Como fazer o dinheiro trabalhar para você?
Publicado em 31/03/2024
As ações de tecnologia vêm ganhando cada vez mais espaço na bolsa brasileira, impulsionadas pela transformação digital, crescimento do e-commerce, uso de software nas empresas e avanço de soluções baseadas em dados.
Nos últimos anos, após o ano de 2020, o número de empresas tech listadas aumentou, com algumas aberturas de capital (IPOs) e crescimento acelerado do setor.
E com as oportunidades, vêm os riscos, já que essas empresas costumam apresentar histórico de valorização atrelado à alta volatilidade.
Confira a seguir tudo sobre as ações de tecnologia, principais empresas do setor e indicadores!
As ações de tecnologia são representadas por empresas que atuam em áreas como software, hardware, serviços digitais, plataformas online, fintechs e soluções baseadas em dados.
Em termos simples, tecnologia é a aplicação do conhecimento para resolver problemas e criar soluções práticas, o que inclui tanto softwares quanto equipamentos físicos.
No mercado financeiro, esse setor é conhecido por três características principais:
No Brasil, o setor ganhou força principalmente após a pandemia, com digitalização de negócios e aumento do consumo online. O resultado foi uma maior atratividade para investidores, que passaram a buscar exposição a esse segmento.
Antes de investir em ações de tecnologia, é fundamental entender quais indicadores usar na análise. Diferente de setores tradicionais, aqui alguns fatores ganham mais relevância.
Crescimento de receita (Revenue Growth)
Empresas de tecnologia muitas vezes reinvestem lucros para crescer. Por isso, o crescimento da receita é um dos indicadores mais importantes.
Empresas com crescimento consistente tendem a ser melhor avaliadas pelo mercado.
Margem EBITDA
A margem EBITDA mede a eficiência operacional da empresa.
P/L (Preço/Lucro)
O famoso indicador de valuation.
Um P/L alto pode ser justificável se a empresa estiver crescendo rápido.
ROE (Retorno sobre patrimônio)
O ROE é um indicador de rentabilidade das empresas.
Em resumo, quanto mais alto o ROE, melhor é a capacidade da empresa de transformar recursos em resultados, ou seja, gerar lucros.
Churn e retenção (para empresas digitais)
No caso de empresas SaaS e plataformas:
Esses indicadores são essenciais para avaliar a sustentabilidade do negócio.
A bolsa brasileira conta com algumas empresas de tecnologia, desde gigantes consolidadas até small caps com potencial de crescimento.
O setor como um todo vem crescendo e ganhando relevância dentro do mercado acionário brasileiro, com aumento no número de empresas listadas e volume negociado.
Na sequência, vamos apresentar as empresas do setor de tecnologia, listada na bolsa de valores brasileira. Confira!
TOTS3 – TOTVS
A TOTVS (TOTS3) é considerada a maior empresa de tecnologia do Brasil quando o assunto é software de gestão. Seu principal produto é o ERP (Enterprise Resource Planning), mas a companhia evoluiu muito além disso nos últimos anos.
Hoje, a TOTVS opera em três grandes frentes:
Esse modelo transforma a empresa em um verdadeiro ecossistema, aumentando o ticket médio e a retenção de clientes.
Um dos grandes diferenciais da TOTVS é a alta previsibilidade de receita, já que grande parte vem de contratos recorrentes (modelo SaaS). Isso reduz a volatilidade do negócio e melhora a visibilidade de resultados.
Além disso, a empresa cresce de forma consistente através de:
Do ponto de vista de investimento, a TOTVS costuma ser vista como uma empresa mais madura dentro do setor tech, apresentando:
Por isso, muitas vezes é considerada uma das opções mais equilibradas entre risco e retorno dentro do setor.
LWSA3 – LWSA (Locaweb)
A LWSA (LWSA3) é uma das principais empresas de tecnologia voltadas para o crescimento digital de pequenas e médias empresas no Brasil. Seu grande diferencial está na construção de um ecossistema completo para negócios online.
A empresa atua em diversas frentes, como:
Ao longo dos anos, a LWSA adotou uma estratégia agressiva de aquisições, incorporando diversas empresas para ampliar seu portfólio e fortalecer sua presença no mercado digital.
