O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prepara uma nova rodada de tarifas comerciais que pode atingir até 60 países, segundo informações do Financial Times. A medida faz parte da reformulação da política comercial da Casa Branca após decisões judiciais que limitaram parte da estratégia tarifária do governo.
De acordo com o jornal britânico, a administração Trump avalia substituir parte das tarifas globais de 10% por novas alíquotas entre 10% e 12,5%. Para isso, pretende utilizar investigações abertas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite a adoção de sanções comerciais contra países acusados de práticas consideradas desleais.
Lembrando que, no último dia 15 de julho, os Estados Unidos confirmaram uma tarifa adicional de 25% sobre milhares de produtos brasileiros, tornando o país o primeiro alvo da nova política comercial baseada na Seção 301. A medida pode atingir mais de 4 mil produtos.
Segundo autoridades americanas, a decisão foi tomada após meses de negociações sem acordo entre os dois países. O USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) argumenta que as conversas não resolveram questões consideradas prioritárias pelo governo americano. Já o governo brasileiro rejeitou as justificativas apresentadas pelos EUA.
Além da tarifa de 25%, o Brasil também integra outra investigação conduzida com base na Seção 301, relacionada à existência de trabalho forçado em cadeias produtivas. Caso novas medidas sejam adotadas ao fim desse processo, a tarifa total sobre produtos brasileiros poderá chegar a 37,5%.
Diante da entrada em vigor das novas tarifas, o governo federal iniciou uma série de reuniões com os segmentos mais impactados pela medida. Os encontros, coordenados pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), têm como objetivo mapear perdas, identificar riscos para a produção e o emprego e reunir informações.
Entre os setores ouvidos estão os de máquinas, madeira, móveis e calçados. A intenção do Executivo é levantar demandas por crédito, estimar impactos sobre contratos de exportação e definir eventuais medidas de apoio econômico antes de anunciar uma resposta oficial ao tarifaço americano.
Enquanto amplia a pressão sobre o Brasil, Trump também elevou as tarifas contra o Canadá. O governo americano anunciou uma taxa adicional de 50% sobre diversos produtos canadenses, alegando práticas consideradas discriminatórias contra bens dos Estados Unidos. A medida deve entrar em vigor após o prazo estabelecido pela Casa Branca.