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Publicado em 15/06/2022
Investir em ações da Meta (META) significa adquirir participação em uma das maiores empresas de tecnologia e publicidade digital do mundo, responsável por plataformas como Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger.
A antiga Facebook passou por uma transformação importante ao longo de sua história. O negócio que começou como uma rede social tornou-se um gigantesco ecossistema digital, com bilhões de usuários e receitas que ultrapassaram US$ 200 bilhões em 2025.
Mas será que vale a pena investir nas ações da Meta? A companhia paga dividendos? Quais são seus principais riscos? E como comprar META sendo brasileiro?
Neste artigo, você vai entender o modelo de negócios da Meta Platforms, conhecer os principais fatores que influenciam seus resultados e descobrir as diferentes maneiras de investir na companhia.
A Meta Platforms, Inc. é uma companhia norte-americana de tecnologia que foi fundada originalmente como Facebook em fevereiro de 2004.
Sua história começou quando Mark Zuckerberg e outros estudantes desenvolveram uma rede social dentro da Universidade Harvard. O projeto rapidamente ganhou usuários em outras universidades e, posteriormente, foi disponibilizado para um público muito maior.
Com o crescimento acelerado do Facebook, a companhia tornou-se uma das protagonistas da expansão das redes sociais ao redor do mundo. Entretanto, a Meta atual é muito maior do que o Facebook.
Ao longo dos anos, a empresa realizou aquisições estratégicas que ajudaram a construir seu ecossistema. Entre elas está o Instagram, cuja aquisição foi anunciada em 2012 por aproximadamente US$ 1 bilhão.
Outra operação fundamental ocorreu em 2014, quando o Facebook anunciou a aquisição do WhatsApp. A operação previa aproximadamente US$ 16 bilhões em dinheiro e ações, além de US$ 3 bilhões em unidades de ações restritas destinadas aos fundadores e funcionários do aplicativo.
Atualmente, alguns dos principais produtos e negócios da Meta são:
Para fins de divulgação dos resultados financeiros, a Meta divide seus negócios em dois grandes segmentos: Family of Apps (FoA) e Reality Labs (RL).
O Family of Apps concentra Facebook, Instagram, Messenger, WhatsApp e outros serviços. Já o Reality Labs reúne atividades relacionadas a hardware, software e conteúdo de realidade virtual e aumentada.
Essa divisão é especialmente importante para investidores porque os dois segmentos possuem situações financeiras completamente diferentes.
Enquanto o Family of Apps gera dezenas de bilhões de dólares em lucro operacional, o Reality Labs ainda consome quantidades significativas de recursos.
META é o ticker das ações Classe A da Meta Platforms negociadas na Nasdaq, nos Estados Unidos.
No entanto, a companhia nem sempre utilizou esse ticker. Durante muitos anos, quando ainda era conhecida principalmente como Facebook, suas ações eram negociadas sob o código FB.
Depois da mudança do nome corporativo de Facebook para Meta Platforms, a companhia também alterou o ticker de suas ações para META.
É importante destacar que essa mudança não significa que o Facebook tenha deixado de existir. O Facebook continua sendo uma das principais plataformas pertencentes à companhia.
A diferença é que Meta Platforms é a empresa controladora de Facebook, Instagram, WhatsApp e dos demais negócios do grupo.
Para o investidor brasileiro, existe ainda a possibilidade de obter exposição à companhia através do BDR M1TA34, negociado diretamente na B3.
Entender como uma empresa ganha dinheiro é uma das etapas mais importantes antes de investir em suas ações.
No caso da Meta, existe uma característica extremamente importante: apesar da quantidade de aplicativos, projetos e tecnologias desenvolvidos pela companhia, a publicidade continua sendo responsável pela maior parte das receitas.
Isso significa que, apesar dos investimentos em inteligência artificial, realidade virtual, dispositivos inteligentes e outros negócios, o desempenho financeiro da companhia continua profundamente relacionado ao mercado global de anúncios digitais.
Vamos conhecer melhor suas principais fontes de receita.
Publicidade no Facebook e Instagram
A publicidade é o coração do modelo de negócios da Meta. Facebook e Instagram possuem enormes bases de usuários, permitindo que empresas de diferentes tamanhos anunciem seus produtos e serviços.
O modelo funciona principalmente através da venda de espaços publicitários.