Isso criou um modelo altamente escalável, baseado em:
Um ponto importante na análise da LWSA é que a empresa ainda está em fase de expansão, o que impacta indicadores como lucro líquido no curto prazo. Em compensação, apresenta:
Para o investidor, trata-se de uma empresa com perfil mais growth, ou seja, maior potencial de valorização, mas também maior volatilidade.
MLAS3 – Multi (Multilaser)
A Multi (MLAS3), antiga Multilaser, representa uma vertente diferente dentro do setor de tecnologia: o segmento de hardware e bens de consumo tecnológicos.
A empresa atua com uma ampla linha de produtos, incluindo:
O modelo de negócio da Multi é baseado em volume e diversificação, com forte presença no varejo físico e digital.
Diferente das empresas de software, que possuem margens mais altas, a Multi opera com:
Por outro lado, apresenta algumas vantagens importantes:
Para investidores, a Multi tende a ser vista como uma empresa mais cíclica, sensível ao consumo e ao cenário econômico, com menor previsibilidade do que empresas SaaS.
MOSI3 – Mosaico
A Mosaico (MOSI3) atua no segmento de plataformas digitais de comparação de preços e conteúdo, sendo dona de marcas conhecidas no ambiente online.
Seu modelo de negócio gira em torno de:
Na prática, a empresa funciona como um intermediador entre consumidores e lojas, monetizando o fluxo de usuários.
Entre os principais pontos de análise:
Isso torna o negócio escalável, mas também sujeito a riscos externos.
Para o investidor, a Mosaico representa uma empresa com:
SEQL3 – Sequoia Logística
A Sequoia (SEQL3) é uma empresa que combina logística com tecnologia, sendo um player relevante no suporte ao crescimento do e-commerce no Brasil.
Seu modelo envolve:
A empresa se beneficia diretamente da expansão do comércio eletrônico, atuando como infraestrutura essencial para o setor.
No entanto, diferentemente de empresas puramente digitais, a Sequoia enfrenta desafios como:
Ainda assim, possui pontos positivos importantes:
Para investidores, é uma empresa com perfil de turnaround e crescimento, exigindo análise mais cuidadosa dos resultados.
POSI3 – Positivo Tecnologia
A Positivo Tecnologia (POSI3) é uma das principais fabricantes de hardware do Brasil, com atuação em diversos segmentos.
A empresa opera em áreas como:
Um dos pilares do negócio é a forte presença no setor público, especialmente em projetos educacionais, o que garante volume de vendas relevante.
Por outro lado, isso também traz alguns riscos:
Nos últimos anos, a Positivo vem buscando diversificar suas fontes de receita, investindo em:
Para o investidor, trata-se de uma empresa com perfil mais tradicional dentro do setor tech, com:
CASH3 – Méliuz
A Méliuz (CASH3) é uma fintech que ganhou destaque no Brasil com seu modelo de cashback, devolvendo parte do valor das compras para os usuários.
Seu modelo de negócio inclui:
Nos últimos anos, a empresa passou por uma transformação, ampliando sua atuação para:
Essa expansão busca aumentar o engajamento dos usuários e diversificar as receitas.
Entre os principais pontos de análise:
A Méliuz é vista como uma empresa de crescimento, mas que ainda enfrenta desafios para consolidar sua rentabilidade.
BMOB3 – Bemobi
A Bemobi (BMOB3) atua no desenvolvimento e distribuição de soluções digitais para dispositivos móveis, com forte presença internacional.
Seu modelo de negócio é baseado em:
Diferente de outras empresas do setor, a Bemobi possui um modelo mais B2B2C, ou seja, vende soluções para operadoras que chegam ao consumidor final.
Isso traz algumas vantagens:
Além disso, a empresa está presente em diversos países, o que ajuda na diversificação geográfica.
Para investidores, a Bemobi costuma ser vista como uma empresa com:
Depois de conhecer as principais empresas do setor, um dos pontos mais importantes para o investidor é entender como elas se posicionam em termos de modelo de negócio, risco e potencial de crescimento.
O setor de tecnologia na bolsa brasileira é bastante heterogêneo. Ou seja, não existe um único perfil de empresa — cada uma atua em um segmento diferente e, por isso, deve ser analisada com critérios específicos.
Podemos dividir as empresas analisadas em três grandes grupos:
1. Empresas de software e serviços digitais (mais escaláveis)
Aqui entram nomes como TOTVS e LOCAWEB.
