Petróleo em 2026: O que esperar em meio à crise na Venezuela?

Commodity já teve um péssimo desempenho anual em 2025, pressionado por excesso de oferta.

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Publicado em 03/01/2026 às 11:34h - Atualizado 15 horas atrás Publicado em 03/01/2026 às 11:34h Atualizado 15 horas atrás por Lucas Simões
Petróleo tipo Brent está cotado ao redor de US$ 60 por barril atualmente (Imagem: Shutterstock)
Petróleo tipo Brent está cotado ao redor de US$ 60 por barril atualmente (Imagem: Shutterstock)
O petróleo é uma das principais commodities do mundo, termômetro da inflação e extremamente estratégico no tabuleiro geopolítico. Diante da crise política na Venezuela, em meio à derrubada de Nicolás Maduro, o ano de 2026 tende a reservar ainda mais volatilidade ao preço do petróleo e das ações de petroleiras listadas em bolsa de valores, caso da Petrobras (PETR4).
Afinal de contas, o país sul-americano, vizinho ao Brasil, ostenta a maior reserva comprovada de petróleo do planeta, estimada em 303 bilhões de barris, cerca de 17% do volume global conhecido, aponta a Administração de Informação Energética (EIA, na sigla em inglês), órgão do governo dos Estados Unidos.
Para se ter uma ideia, o Brasil apresenta atualmente reservas provadas de petróleo de 16,8 bilhões de barris, contabilizadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Não à toa, a Petrobras, como estatal petroleira, aposta suas fichas na exploração da Margem Equatorial, mesma região que se encontra a vasta reserva petrolífera venezuelana.
Se, por um lado, a própria PETR4 estima explorar 700 mil barris por dia apenas com esse "novo pré-sal", com a possível volta das exportações de petróleo da Venezuela aos mercados globais em 2026, capitaneada pelo governo Trump, espera-se tendência negativa para o petróleo no médio prazo.
Para Gustavo Cruz, estrategista‑chefe da RB Investimentos, o petróleo tipo Brent, principal referência para as petroleiras brasileiras, até pode disparar no curtíssimo prazo por conta da crise na Venezuela, ao sabor do choque inicial.
"Com a normalização das operações petroleiras e o retorno pleno da Venezuela  ao mercado global, como promessa do próprio Donald Trump, a oferta aumentaria de forma significativa. Isso poderia derrubar os preços do barril no médio prazo, produzindo o efeito oposto ao observado agora", pondera o especialista.
Vale citar que o petróleo já caminha para um fraco desempenho ao longo de 2025, a sua pior rentabilidade anual desde 2020, justamente por conta da preocupação dos investidores globais com o excesso de oferta, além de tensões geopolíticas, não apenas na Venezuela, como também na guerra entre Ucrânia e Rússia.

Variação das petroleiras na B3

  • Petrobras (PETR4): Rentabilidade real de -13,74% nos últimos 12 meses / Dividend yield de 10,53%
  • Prio (PRIO3): Rentabilidade real de -0,83% nos últimos 12 meses / Dividend yield de 0,00%
  • Brava Energia (BRAV3): Rentabilidade real de -31,37% nos últimos 12 meses / Dividend yield de 0,00%
  • PetroReconcavo (RECV3): Rentabilidade real de -31,54% nos últimos 12 meses / Dividend yield de 8,18%
  • Cosan (CSAN3): Rentabilidade real de -36,91% nos últimos 12 meses / Dividend yield de 0,00%
  • Ultrapar (UGPA3): Rentabilidade real de +33,38% nos últimos 12 meses / Dividend yield de 8,35%
  • Vibra Energia (VBBR3): Rentabilidade real de +60,66% nos últimos 12 meses / Dividend yield de 6,14%