Lula critica juros do cartão e fala em proibir segundo cartão por pessoa

Presidente classificou os juros do rotativo como “crime” e disse que tema está em discussão com o Banco Central.

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Publicado em 02/10/2026 às 08:47h Publicado em 02/10/2026 às 08:47h por Wesley Santana
Cartão de crédito é uma das formas de pagamento mais usadas pelos brasileiros (Imagem: Shutterstock)
Cartão de crédito é uma das formas de pagamento mais usadas pelos brasileiros (Imagem: Shutterstock)

Como forma de diminuir a inadimplência, o presidente Lula (PT) afirmou que, caso seja reeleito, deve analisar a proibição de que uma pessoa tenha mais de um cartão de crédito. A fala veio em um contexto de discussão da taxa de juros do rotativo, que atingiu a média de 449,4% no último mês de agosto, de acordo com o Banco Central.

"Quanto é que o povo paga? É 493%, 500% no cartão de crédito. Dá para fazer alguma coisa. É o que eu estou exigindo que faça agora", afirmou Lula, em entrevista ao Flow Podcast. "Nós estamos discutindo com o Banco Central. Nós vamos proibir os bancos de darem mais de um cartão de crédito para as pessoas. É um crime. Os bancos hoje distribuem cartão de crédito sem saber se você quer. Eles mandam para você", declarou.

Lula participou da entrevista no mesmo horário em que estava marcado o tradicional debate da TV Globo com os candidatos à Presidência. Ele já havia confirmado a ausência, mas, minutos antes do horário marcado, o evento foi cancelado pela emissora.

A Globo recebeu ao menos duas notificações judiciais que mexeriam com o formato já desenhado e aprovado pelas campanhas. Diante da insegurança jurídica em relação à realização do evento, a emissora decidiu cancelar o debate.

Os candidatos rapidamente foram às redes sociais para opinar sobre o assunto. Alguns alegaram censura e até interferência do STF (Supremo Tribunal Federal) no debate.

Lula, porém, já estava com a entrevista marcada e aproveitou para alfinetar a emissora. Ele ainda classificou o debate como “infrutífero e desproporcional”.

"Eu, sinceramente, acho que esses debates são infrutíferos, não produzem nada, não dão sequência”, disse. "Você está discutindo o país, está discutindo o povo brasileiro, a soberania brasileira. Você não está discutindo merreca, quem é mais engraçado, quem vai lacrar mais daquela piadinha”, completou.

Essa não é a primeira vez que o candidato falta a um debate na reta final da campanha. Em 2006, antes de seu primeiro mandato, ele decidiu não comparecer ao evento organizado também pela Globo e comentou o fato durante a entrevista.

"Eu não fui no debate. O que a Globo fez comigo? Colocou uma cadeira vazia, colocou. Hoje teve uma decisão para não ter”, afirmou. "Eu estava decidido: eu não vou no debate. O pessoal já me conhece demais. Já me conhece demais. Eu já sou uma figura muito conhecida", concluiu.