhy Investimentos.
A empresa de private equity foi fundada em 2011 por Pedro Moreira Salles e outros investidores. Essa atuação demonstra que sua trajetória empresarial não ficou restrita à administração da participação familiar no Itaú Unibanco.
Para compreender o patrimônio de Pedro Moreira Salles, é preciso conhecer a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM). A companhia está entre os ativos mais importantes associados à fortuna da família.
A CBMM possui uma posição de destaque mundial na produção e comercialização de produtos de nióbio.
O nióbio é utilizado em diferentes aplicações industriais e pode ser empregado, por exemplo, na produção de ligas que buscam características específicas de desempenho.
A família Moreira Salles possui participação na companhia por meio de sua estrutura de investimentos.
Isso ajuda a entender um ponto importante sobre o patrimônio de Pedro. Embora seu nome seja associado principalmente ao Itaú Unibanco por causa de sua trajetória profissional, sua riqueza não depende exclusivamente do banco.
Na realidade, o patrimônio familiar foi construído e diversificado estrategicamente, ao longo de gerações.
Pedro pertence a uma família que se destacou em diferentes áreas da economia e da cultura brasileira. Entre seus irmãos estão Fernando Moreira Salles, Walter Salles e João Moreira Salles.
Enquanto parte da família manteve forte ligação com os negócios e investimentos, Walter e João ganharam grande reconhecimento no cinema e na produção cultural.
Walter Salles construiu carreira como cineasta e dirigiu filmes de repercussão nacional e internacional.
João Moreira Salles também se destacou como documentarista, além de sua atuação ligada ao jornalismo e à cultura.
Os quatro irmãos estão associados à participação da família na CBMM e nos demais negócios do grupo.
Na estrutura de investimentos da família, os irmãos Moreira Salles mantêm participações em diferentes negócios, incluindo a CBMM.
A família também possui ligação histórica com a estrutura de controle do Itaú Unibanco, da qual Pedro Moreira Salles participa por meio das holdings que integram o bloco controlador do banco.
Além dessas participações empresariais, Pedro permanece diretamente envolvido na governança do Itaú Unibanco e em outros negócios ligados à família.
Essa combinação entre negócios, mercado financeiro e produção cultural é uma das características mais conhecidas da família Moreira Salles.
Pedro Moreira Salles foi presidente do Conselho de Administração da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) entre 2017 e 2022. A função ampliou sua presença institucional no setor financeiro brasileiro.
A Febraban representa instituições bancárias e participa de discussões envolvendo regulação, tecnologia, segurança, inovação, meios de pagamento e desenvolvimento do sistema financeiro.
Sua passagem pela entidade ocorreu quando Pedro já havia deixado a presidência individual do Conselho do Itaú Unibanco para assumir a copresidência.
A fortuna de Pedro Moreira Salles está na casa dos bilhões de dólares. De acordo com a Forbes, o seu patrimônio líquido é estimado em aproximadamente US$ 9,5 bilhões.
É importante entender que esse número não significa que Pedro possua bilhões de dólares disponíveis em dinheiro. As listas de bilionários estimam o valor do patrimônio considerando participações empresariais, investimentos e outros ativos.
Como o valor desses ativos pode mudar, a fortuna estimada também oscila. No caso de Pedro Moreira Salles, a origem da riqueza está ligada principalmente ao patrimônio empresarial construído pela família ao longo de várias gerações.
Não exatamente. Essa é uma dúvida comum quando se fala sobre grandes empresários e companhias abertas.
Pedro Moreira Salles está ligado ao bloco de controle do Itaú Unibanco por meio da estrutura societária construída após a associação entre Itaú e Unibanco, mas isso não significa que ele seja individualmente “o dono do Itaú”.
O Itaú Unibanco é uma companhia aberta, com ações negociadas no mercado e uma estrutura societária que envolve controladores e milhares de outros acionistas.
A governança do banco também não depende exclusivamente de Pedro. Ele divide a copresidência do Conselho de Administração com Roberto Egydio Setubal, enquanto a gestão executiva é conduzida por profissionais responsáveis pelas operações do banco.
Portanto, a relação de Pedro com o Itaú Unibanco (ITUB3/ITUB4) é melhor compreendida a partir de três dimensões:
O Unibanco não continuou como um grande banco independente depois da associação anunciada em 2008. As operações foram integradas ao grupo que passou a atuar como Itaú Unibanco (ITUB3/ITUB4).
A combinação reuniu estruturas, clientes, funcionários, produtos e operações das duas instituições.
Para a família Moreira Salles, porém, isso não significou simplesmente vender o banco e abandonar o setor.
A família passou a integrar a estrutura societária da instituição combinada, enquanto Pedro Moreira Salles permaneceu diretamente envolvido em sua governança.
Essa continuidade ajuda a explicar por que, quase duas décadas depois da operação, ele permanece como um dos principais nomes ligados ao Itaú Unibanco.
A importância de Pedro Moreira Salles está relacionada principalmente ao período de transformação que atravessou durante sua carreira.
Ele começou a participar da administração do Unibanco quando o mercado bancário brasileiro ainda apresentava uma configuração muito diferente da atual.
Passou pelas mudanças econômicas das décadas de 1980 e 1990, pelo processo de estabilização da economia, pela consolidação do setor bancário e pela expansão tecnológica dos serviços financeiros.
Além disso, ele também participou do crescimento do Unibanco e assumiu seu comando executivo. Posteriormente, esteve diretamente envolvido na associação com o Itaú, uma operação que mudou a estrutura competitiva do mercado financeiro brasileiro.
Depois disso, deixou a função executiva e permaneceu na governança do novo grupo.
Sua trajetória, portanto, acompanha uma transformação muito maior: a passagem de um banco de origem familiar e regional para uma das maiores instituições financeiras da América Latina.
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