Essas companhias possuem algumas características em comum:
Esse tipo de empresa costuma ser mais valorizado pelo mercado, pois consegue crescer sem depender proporcionalmente de aumento de custos.
2. Empresas de plataforma digital e fintech (crescimento com volatilidade)
Nesse grupo estão empresas como Méliuz (CASH3) e Mosaico (MOSI3).
Essas empresas têm forte exposição ao ambiente digital e ao consumo online, mas enfrentam desafios como:
Por outro lado, oferecem alto potencial de crescimento, especialmente em ciclos favoráveis da economia digital.
3. Empresas de hardware e infraestrutura (mais cíclicas)
Aqui entram Positivo (POSI3), Multi (MLAS3) e Sequoia Logística (SEQL3).
Essas companhias apresentam:
Apesar disso, podem se beneficiar fortemente em momentos de crescimento econômico e aumento do consumo.
Por fim, há empresas com modelos híbridos, como a Bemobi, que combinam tecnologia com parcerias estratégicas, oferecendo maior previsibilidade de receita.
Essa comparação mostra que investir em tecnologia não significa investir em um único tipo de empresa — e sim em um conjunto de modelos com riscos e oportunidades diferentes.
Agora que você já conhece os principais indicadores, é importante entender como aplicá-los na prática.
O erro mais comum do investidor é analisar ações de tecnologia com os mesmos critérios de setores tradicionais, como bancos ou utilities. No setor tech, o foco deve estar no futuro — e não apenas nos resultados atuais.
Veja como estruturar uma análise eficiente.
1. Avalie o crescimento antes do lucro
Empresas de tecnologia frequentemente priorizam expansão em vez de lucro imediato. Por isso:
2. Analise a qualidade da receita
Nem toda receita é igual. No setor de tecnologia, a qualidade da receita faz muita diferença.
Prefira empresas com:
3. Observe a escalabilidade do negócio
Escalabilidade significa crescer sem aumentar custos na mesma proporção.
Empresas digitais tendem a ter vantagem nesse aspecto, pois:
4. Analise o momento da empresa
Entender o estágio da empresa é essencial para alinhar expectativas.
Essa análise ajuda a evitar decisões baseadas apenas em preço.
5. Avalie o valuation com cautela
Indicadores como P/L e EV/EBITDA devem ser interpretados com cuidado no setor tech.
Nunca analise valuation isoladamente — ele deve sempre ser combinado com crescimento e qualidade do negócio.
Investir em tecnologia pode ser extremamente lucrativo, mas também exige estratégia.
A seguir, algumas abordagens que fazem sentido para esse setor.
Diversificação dentro do setor
Um erro comum é concentrar todo o investimento em uma única empresa.
O ideal é combinar:
Isso reduz o risco e aumenta as chances de capturar bons retornos.
Pensamento de longo prazo
O setor de tecnologia é altamente volátil no curto prazo. Oscilações são comuns e fazem parte da dinâmica do mercado.
Por isso:
Investidores que tiveram sucesso nesse setor geralmente mantiveram posições por anos.
Atenção ao cenário macroeconômico
Empresas de tecnologia são sensíveis a fatores como:
Juros mais altos, por exemplo, tendem a reduzir o valor presente de empresas de crescimento, impactando suas ações.
Acompanhe inovação e competitividade
No setor tech, a vantagem competitiva pode mudar rapidamente.
Por isso, é importante observar:
Empresas que não inovam tendem a perder espaço rapidamente.
As ações de tecnologia representam oportunidades de investimento no mercado financeiro atual. No Brasil, apesar de o setor ainda ser menor do que em mercados como os Estados Unidos, ele vem ganhando relevância rapidamente.
Entre os principais pontos positivos estão:
Por outro lado, é importante considerar:
Ou seja, trata-se de um setor ideal para investidores que:
As ações de tecnologia oferecem uma combinação única de inovação e desenvolvimento dentro da bolsa brasileira. Empresas mostram como o setor é diverso e repleto de possibilidades.
Ao mesmo tempo, investir nesse segmento exige análise mais aprofundada, foco no longo prazo e entendimento dos riscos envolvidos.
Se bem selecionadas, essas empresas podem fazer parte de uma estratégia sólida de construção de patrimônio.
Se você quer analisar ações com mais profundidade, acompanhar indicadores atualizados e tomar decisões mais estratégicas, vale a pena dar o próximo passo.
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