Um e-commerce, por exemplo, pode utilizar as ferramentas da Meta para mostrar um anúncio para consumidores que possuem maior probabilidade de comprar determinado produto.
Quanto maior for a capacidade da companhia de entregar anúncios relevantes e gerar resultados para os anunciantes, maior tende a ser o valor econômico de suas plataformas.
A Meta pode aumentar suas receitas publicitárias principalmente através de duas variáveis:
Em 2025, as impressões publicitárias dentro do Family of Apps cresceram 12%, enquanto o preço médio por anúncio avançou 9%.
Além disso, ferramentas de inteligência artificial passaram a possuir importância crescente para melhorar recomendações, segmentação, criação de anúncios e desempenho das campanhas.
Esse ponto ajuda a compreender por que os investimentos da Meta em IA podem possuir efeitos diretos sobre seu principal negócio.
WhatsApp e outras receitas
O WhatsApp possui uma base gigantesca de usuários, mas sua monetização é muito menor quando comparada à publicidade existente no Facebook e Instagram.
No entanto, a companhia vem procurando mudar gradualmente essa situação. Entre as possibilidades de monetização estão soluções destinadas a empresas e mensagens pagas.
O WhatsApp Business, por exemplo, permite que empresas utilizem o aplicativo para comunicação com consumidores, atendimento, vendas e diferentes etapas do relacionamento comercial.
A expansão da monetização do WhatsApp pode ser especialmente relevante porque cria uma nova oportunidade dentro de uma plataforma que já possui uma enorme escala global.
Reality Labs
O Reality Labs concentra uma das maiores apostas de longo prazo da companhia.
Esse segmento desenvolve tecnologias relacionadas à realidade virtual, realidade aumentada, inteligência artificial e dispositivos que podem representar novas formas de interação entre pessoas e computadores.
Entre seus produtos mais conhecidos estão os dispositivos Meta Quest. Outra frente que ganhou importância são os óculos inteligentes com recursos de inteligência artificial.
Apesar do potencial tecnológico, existe uma diferença fundamental entre o Reality Labs e o restante da companhia: o segmento ainda apresenta prejuízos muito elevados.
Para o investidor, a questão é avaliar se esses investimentos produzirão retornos suficientes no longo prazo.
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Mark Zuckerberg continua sendo a figura central na administração da Meta. Fundador da companhia, ele ocupa os cargos de Chairman e CEO e participa diretamente da definição da estratégia geral e do direcionamento dos produtos.
Essa característica diferencia a Meta de algumas grandes companhias de tecnologia cujos fundadores deixaram a administração operacional.
Além disso, a estrutura acionária da empresa concede a Zuckerberg um elevado poder de voto.
A Meta possui ações Classe A e Classe B. Muito embora possuam direitos econômicos semelhantes em aspectos como dividendos, existem diferenças importantes nos direitos de voto.
Para alguns investidores, essa característica pode ser positiva porque permite que o fundador desenvolva estratégias de longo prazo sem depender exclusivamente das pressões do mercado.
Por outro lado, representa também um risco de governança, pois os demais acionistas possuem capacidade limitada de influenciar determinadas decisões estratégicas.
Quem pretende investir nas ações da Meta precisa acompanhar diferentes indicadores, dentre os quais, podemos destacar:
Receita de publicidade: Como a publicidade representa a maior parte das receitas, sua evolução continua sendo fundamental.
É importante observar tanto o crescimento das impressões quanto a evolução do preço médio dos anúncios.
Usuários e engajamento: A Meta acompanha métricas relacionadas à quantidade de pessoas que utilizam sua família de aplicativos.
No primeiro trimestre de 2026, a companhia informou uma média de 3,56 bilhões de pessoas ativas diariamente em sua família de aplicativos.
Uma base dessa dimensão representa uma das principais vantagens competitivas da empresa.
Margem operacional: A margem mostra quanto da receita permanece como resultado operacional depois dos custos e despesas relacionados às atividades.
Como a companhia está realizando grandes investimentos em infraestrutura e inteligência artificial, acompanhar a evolução das margens tornou-se especialmente importante.
Fluxo de caixa livre: Lucro contábil não é a única métrica relevante. O fluxo de caixa livre ajuda o investidor a entender quanto dinheiro permanece disponível depois dos investimentos necessários para sustentar e expandir a operação.
