Petrobras (PETR4) corre contra o tempo para explorar petróleo na Foz do Amazonas

Se a autorização ambiental não sair até abril, o risco é perder mais de R$ 1 bilhão já investidos pela estatal.

Author
Publicado em 26/03/2025 às 19:18h - Atualizado 4 dias atrás Publicado em 26/03/2025 às 19:18h Atualizado 4 dias atrás por Matheus Silva
O pedido da licença está nas mãos do Ibama, que já rejeitou a solicitação em 2023 (Imagem: Shutterstock)

🚨 A Petrobras (PETR4) tem até abril de 2025 para garantir a licença ambiental necessária para perfurar um poço exploratório na Bacia da Foz do Amazonas.

O prazo é estratégico: o contrato da sonda escolhida para a operação expira em outubro do mesmo ano.

Se a autorização ambiental não sair até abril, o risco é perder a janela operacional e comprometer anos de planejamento e mais de R$ 1 bilhão já investidos pela estatal.

O pedido da licença está nas mãos do Ibama, que já rejeitou a solicitação em 2023, alegando preocupações socioambientais.

Desde então, a Petrobras revisou seus planos e apresentou um novo pedido de reconsideração, tentando avançar com a exploração em águas ultraprofundas na costa do Amapá — região considerada ambientalmente sensível, mas com grande potencial energético.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, o bloco em questão pode conter reservas tão promissoras quanto as do pré-sal.

No entanto, o impasse entre desenvolvimento energético e preservação ambiental ainda domina os bastidores do governo.

Enquanto o ministério pressiona por avanços, técnicos do Ibama continuam cautelosos, recomendando, inclusive, a negativa da licença com base em relatórios internos.

➡️ Leia mais: Natura (NTCO3) convoca acionistas para votar incorporação após prejuízo de R$ 8,9 bi

Apesar disso, um parecer técnico recente do próprio Ibama deu sinal verde para o plano de limpeza da sonda que seria usada na perfuração — um passo importante dentro do processo de licenciamento.

A preparação da sonda já está em curso, e os custos envolvidos reforçam o senso de urgência: o aluguel do equipamento gira em torno de US$ 400 mil por dia, o que equivale a aproximadamente R$ 2,4 milhões diários.

Caso o prazo não seja cumprido, a Petrobras pode até buscar uma nova sonda, mas isso abriria uma nova rodada de contratações, análise técnica e, possivelmente, mais atrasos.

Há também a complexidade de higienizar o casco da embarcação para evitar a presença de espécies invasoras, como o coral-sol, que costuma ser detectado nesse tipo de operação e exige um processo de limpeza demorado e criterioso.

O tema voltou aos holofotes após declarações do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que alegou dificuldades em obter retorno do Ibama para discutir o caso.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, prometeu participar da reunião assim que o presidente Lula retornar de viagem ao Japão, indicando que o tema será debatido em alto nível político.

Para a Petrobras, trata-se de uma aposta de longo prazo, que pode abrir uma nova fronteira de produção nacional. Para os ambientalistas e o próprio Ibama, a cautela é indispensável diante dos riscos potenciais ao ecossistema da Amazônia Azul.

Enquanto isso, a contagem regressiva segue. E o futuro do petróleo na Foz do Amazonas continua pendente de uma licença que ainda não tem data para sair.