📈 A cotação chegou a subir mais de 20% e a encostar nos US$ 120 no domingo (8), logo depois da abertura dos mercados. Na manhã desta segunda-feira (9), seguia acima dos US$ 100.
Esta é a primeira vez desde o início da guerra da Rússia contra a Ucrânia, em fevereiro de 2022, que o preço do petróleo rompe a barreira dos US$ 100 o barril.
O salto é resultado da guerra no Oriente Médio, que entrou em uma nova fase no final de semana e já afeta a produção de petróleo mundial. E levanta o temor de uma inflação mais forte em todo o mundo, o que pode ameaçar os planos de corte de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
Cortes de produção
🛢️ Alguns dos principais produtores de petróleo do mundo começaram a reduzir a sua produção devido à suspensão do tráfego no
Estreito de Ormuz.
A rota é crucial o escoamento da commodity, mas foi bloqueada pela guerra. Por isso, alguns países do Golfo Pérsico ficaram sem ter como exportar seu petróleo e decidiram cortar a produção.
O Iraque já reduziu a produção de petróleo em 60% na primeira semana de guerra, segundo a "Bloomberg".
Na Arábia Saudita, a Aramco precisou interromper o funcionamento de uma das suas refinarias após um ataque a drone. E outros drones foram interceptados no final de semana, na direção de um campo petrolífero com capacidade para produzir 1 milhão de barris por dia.
Kuwait e Emirados Árabes Unidos também anunciaram cortes de produção no sábado (7), enquanto os navios-tanque estiverem impedidos de circular pelo Golfo Pérsico.
Segundo o ministro da Energia do Catar, Saad al-Kaabi, outros países da região devem seguir o mesmo caminho caso a guerra não dê sinais de recrudescimento.
Ele disse ainda que o preço do petróleo deve chegar a US$ 150 o barril neste cenário, o que poderia afetar economias de todo o mundo.
Guerra avança sob tanques de petróleo
Contudo, a Guarda Revolucionária do Irã logo revidou e disse que ataques similares poderiam ocorrer em toda a região caso a sua infraestrutura energética continue na mira dos israelenses.
O presidente do Parlamento do Irã, Mohamad Baqer Qalibaf, alertou que, "se a guerra continuar assim, não haverá como vender petróleo, nem capacidade para produzi-lo".
Abastecimento de combustíveis é afetado
⛽ Diante disso, a distribuição de combustíveis foi interrompida em Teerã. Bangladesh, que depende da importação de petróleo, também impôs limites à compra do produto no domingo (8).
Já a China teria ordenado a suspensão das exportações de diesel e gasolina, para assegurar o abastecimento interno. E a Coreia do Sul avalia impor um teto para os preços dos combustíveis.
Os preços da gasolina e do diesel já subiram nos Estados Unidos diante da disparada do petróleo, atingindo os maiores valores em anos.
Apesar disso, o presidente Donald Trump ameaça continuar atacando o Irã. No final de semana, ele disse que o novo líder supremo iraniano "não vai durar muito" se não tiver a aprovação americana.
Israel também ameaçou o novo ocupante do cargo, que foi entregue no domingo (9) a
Mojtaba Khamenei, o filho do aiatolá Ali Khamenei, morto no início da guerra.
Impacto no Brasil
Uma eventual alta dos combustíveis teria um impacto direto nos consumidores e ainda colocaria pressão sobre o custo do frete, o que pode afetar os preços dos alimentos e dos bens industriais.
Ou seja, caso a guerra continue pressionando os preços do petróleo, a
inflação pode voltar a acelerar no país, pressionando os juros.
Antes da guerra, a expectativa era de que o Copom (Comitê de Política Monetária) cortasse a
Selic dos atuais 15,00% para 14,50% no próximo dia 18 de março.