Esse indicador merece ainda mais atenção em períodos de forte expansão do Capex.
Capex: Capex representa os investimentos realizados pela empresa em ativos de longo prazo. Data centers, servidores e infraestrutura necessária para inteligência artificial estão fazendo esse número crescer significativamente.
O investidor precisa analisar não apenas quanto está sendo investido, mas qual retorno esses investimentos estão produzindo.
Reality Labs: Os prejuízos do Reality Labs precisam ser monitorados. A questão central não é simplesmente determinar se o segmento apresenta prejuízo atualmente, mas avaliar se seus produtos demonstram evolução suficiente para justificar os bilhões de dólares investidos.
Valuation: Por fim, é necessário avaliar quanto o mercado está cobrando pelas ações. O valuation precisa ser comparado às perspectivas de crescimento, aos riscos, às margens e à capacidade de geração de caixa da empresa.
Neste caso, um conjunto de indicadores como: Preço/Lucro (P/L), EV/EBITDA, Preço/Fluxo de Caixa, Fluxo de caixa livre e Crescimento esperado dos lucros, podem ajudar na análise. Nenhum múltiplo deve ser utilizado isoladamente.
Sim. Durante muitos anos, a Meta não distribuía dividendos, priorizando investimentos no próprio negócio e recompras de ações. No entanto, essa situação mudou em 2024, quando a companhia iniciou o pagamento de dividendos.
Apesar dessa mudança, META ainda não deve ser analisada como uma típica ação voltada para renda.
O dividend yield tende a ser relativamente modesto quando comparado a empresas maduras conhecidas por distribuir grande parcela dos lucros.
A principal tese continua relacionada ao crescimento dos resultados, geração de caixa e valorização das ações no longo prazo.
O investidor brasileiro possui duas alternativas principais para investir diretamente na companhia. Uma delas é comprar as ações META no mercado norte-americano.
Confira o passo a passo.
1. Escolha uma instituição com acesso ao mercado internacional
O primeiro passo é abrir conta em uma instituição que permita investir em ações negociadas nos Estados Unidos.
Antes da escolha, compare aspectos como:
2. Disponibilize recursos no exterior
Para comprar META diretamente na Nasdaq, será necessário possuir dólares disponíveis na conta de investimento.
Dependendo da instituição, a conversão de reais para dólares pode ser realizada dentro da própria plataforma.
O investidor precisa considerar custos cambiais e tributos relacionados à operação.
3. Procure pelo ticker META e determine quanto investir
Depois que os recursos estiverem disponíveis na plataforma de investimentos, pesquise pelo código: META
Além disso, é preciso definir quanto investir. Para isso, considere fatores como:
Algumas instituições permitem comprar ações fracionadas, o que reduz o capital necessário para iniciar o investimento.
4. Envie a ordem
Por fim, basta escolher a quantidade desejada e enviar uma ordem de compra. A depender da plataforma, poderão existir diferentes tipos de ordem.
Após realizar o investimento, é importante continuar acompanhando os resultados da Meta.
Sim. O brasileiro que não deseja investir diretamente no mercado norte-americano pode obter exposição à Meta através de um BDR negociado na B3.
BDR significa Brazilian Depositary Receipt. Esses ativos são certificados negociados no Brasil que representam valores mobiliários emitidos no exterior.
O BDR da Meta possui o ticker: M1TA34
Uma das vantagens dessa alternativa é a facilidade operacional. O investidor pode comprar e vender M1TA34 utilizando uma corretora brasileira, através da B3 e em reais.
Para comprar BDRs, basta ter conta em uma corretora brasileira, localizar o ticker desejado, informar a quantidade e concluir a operação.
Na prática, as duas alternativas oferecem exposição econômica à Meta, mas apresentam algumas características diferentes.
Ao comprar META através da Nasdaq, o investidor passa a possuir ações da companhia negociadas no mercado norte-americano. Nesse caso, seu patrimônio fica diretamente exposto ao exterior e denominado em dólares.
Ao comprar M1TA34, a operação é realizada na B3 e em reais. Apesar disso, a variação cambial continua influenciando o investimento, pois o BDR representa um ativo originalmente negociado no exterior.
