Magalu (MGLU3) pode roubar R$ 7,5 bi em vendas da Casas Bahia até 2027, diz BBA

O Itaú BBA elevou o Magazine Luiza para compra e calculou que cada corte de 1 ponto nos juros soma cerca de 11% ao lucro por ação.

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Publicado em 13/10/2026 às 18:10h Publicado em 13/10/2026 às 18:10h por Matheus Silva
Cerca de 2/3 das lojas fechadas da Casas Bahia têm uma Magalu a menos de 400 metros (Imagem: Shutterstock)
Cerca de 2/3 das lojas fechadas da Casas Bahia têm uma Magalu a menos de 400 metros (Imagem: Shutterstock)
🛍️ A arrancada das ações do Magazine Luiza (MGLU3) depois do primeiro turno das eleições ganhou o aval de um dos maiores bancos do país. 
O Itaú BBA elevou a recomendação da varejista de market perform, equivalente a neutro, para outperform, equivalente a compra, e revisou o preço-alvo de R$ 10 para o fim de 2026 para R$ 16 por ação no fim de 2027. O novo alvo representa potencial de valorização de 31% em relação ao fechamento da semana passada.
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Na avaliação do banco, uma combinação rara de fatores passou a jogar a favor da companhia. Entre eles estão a queda dos juros, a possibilidade de ganhar participação de mercado e as revisões positivas nas projeções de resultado.
Por isso, os analistas resumiram a nova tese com uma expressão sugestiva, a de que "as estrelas se alinham" para a varejista.
A revisão chega depois de uma semana histórica para o papel. Na semana do primeiro turno, as ações do Magalu dispararam 62,29%, a maior valorização do Ibovespa no período, embaladas pelo rali eleitoral e pela expectativa de um ciclo mais favorável para empresas voltadas ao mercado doméstico e sensíveis às taxas de juros.

Magalu é a ação mais sensível aos juros

O ponto de partida da nova tese é a relação entre o desempenho da varejista e o custo do dinheiro. Segundo o Itaú BBA, o Magazine Luiza é provavelmente a empresa mais sensível à queda dos juros dentro de toda a sua cobertura.
Pelos cálculos do banco, cada redução de 100 pontos-base na curva de juros adiciona cerca de 11% ao lucro por ação da companhia.
A equipe liderada por Rodrigo Gastim avalia que a soma de juros menores com melhora operacional torna a relação entre risco e retorno mais atraente no curto prazo. 
O banco passou a trabalhar com um cenário de juros reais próximos de 6%, patamar visto por muitos investidores como uma condição de normalidade para a economia brasileira, e a expectativa de continuidade do ciclo de flexibilização monetária motivou a revisão das projeções.

Crédito ao consumidor explica dependência

A sensibilidade do Magalu aos juros tem raízes no próprio modelo de negócios. A empresa depende intensamente do crédito ao consumidor e financia uma parte relevante de suas vendas por meio de operações próprias, da joint venture Luizacred e de cartões de terceiros.
Além disso, recorre à antecipação de recebíveis, o que deixa seus custos financeiros diretamente expostos ao comportamento das taxas.
O relatório estima uma dívida líquida ajustada próxima de R$ 13 bilhões, considerando os recebíveis descontados.
Com esse nível de exposição, um ambiente de juros mais baixos tende a produzir benefícios em três frentes ao mesmo tempo, estimulando a demanda, aliviando as despesas financeiras e melhorando a geração de resultados.

Crise da Casas Bahia abre oportunidade

O segundo pilar da tese está nas dificuldades da principal concorrente. Para o Itaú BBA, a recuperação judicial do Grupo Casas Bahia (BHIA3) e o fechamento de aproximadamente 29% de sua rede de lojas físicas podem provocar uma transferência expressiva de vendas para o Magazine Luiza.
O banco aponta que a redução dos estoques e uma possível restrição de crédito por parte dos fornecedores podem limitar a disponibilidade de produtos, a variedade e o investimento comercial da Casas Bahia nos próximos trimestres. Nesse cenário, a demanda que deixar de ser atendida pela concorrente tende a migrar, em boa medida, para o Magalu.
A geografia reforça essa leitura. Cerca de dois terços das lojas fechadas pela Casas Bahia têm uma unidade do Magazine Luiza a menos de 400 metros de distância, o que facilita a captura do consumidor deslocado.
Os analistas lembram que o movimento já tem precedente. Anos atrás, quando a Máquina de Vendas perdeu força no mercado, o crescimento das vendas nas mesmas lojas do Magazine Luiza acelerou de forma significativa.

Banco estima R$ 7,5 bilhões em vendas adicionais até 2027

O Itaú BBA calcula que a varejista pode capturar cerca de R$ 7,5 bilhões em vendas adicionais até 2027, com impacto potencial de aproximadamente R$ 300 milhões no lucro líquido. 
Parte desse ganho viria diretamente das lojas fechadas pela concorrente. Outra parcela seria conquistada nas unidades da Casas Bahia que continuam abertas, mas operando com menor capacidade comercial.
Um terceiro vetor de crescimento são os marketplaces. A entrada recente do Magazine Luiza nas plataformas do Mercado Livre (MELI34) e da Amazon (AMZO34) é vista como uma oportunidade adicional. 
Segundo os analistas, a companhia já soma cerca de 330 mil vendas no Mercado Livre desde o início da operação, em setembro, com ritmo diário aproximadamente 25% superior ao registrado pela Casas Bahia após estrear na mesma plataforma.

Lucro projetado para 2027 quase triplica

As novas premissas resultaram em uma revisão das estimativas. O Itaú BBA passou a projetar lucro líquido de R$ 776 milhões em 2027, ante cerca de R$ 266 milhões na estimativa anterior, quase o triplo. Para 2028, a previsão de lucro sobe para R$ 1,18 bilhão.
A receita líquida estimada para 2027 foi elevada para R$ 45,4 bilhões, e o Ebitda ajustado, para R$ 3,7 bilhões. O banco projeta ainda crescimento de vendas nas mesmas lojas próximo de 18% em 2027, refletindo tanto o ganho de participação de mercado quanto a melhora do cenário macroeconômico.
Mesmo depois da disparada das ações, o Itaú BBA avalia que boa parte do movimento incorporou apenas o início do ciclo de corte de juros.
Para os analistas, uma eventual queda das taxas reais para a faixa entre 5,5% e 6% e a concretização dos ganhos de mercado ainda não estão totalmente refletidas nas cotações.
💲 O banco, porém, reconhece que os desafios estruturais continuam no radar. Entre os riscos citados estão o aumento da concorrência no varejo online, a necessidade de converter crescimento em geração de caixa e a possibilidade de interrupção do ciclo de queda dos juros, fatores que devem seguir no centro das atenções dos investidores.