A decisão entre META e M1TA34 pode considerar:
Quem pretende construir uma carteira internacional diversificada pode encontrar vantagens em possuir uma conta internacional.
Já investidores interessados apenas em obter exposição a determinadas companhias estrangeiras podem considerar os BDRs uma alternativa mais simples.
Apesar da escala e elevada geração de caixa, investir em META envolve riscos, dentre os quais, podemos destacar:
Dependência da publicidade: A publicidade representa a grande maioria das receitas da companhia. Essa concentração deixa os resultados expostos às condições do mercado publicitário.
Períodos de desaceleração econômica podem levar empresas a reduzir investimentos em marketing, afetando o crescimento das receitas.
Concorrência: A Meta compete pela atenção das pessoas. Instagram, Facebook e Threads precisam disputar usuários com diferentes redes sociais, aplicativos de vídeo, plataformas de mensagens e serviços digitais.
Além disso, a companhia disputa recursos publicitários com outras gigantes de tecnologia.
Mudanças rápidas no comportamento dos usuários podem alterar a posição competitiva das plataformas.
Inteligência artificial: A IA representa uma oportunidade, mas também aumenta a concorrência.
A Meta precisa investir grandes quantidades de capital para desenvolver modelos, infraestrutura e produtos.
Não existe garantia de que todos esses investimentos produzirão retornos adequados.
Capex elevado: Os investimentos necessários para data centers e infraestrutura estão crescendo rapidamente.
Se os investimentos crescerem mais rapidamente que as receitas e os lucros gerados por eles, o fluxo de caixa livre pode ser pressionado.
Reality Labs: O Reality Labs acumulou prejuízos operacionais bilionários ao longo dos últimos anos.
O desenvolvimento de novos dispositivos pode criar oportunidades, mas existe o risco de que determinados mercados não alcancem a escala esperada.
Regulação: Poucas empresas possuem tanta influência sobre comunicação, publicidade digital e dados quanto a Meta.
Consequentemente, a companhia está constantemente sob atenção de governos e autoridades regulatórias.
Privacidade, concorrência, proteção de crianças e adolescentes, publicidade, inteligência artificial e utilização de dados estão entre os temas capazes de gerar novas regras, multas e custos.
Governança: A estrutura acionária concede a Mark Zuckerberg grande poder de voto.
Isso permite que a administração execute estratégias de longo prazo, mas também reduz a influência dos demais acionistas sobre decisões corporativas.
Câmbio: O investidor brasileiro também precisa considerar a variação entre real e dólar.
Mesmo através do BDR M1TA34, a exposição econômica continua relacionada ao ativo estrangeiro.
Por isso, o retorno medido em reais pode ser afetado pelo comportamento da moeda norte-americana.
Não existe uma resposta única para essa pergunta. A decisão depende do perfil de risco, horizonte de investimento, composição da carteira e preço pelo qual as ações estão sendo negociadas.
Entre os fatores que podem fortalecer a tese de investimento em META estão:
Entretanto, nenhuma dessas características significa que a META seja automaticamente um bom investimento. O preço pago pelas ações é fundamental.
Uma empresa pode apresentar crescimento, margens elevadas e excelentes perspectivas e, ainda assim, gerar retornos ruins caso o investidor pague um valuation excessivamente elevado.
Como vimos ao longo deste conteúdo, investir nas ações da Meta (META) significa obter exposição a muito mais do que o Facebook.
Facebook, Instagram e WhatsApp formaram um ecossistema utilizado diariamente por bilhões de pessoas e transformaram a companhia em uma das maiores empresas de publicidade digital do planeta.
Entretanto, a Meta está entrando em uma nova etapa de sua história. Inteligência artificial, data centers, óculos inteligentes, realidade aumentada e novas formas de computação passaram a receber investimentos cada vez maiores.
O desafio para a administração será transformar todo esse investimento em crescimento sustentável de receitas, lucros e fluxo de caixa.
Para investidores brasileiros, existem duas alternativas principais: comprar META diretamente na Nasdaq ou utilizar o BDR M1TA34 negociado na B3.
Independentemente da alternativa escolhida, é fundamental avaliar os fundamentos da companhia, seus riscos e principalmente seu valuation antes de tomar uma decisão.
Investidor10: Sua plataforma de análise de investimentos, gestão de carteira, acompanhamento de dividendos e apoio ao Imposto de Renda.